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OPINIÃO

OPINIÃO | Luisa Mello | Nem tudo o que luz é oiro!

2018-12-24 09:26:35

Foto SP

OPINIÃO | Luisa Mello | Nem tudo o que luz é oiro!

"Oe eleitores, na verdade, podem não confiar na oposição - mas começam a descrer de um governo que os trata como ignorantes ou patetas". - F. José Viegas.

O oiro das luzes de Natal já brilha, nas ruas, nas lojas, por ventura nas casas de cada um. Começam a luzir cada vez mais cedo e é o cabo dos trabalhos para nos livrarmos delas... Para mim a época é sempre um bocado deprimente, porque, como escrevia Pessoa a respeito do seu próprio aniversário, faltam na mesa das celebrações muitíssimos dos que nos foram queridos e nos amaram também. Com as cadeiras vazias, vazia fica igualmente muita da nossa capacidade de certas emoções, alegrias, festejos. Pelo menos comigo acontece, há mais passado e menos futuro. Para compensar, mais conformação.
O presente é que já não me traz grande conforto... está cada vez mais próximo de uma ditadura e esta é de esquerda e de toda a sua propalada superioridade moral e intelectual. Ser-se de direita, ainda que moderada, é levar imediatamente com o carimbo de fascista. Pois então, vou aventurar-me a acreditar o que é comummente considerado permitido como "assim é que é!". Como se dizia no tempo da ditadura, remeto-me à minha insignificância que não caibo dentro dela!
1 - O caso dos Professores, classe a que pertenci quase 40 anos. Centeno diz que não há dinheiro para lhes satisfazer justas pretensões, ele lá sabe onde o guarda para possíveis outras coisas. Pertence ao governo que temos, que se farta de apregoar glórias sobre economia, finanças, prosperidades, desafogo. Há coisas que nem no tempo da Troika me faltaram tanto, se calhar é só a mim, que marcho com o passo trocado...
2 - Os tempos da supervisão da Troika passaram a uma refinada e requintada amnésia. Sugiro que alguém volte à realidade de que esses tempos nos foram legados pelo socialista Sócrates com uma ameaça de bancarrota. Fazer de conta que esse caminho de pedras se fez por sadismo de Passos é desonestidade intelectual pura e dura. O caminho de rosas presente, se não é ficção científica está a varrer para as bermas austeridades várias. A paz social tão querida nas bocas do governo vê-se nas ruas todos os dias e não é bonita de se ver!
3 - Os partidos que sustentam o governo, "superiormente superiores" na vigilância e defesa dos que ao bem estar e direitos (que os têm!), se vêem despojados, deixaram passar o Orçamento sem aproveitar para fazer finca pé nas medidas que poderiam aliviar injustiças e desigualdades que as ortodoxias próprias reclamam ser sua bandeira. Hipócritas. O dr. Marques Mendes disse coisa semelhante quando esta crónica já estava escrita. Fascista!
4 - E antes que a canja azede e se torne repugnante de ingerir... voltemos aos oiros do Natal que se aproxima.
As televisões generalistas atulham-nos a vista, os ouvidos e sobretudo a paciência com publicidade! Fujo para qualquer filme, antigo de preferência, que sou de orientação pacifista e a violência provoca-me náuseas, mas como gosto de falar depois de ver, reparo que os mais repetidos anúncios são os de perfumes, automóveis e chocolates, em que, quase invariavelmente, surgem mulheres semi-despidas, em poses, sorrisos e olhares, digamos assim, convidativos à sedução dos ofertantes. As militantes mais acérrimas contra o feminismo bacoco, o assédio, as loiras, burras, não se insurgem? Incoerência! Sou mulher do sec. XX, e, se há já um século se queimavam sutiãs nas ruas, o meu fito quanto à igualdade de género situa-se principalmente na parte do reconhecimento intelectual e na superioridade feminina quanto às variadas tarefas que são capazes de acumular com competência e inteligência, o "feminismo" para moeda de aceitação de prendas caras parece-me um bocado espúrio. Velha do Restelo!
Politicamente incorrectíssimo: o governo fez 3 anos de felicidade geral para a Nação. Celebra a data em caravana propagandística. Sabem o que me lembra? Aquelas estantes com livros postiços incluídos, brilhantes nas capas, vazios por dentro, compradas por gente a emergir, inaugurando casas novas com tudo quanto é bom, livros incluídos de lombadas bem à vista para que se saiba que, além de dinheiro também ali há cultura... Os franceses têm uma expressão muito adequada a todo este "barulho das luzes": épater les bourgeois. Deslumbrar os burgueses... Deslumbrem lá! Há muito quem goste.
LUISA DE MELLO - 16-11-18