Por favor vire o ecrâ na vertical para visualizar o website

INICIAR SESSÃO

REGISTAR

REPOSITÓRIO

METEOROLOGIA

Terça-feira

Data: 2019-06-18

Max: 25ºC

Min: 11ºC

Quarta-feira

Data: 2019-06-19

Max: 24ºC

Min: 14ºC

Quinta-feira

Data: 2019-06-20

Max: 23ºC

Min: 13ºC

ENVIE PARA O JORNAL METEOROLOGIA ÚLTIMAS + LIDAS + PARTILHADAS HISTÓRICO DE NEWSLETTERSASSINATURA DIGITALINICIAR SESSÃOREGISTAR HISTÓRIA E ESTATUTO EDITORIAL POLITICA DE PRIVACIDADE / TERMOS DE USO FICHA TÉCNICA RELATÓRIO ANUAL DE GOVERNO SOCIETÁRIO

Odete Ferreira

CRÓNICA | Odete Ferreira | Parabéns, Soberania!

2019-01-03 11:18:09

Foto SP

CRÓNICA | Odete Ferreira | Parabéns, Soberania!

O jornal Soberania do Povo faz 140 anos. Pensei oferecer-lhe uma prenda. Talvez uma crónica sobre um Ano Novo, cheio de Paz e Alegria. Estive atenta aos jornais e aos noticiários de vários canais televisivos nacionais e internacionais e não encontrei um só oásis, governado pela esperança para todos. O medo, a guerra, os refugiados, as convulsões sociais, as alterações climáticas, o populismo, a xenofobia, o racismo, as bombas, os muros, as crianças em jaulas, o tráfico de seres humanos, a inteligência artificial, a corrupção, as bombas nucleares, vão crescendo e sugando a esperança deste nosso planeta azul.
Durante dias, estive atenta a sinais para uma crónica feliz. Mal acordava, olhava pela minha janela, que dá para o rio, mas via o céu cinzento de frio e ouvia um pardal, tiritando um pio, no sino da igreja.
Ontem, na minha rua, encontrei a Lucinda, a minha vizinha que tinha acolhido a Inês e a Mariana, duas meninas abandonadas pela mãe.
- As meninas já não estão comigo. Levaram-nas para um orfanato! Só saem de lá aos dezoito anos! – disse-me a Lucinda.
Quem cura agora a dor das meninas? Quem lhes cala os pesadelos da noite? Como se cresce sem abraços de mãe?
Apeteceu-me um café. Talvez me levantasse o ânimo. No caminho, encontrei a Dona Margarida. Caminhava, apoiada a uma “canadiana”. Tem 96 anos e só toma comprimidos para o “costrol”. Convidou-me para ir ver a casa do filho, onde vive há dias, desde que caiu. Trepadeiras enfeitam o pátio da casa. A minha amiga segue à minha frente, subindo e descendo as escadas, com medo que eu caia.
Despedimo-nos, com um abraço.
- Volte para o ano! - convidou-me ela.
No café, encontrei a professora do Martim, o meu menino de seis anos.
- Sim, sim, ele é bom aluno! Sempre a rir. É um malabarista da alegria. Há dias, levei uma música de Natal para todos ouvirem. Ele levantou-se e perguntou:
- Senhora Professora, posso dançar?
Quando eu ia dizer não, já ele acenava e cruzava braços e trocava pernas, como um artista de circo.
Despedi-me do café, de pazes feitas com o amanhã.
Quando regressei a casa, olhei pela janela, que dá para um pombal, e vi uma revoada de pardais e estorninhos, na hora do recreio, voando e sumindo no colchão dos ninhos.
Olhei pela janela que está dentro de mim. E copiei para o meu jornal, a alegria da Amélia e a dança do Martim. Ah! E a liberdade dos pássaros!
Parabéns, Soberania! Que o meu jornal viva muitos mais anos! Hoje é Dia de Alegria! l ODETE FERREIRA