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OPINIÃO

TANGARELHO | Manuel Farias | Hipácia

2019-01-08 17:00:24

Foto SP

TANGARELHO | Manuel Farias | Hipácia

O fim da Idade Antiga e início da Idade Média fixa-se na queda do Império Romano do ocidente (476 dC). Por coincidência, também ocorreu o fim do pensamento livre de dogmas religiosos, da civilização greco-romana e dos grandes avanços no conhecimento da Humanidade. A morte de Hipácia de Alexandria tem este simbolismo.
Hipácia foi, com excepção das crenças, o maior vulto feminino de toda a Antiguidade. Frequentou a Akademia de Platão e regressou ao Egipto para se tornar na maior referência do conhecimento mediterrânico da sua época. Fundou a escola neoplatónica associada à famosa Biblioteca de Alexandria, foi astrónoma e matemática brilhante. Criou o astrolábio, que os portugueses usaram a partir do séc XIV, e inventou o hidrômetro, cujos sucedâneos fazem hoje a contagem dos consumos domésticos de água e servem processos industriais em múltiplas aplicações.
A cidade de Alexandria resultou do macedónio Alexandre, o Grande (séc IV aC) e a sua Biblioteca foi fundada por Ptolomeu, criador do sistema solar geocêntrico e inventor do mapa mundi com coordenadas de meridianos e paralelos. Este centro de saber e pensamento desenvolveu-se durante todo o período helénico e foi o depósito das obras clássicas produzidas e sobreviventes para as gerações seguintes.
O cargo de bibliotecário foi sempre ocupado pelos melhores pensadores de cada época. Por exemplo, Aristarco organizou os escritos de Homero em 24 livros e assim chegou até nós o texto moderno da Ilíada e da Odisseia. Outro bibliotecário chamado Calímaco, catalogou toda a coleção de papiros em 120 livros. Porém, sucessivos incêndios, por razões religiosas ou imperiais, foram destruindo uma boa parte deste acervo.
Hipácia era a bibliotecária em 415, cientista, matemática e neoplatónica da variante não-religiosa, o que desagradava ao patriarca Cirilo de Alexandria, que também andava de mal com o governador Orestes, em boa parte por este ser apreciador da ciência e do pensamento cultivado na Biblioteca de Alexandria.
Apanhada entre o poder temporal de Orestes e o fanatismo religioso do bispo Cirilo, este induziu alguns dos seus apaniguados a impor a ira divina sobre Hipácia: retalharam-lhe o corpo com conchas afiadas, desmembraram-na viva e queimaram-na. Depois desta execução, a filosofia entrou em completa desgraça imperial e, no ano 529, Justiniano proclamou que Deus estava acima de todos, por isso proibiu o ensino não-religioso e fechou a última escola de filosofia existente, a Akademia de Platão.
l MANUEL FARIAS