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Paulo Matos (Advogado)

PERIFERIA | Paulo Matos | Gil Nadais, diz para onde vais!

2019-06-04 15:42:27

Foto SP

PERIFERIA | Paulo Matos | Gil Nadais, diz para onde vais!

Os níveis de participação reduzidos das recentes eleições europeias, não significam apenas a pouca importância que os cidadãos atribuem ao projeto europeu.
Considerar que os resultados eleitorais das Europeias no concelho de Águeda, no Distrito de Aveiro e no país, são uma antecâmara do que vai acontecer em Eleições Legislativas ou Autárquicas, é não perceber nada do fenómeno político nem dos comportamentos eleitorais.
Em regra, o eleitor vota mais por afeto e simpatia do que por convicção. Os ganhadores em eleições Europeias podem ser os perdedores em eleições locais ou nacionais. A crise do regime político é sistémica.
Ao nível nacional, não tenho qualquer dúvida que os eleitores faltaram deliberadamente às urnas, como forma de protesto contra o ambiente político degradado que se vive em Portugal, e os poucos que foram votar, alinharam mais pelo voto nas modas, do Bloco de Esquerda (paladino da devolução de rendimentos e das chamadas causas fraturantes), e do PAN - partido dos “urbano depressivos” ou dos “cães e gatinhos de marquise” (Miguel Sousa Tavares), como forma de expressar o seu desencanto.
Os partidos tradicionais não deram ainda qualquer resposta à realidade política obscena e saturada que se vive em Portugal, a saber:
Joe Berardo que beneficiou de créditos de milhões sem garantias quer processar os deputados duma Comissão de Inquérito do Parlamento.
O Estado interpela contribuintes para pagar dívidas ao fisco em operações stop de trânsito, sem respeito pelas garantias e defesa.
Um Juíz de Instrução, escolhido em sorteio duvidoso, quer anular provas do maior processo judicial da democracia portuguesa (Operação Marquês) colocando em risco a imagem há muito atribulada do sistema judicial.
O Estado despeja na Banca 20 mil milhões para pagar os desmandos de créditos concedidos sem garantias, e não tem 7 milhões para renovar o sistema informático da Segurança Social, lesando direitos sociais dos cidadãos.
O Banco de Portugal que desde há vários anos anda a dormir na Supervisão, não quer divulgar listas dos grandes devedores que são o sorvedouro de dinheiro dos contribuintes.
Os governos e em particular o atual, colocam dezenas de familiares em cargos públicos e ainda são premiados em eleições.
Alguns autarcas continuam suspeitos de viciarem concursos públicos para obterem benefícios pessoais (Operação Teia).
E por falar em autarcas, a dois anos de eleições, o universo político local em Águeda começa a agitar-se (sob o cenário colorido de mais um Agitágueda), não em função dos resultados das Europeias, cuja abstenção elevada premiou o PS e o Bloco de Esquerda e prejudicou os partidos à direita, mas em função de um facto político essencial: o abandono do PS por parte do ex-presidente de Câmara Gil Nadais.
Com efeito, os próximos tempos serão curiosos para se perceber se Gil Nadais quererá ou não voltar a candidatar-se à Câmara Municipal e se, em caso afirmativo, concorrerá por um projeto alternativo ao atual poder que, recorde-se, foi uma criação sua (embora a criatura esteja a defraudar o criador), ou se optará por uma refundação desse Movimento Independente readaptando-o à criação original, com nova roupagem e linha de rumo.
Acredito que Gil Nadais só concorrerá pela certa, se estiver convicto que ganha as eleições e, não tenho dúvidas que só o conseguirá através de um projeto alternativo ao atual Movimento Juntos, através de uma candidatura independente nova, ou sendo candidato por algum dos partidos tradicionais, seja pelo PSD da sua origem, seja por um PS que não lhe seja hostil.
Independentemente desse facto novo na política local, um projeto alternativo para o concelho de Águeda não poderá ficar refém das opções de Gil Nadais (com quem partilhei com relativo sucesso um mandato na presidência da Assembleia Municipal), e terá que começar a fazer caminho, logo após as próximas Eleições Legislativas de Outubro.
E, tal como no país, também a nível local a política precisa de gente com mais qualidade, com mais peso político, com mais ambição, com mais experiência, mas também com mais juventude, mais humildade e menos arrogância, mais obra executada, com maior sustentabilidade, mais competência e organização e menos improviso institucional.
A inexistência de verdadeiras reformas, afastará os eleitores cada vez mais das mesas de voto e abrirá maior espaço a movimentos inorgânicos, populistas, de esquerda ou de direita, e antidemocráticos.
- PAULO MATOS