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Espaço Político - Paulo Seara

ESPAÇO POLÍTICO | Paulo Seara | Regeneração falhada, Águeda adiada

2019-06-12 11:31:01

Foto SP

ESPAÇO POLÍTICO | Paulo Seara | Regeneração falhada, Águeda adiada

Regeneração Urbana é entendida como um processo constituído por um conjunto de intervenções socio-urbanísticas, em locais que apresentem ineficiências, compreendidas entre a carência de actividades, degradação do espaço publico e insuficiência de equipamentos e serviços onde se podem gerar fenómenos de exclusão social. Estes parâmetros e factores de incerteza sobre o espaço urbano impõem que se intervenha, regenerando e transformando as vivências, o ambiente e a actividade económica.

Após a descrição do conceito de regeneração urbana, é tempo de fazer a análise critica às intervenções/transformações já realizadas na nossa Cidade nos últimos anos, bem como dos benefícios que todos iremos ou não sentir.

São mais de 10 milhões de euros investidos nos diversos arruamentos da nossa Cidade, com morosas e deficientes obras que a todos tem causado os mais variados constrangimentos: o pó, a lama, a dificuldade de mobilidade, os estacionamentos, bem como os prejuízos no comércio e demais actividades económicas, etc., etc..
Agora que, por todos era expectável, começar a beneficiar desta revolução regenerativa, verificamos que estas intervenções foram apenas, e lamentavelmente, de cosmética, sem objectivos estratégicos, avulsas e com poucos aspectos positivos, salvo raras excepções como é o caso do Largo 1º de Maio.
Nas restantes obras foi praticamente partir tudo o que existia e fazer quase igual mas com diferentes materiais, trocando-se a calçada portuguesa por placas de cimento, alcatroando-se umas e substituindo-se o alcatrão por calçada de granito noutras. É já visível a degradação dos pisos de granito, bem como a má qualidade do alcatrão aplicado e das mal concebidas e pouco ou nada utilizadas vias cicláveis. Estreitaram-se as vias, estrangularam-se os entroncamentos e diminuíram o número de estacionamentos. No São Pedro, o constrangimento existente onde era a antiga fábrica da Ânfora manteve-se, para alargar dois metros na estrada de acesso a Paredes junto ao Hospital, a Câmara investiu 46 mil euros (650€ m2) numa garagem velha lá existente, bem como a construção de muros ao longo da via que em nada beneficiou a rua. Na rua das Piscinas ninguém entende a necessidade e muito menos as melhorias, na rua Eugénio Ribeiro, José Sucena (Tribunal) e ligação Águeda-Paredes junto ao rio, o piso de paralelos e as passadeiras estão extraordinariamente degradados.
Após estes avulsos e avultados investimentos, não se verificou o expectável: o fortalecimento da atractividade da Cidade, o desenvolvimento equilibrado das diferentes zonas da Urbe e a aproximação entre o centro e as zonas periféricas e mais rurais.
Com estas intervenções centralizadas, criou-se uma malha viária que dificulta a criação de transportes públicos, a que acresce dificuldades nos acessos aos serviços e poucas melhorias ambientais.
Gorou-se assim uma oportunidade única de reforçar o papel da Cidade como o grande centro de crescimento, criatividade e empreendedorismo.
Acentuaram-se as disparidades entre os Bairros urbanos e periferias, agravando-se as assimetrias relativamente às Freguesias que continuam a ver os comboios a passar e onde o desenvolvimento teima em não dar sinais de vida.
Gostaria de ter visto intervenções ao longo da antiga Nacional 1, essas sim fundamentais para a segurança e fluidez rodoviárias, que visassem a melhor ligação entre as Povoações/Freguesias que se situam ao longo desta via, bem como a eliminação de pontos trágicos como são exemplo os cruzamentos de Pedaçães e Aguada de Baixo.
Na Cidade esta via é um claro corte que afasta Paredes do núcleo urbano, que estando tão perto o torna tão difícil de chegar.
Relativamente à Borralha apenas se acresceram dificuldades de acesso, com a eliminação do acesso pelos Abadinhos, que em tempo de cheias a solução é o acesso através da rotunda do Intermarché, devendo ter-se planeado e executado uma rotunda no antigo Patuá, que no futuro será impossível após a edificação lá construída.
Quanto a Assequins e Ameal continuam votadas ao esquecimento. A intervenção deveria ter sido uma oportunidade de as transformar numa parte integrante da Cidade.
Mas o mais lamentável é o facto de os nossos Rios não terem sido incluídos nestas intervenções.
Senão vejamos, não seria de vital importância a aproximação das pessoas e da Cidade ao rio?
A regeneração das suas margens, dos seus espaços de lazer e desporto, fomentando a convivência social e ambiental, não serão factores de desenvolvimento de primeira linha?
É aqui que faz todo o sentido a criação de percursos pedonais e cicláveis, que interligassem o Cértima à majestosa Pateira, a Pateira ao Águeda, e o rio Águeda ao Alfusqueiro e Agadão, promovendo e potenciando ecossistemas e habitats únicos.
A sã e saudável convivência com o rio é determinante para o nosso território, pois promove o retorno às nossas raízes e aquilo que somos verdadeiramente: o povo que viveu sempre com o seu Rio. Esta é umas das nossas maiores riquezas, com um valor turístico inestimável, que continua esquecida e tarda em ser potenciado.

Com tantos e tantos milhões gastos, Águeda continua igual a si mesma, pequena e orgulhosa, contudo cada vez mais distante de um desenvolvimento sustentável e inclusivo, não se vislumbrando transformações nas vivências.
- PAULO SEARA