Por favor vire o ecrâ na vertical para visualizar o website

INICIAR SESSÃO

REGISTAR

REPOSITÓRIO

METEOROLOGIA

Terça-feira

Data: 2019-06-18

Max: 25ºC

Min: 11ºC

Quarta-feira

Data: 2019-06-19

Max: 24ºC

Min: 14ºC

Quinta-feira

Data: 2019-06-20

Max: 23ºC

Min: 13ºC

ENVIE PARA O JORNAL METEOROLOGIA ÚLTIMAS + LIDAS + PARTILHADAS HISTÓRICO DE NEWSLETTERSASSINATURA DIGITALINICIAR SESSÃOREGISTAR HISTÓRIA E ESTATUTO EDITORIAL POLITICA DE PRIVACIDADE / TERMOS DE USO FICHA TÉCNICA RELATÓRIO ANUAL DE GOVERNO SOCIETÁRIO

Padre Manuel Armando

ERA UMA VEZ | Manuel Armando | O tempo. Que medida? Quem é seu dono?

2019-06-12 11:35:17

Foto SP

ERA UMA VEZ | Manuel Armando | O tempo. Que medida? Quem é seu dono?

Uma das invenções humanas que me seduz é a daquela construção de um pequeno ou grande aparelho, propriamente chamado relógio, o qual os dicionaristas definem como instrumento medidor das horas, minutos e segundos do tempo.
Insofismável divisão humana para aquilo que será sempre um todo.
É verdade que este, o tempo, não pode medir-se em quilos ou metros, mas ele determina-se, com alguma exactidão, nas rugas bem acentuadas de um qualquer corpo humano.
As engelhas surgidas numa pele, outrora talvez bela e bem tratada, não enganam sobre o lapso do tempo que se vai inexoravelmente esgotando, sem direito a compensações ou prolongamentos.
O sol será sempre considerado central ao tempo, onde todos nós estamos envolvidos, como num manto, sem que, muitas vezes, nos consciencializemos disso mesmo. Quer ele gire à volta da terra, ou esta em roda dele, o certo é que nos encontramos no íntimo da sua existência e trajectória, quando até a nossa pigmentação lhe está sujeita.
Grandes e importantes foram aqueles que descobriram o facto de a sombra, provocada por um tarolozito, poder indicar a posição desse sol, desde o nascer até ao ocaso, aproveitando isso para imaginarem as divisões do tempo diário.
A história, que também é tempo, falará deles e de outros, recordando as gentes da Judeia – sempre os judeus à frente, como os babilónios e os egípcios – que pretenderam fazer naufragar o tempo na água com as clepsidras, ou alimentar as minhas dores de barriga, aquando dos intermináveis minutos de exames, com ampulhetas, onde a areia parecia, sarcasticamente, parar.
Hoje, trazemos os relógios no pulso ou no bolso. Suspendem-se nas paredes das estações do caminho-de-ferro e nos cais de embarque e também se utilizam na ornamentação das mesas, como despertadores ou instrumentos de música soporífera e, ainda, são contemplados nas torres das igrejas e outros locais, donde, dia e noite, sem adormecer, as suas badaladas continuam a convocar as gentes para os seus trabalhos e descansos.
E nós persistimos em afirmar que não temos tempo suficiente para coisa nenhuma.
Por essa razão, procuramos controlar o tempo como se ele fosse obedecer aos nossos desejos mais impulsivos ou imposições. Não somos seus donos, mas, nele, obrigamo-nos a gerir a organização das diversas actividades para a harmonia de uma vida real, em cada instante da nossa idade.
São rigorosos os ponteiros do tempo, lento, uniformemente compassado e incerto quanto à existência de cada um.
Ainda que se avariem os relógios, acabando como sucata, a fazer parte das colecções de antiquários, em escaparates brilhantes, ou aprisionados nas gavetas, o “seu” tempo continuará a deslizar, impávido e sereno, indiferente a qualquer intento de ousadia autoritária de todos os que julgaram tê-lo subjugado, alguma vez.
Nós damos pela sua cadência e sucessão. Testemunhamos os dias de sol e as noites de luar ou escuras como breu. É o tempo que passa. É a carruagem em que embarcámos, com ou sem vontade, e donde não saímos senão quando chegarmos à estação para apear a carga de tudo quanto fizemos e aproveitámos.
Os inventores dos tais medidores passaram e os seus aparatos sobrepuseram-se-lhes, sobrevivendo, mas o tempo jamais se fez velho ou enferrujou. Ele remoça-se por si mesmo. Ele é sempre eternidade, pois o seu fazedor é também o dono absoluto para Quem «um dia é como mil anos, e mil anos como um dia» (2Pd.3/8).
Por conseguinte, nunca homem algum ou quaisquer sistemas sociais podem arrogar-se o direito de serem tutores do tempo nem de nada.
- MANUEL ARMANDO (Padre)