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OPINIÃO

OPINIÃO | Carlos Abrantes | Coisas estúpidas de uma cidade inteligente

2019-06-12 11:37:39

Foto SP

OPINIÃO | Carlos Abrantes | Coisas estúpidas de uma cidade inteligente

Águeda é reconhecida a nível nacional e internacional como cidade inteligente, é uma smart city. Ostenta, orgulhosamente, medalhas e diplomas e é apontada como um caso de sucesso. Mas por aqui nem tudo é inteligente. Vejamos: Um dia destes ao entrar no automóvel verifiquei que estava qualquer coisa entalada entre o limpa para-brisas e o vidro. Estão enganados os que pensam que era mais um folheto a apresentar os serviços de um conhecido vidente, ou a publicitar as excepcionais promoções de uma loja de perfumes. Enganam-se também os que pensam que era uma vulgar multa de estacionamento, daquelas que os senhores guardas costumam escrevinhar e que não nos perdoam mesmo que a gente lhe peça pela sua rica mãezinha. Não senhor. Era um envelope branco, imaculado, com o timbre da Câmara Municipal de Águeda e tinha impresso o seguinte: “AVISO DE INCUMPRIMENTO Contamos consigo na gestão do estacionamento da cidade de Águeda e na melhoria da qualidade de vida!”. Ora, pensei eu, aí está a nossa Câmara, numa atitude pedagógica, a passar-me um raspanete por eu não ter ido a um café trocar uma nota de 10€ por moedas para meter no parquímetro, ou parcómetro, ou lá como se chama a maquineta. Fiquei meio envergonhado por ter estacionado naquele local sem contribuir, como era minha obrigação, com a moedinha.
Deixei-me de cogitações e abri o envelope. Afinal não era um raspanete, uma arenga a apelar ao espírito cívico, era mesmo uma multa. Uma multa como deve ser, uma multa de uma cidade inteligente, sem gatafunhos nem rabiscos, emitida pelo Sr. Vigilante n.º 286, devidamente identificado e processada por uma máquina que a nossa Câmara lhe disponibilizou para o efeito. Teria de pagar, no prazo de 15 dias, a módica quantia de 12€ e poderia ficar com a consciência tranquila por ter dado o meu contributo à melhoria da qualidade de vida da cidade de Águeda. Eram-me dadas duas opções de pagamento:
- Dirigir-me a um parcómetro devidamente identificado e pagar em moedas. Mas pagar 12€ em moedas, na era do dinheiro de plástico tem alguma lógica? E depois deveria meter o recibo no tal envelope que tinha a multa e depois colocá-lo... Pareceu-me pouco inteligente, numa smart city e desisti da opção.
- A outra alternativa seria pagar por transferência bancária. Estava lá o NIB. Podia ser feito no multibanco ou em casa, comodamente e sem despesas. Pareceu-me bem. O problema é que depois era preciso enviar o comprovativo por fax (ainda se lembram do que é um fax?), ou por correio, ou por mail para a Câmara Municipal. Mas pensam que estava lá o n.º do tal fax, ou o endereço postal e o mail? Claro que não! Estamos numa cidade inteligente, procurem na internet que está lá tudo!
Numa cidade tão inteligente, tão reconhecida e medalhada é, no mínimo estranho que não se possa pagar uma multa através de uma referência do Multibanco. Está lá a informação toda, não é preciso andar com sacos de moedas, nem enfiar recibos dentro de envelopes, nem enviar faxes, mails, ou cartas atulhadas de comprovativos.
Ainda há coisas estúpidas nas cidades inteligentes. l CARLOS ABRANTES