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Armor Pires Mota

MEMÓRIA | Armor Pires Mota | Adeus a José Neves dos Santos

2019-07-30 13:45:24

Foto SP

MEMÓRIA | Armor Pires Mota | Adeus a José Neves dos Santos

A vida é um mar de surpresas: umas que se soltam da espuma como gaivotas, outras que se enleiam em sargaços e algas ou em lixos a que, muitas vezes, ficam amarrados os mais belos sonhos, impossibilitados de alcançarem uma vela de barco ou um rasto de estrela. Ou mãos amigas perfumadas de afectos.
Há mais de 45 anos que uma muito jovem equipa de reportagem de Soberania do Povo não subia, a Belazaima, sempre animada, de bloco de notas e esferográfica nas mãos, como sucedia, nos primeiros anos da década de setenta do século passado (1970-1974), para reportar necessidades, anseios das populações e, inevitavelmente, rumar ao lugar do Feridouro, onde nascera um jovem sonhador, então em fim de curso de engenharia, e início de escrita na SP, bem cerzida, com algum rumor poético nas margens frescas e em cujas veias corriam raízes e vozes ancestrais, e ali vivia o José da Pereira, seu pai, muito acolhedor e comunicativo, que se recusava a abandonar aquela minguada terra.
Fora ficando, apanhado pelas raízes telúricas, ele e S. Francis de Assis, que presidia na sua capelinha aos trabalhos do campo ou da mata.
Desta feita, penúltima terça-feira, subimos a Belazaima, desde a véspera aturdidos pela notícia radical do apagamento de José Neves dos Santos, de 67 anos, para um último adeus, refrescado pela flor branca da saudade, ao Amigo e Companheiro de sonhos e projectos, lutas ganhas e outras perdidas, amadurecidos à sombra da velha Casa do Adro, ele que já não era deste reino, mas estava do outro lado da ponte.
Sem sabermos uns dos outros, com excepção de uns dois, todos marcámos presença: Celestino Viegas, que esteve à frente de SP quarenta anos, Diamantino Correia (major-general) a viver em Ovar, Fernando Almeida (escritor e poeta), Filipe Silva, Joaquim Almeida (advogado na praça de Águeda), José Carvalho e Salvador Rodrigues.
Também significativa a presença de Victor Mangerão (advogado em Aveiro) que foi Director do semanário, funções igualmente desempenhadas por José Neves dos Santos, interino (entre Outubro de 1987 e Abril de 1988) e efectivo (entre 22 de Abril de 1988 e 30 de Dezembro de 1988) tempos difíceis. Também presentes o ex-Director, António Silva e o actual, Jorge Costa. J.N.S. foi o terceiro Director de SP a desaparecer da degradada terra dos vivos, num curto espaço de tempo, seguindo Horácio Marçal e Manuel José Homem de Mello.
Padre Paulo Gandarinho na missa de exéquias, que encheu a bela igreja matriz, numa manifestação de afectos e boas lembranças, recordou algumas facetas do nosso Companheiro, que era “um peregrino da eternidade”, “um filósofo” das coisas e das causas, como todos nós “com altos e baixos na vida” (empresário e também político, que queria o melhor para os esquecidos povos da aba serrana e também para a sede do seu concelho) e revelou-nos a sua admiração por S. Francisco de Assis, que chamava irmãos aos pássaros, aos animais e às árvores, criação em geral, e cujo convento fez questão de visitar em Itália, em testemunho da sua admiração e apego.
Por sua vez, a filha mais velha, Ana Miguel Santos, que vai encabeçar pelo PSD a lista nas próximas eleições legislativas, a nível do distrito de Aveiro, não deixou de realçar o seu amor à família, a prática da sua liberdade, a palavra mais bonita que lhe ensinou, frisou. Mas, para nós, uma outra das suas virtudes era a amizade, o cultivo da amizade. Tanto que congregou à sua volta muita gente, não só da terra, mas também de outras.
Os seus restos mortais ficaram a repousar no cemitério, em mausoléu de família.
E vamos rematar ao seu jeito, como sempre terminava os seus artigos (“e, agora, Beatriz?” E, agora, lhe lançamos deste lado: e, agora, Zé Neves?
Olha, Amigo, até um dia destes!
- ARMOR PIRES MOTA