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O discurso oficial e a realidade

por Armando Rocha em Março 26,2009

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A SIC Notícias transmitiu há dias uma entrevista do jornalista Mário Crespo ao Dr. Medina Carreira que foi Ministro das Finanças, já em democracia, nos anos ’70. Trata-se de uma autoridade em matéria de direito fiscal e é um profundo estudioso da evolução da economia portuguesa. Muita gente o considera, porém, um catastrofista…
Já por várias vezes, ele desafiou Mário Crespo a proporcionar aos tele ouvintes um debate entre ele e um dos economistas do “sistema”, ou seja, um economista optimista que defende a situação… em que vivemos. E, para isso, gostaria de dispor de uma hora para o debate…
Mário Crespo acabou por lhe responder, desta vez, que tem feito esforços nesse sentido… mas ainda não conseguiu chegar lá… Será que o “sistema” vai proporcionar-nos esse frente a frente?...
Para além de muitas coisas que o Dr. Medina Carreira disse nessa entrevista e que me deixaram muito apreensivo, uma retive que me deixou estarrecido… Foi a de demonstrar, com um elucidativo quadro, feito com base em números que um conceituado economista socialista apurou. Nem mais nem menos que o Dr. Silva Lopes, que tem ocupado os mais altos cargos no Governo, no Banco de Portugal e na banca em geral. Esses números revelam, afinal, que o progresso do país que tão apregoado é por actuais e anteriores governantes está, infelizmente, pelas ruas da amargura. O PIB da actual década está ao nível do da década dos últimos anos da Monarquia… Ou seja, apesar de algumas vicissitudes, com a República, o PIB foi crescendo até atingir o pico nos anos ’70 (antes da democracia chegar) e depois tem vindo a decrescer… até ao que vivemos agora…regredindo aos níveis dos tempos da Monarquia…, em agonia já…
Estes são factos que os números não deixam iludir… antes pelo contrário, nos devem levar a arrepiar caminho, quanto antes, até porque a crise mundial veio agravar esse caminho…
Pois bem, quem foram os responsáveis por esta situação? Naturalmente que, na primeira linha de responsabilidades, devem estar os que têm sido chamados a governar nos últimos 35 anos! As consequências do desvario do PREC devem também ser medidas com rigor e verdade. Muitos dos governantes, certamente, emprestaram o seu saber à causa da governação, com independência e isenção! Mas, a par deles, muitos houve que não tinham um mínimo de qualidade para o exercício da governação! E quem é que esteve por detrás de todos eles? Os Partidos!...Todos os Partidos…Da esquerda à direita… Com o PCP a dominar o período pseudo “democrático”…Ou seja, os Partidos que saíram das eleições ao longo de 35 anos…, com o aval do povo, proporcionaram aos cidadãos este descalabro… em que o endividamento externo nos estrangulou já… atingindo 100% do PIB.
Não obstante as muitas obras realizadas com a entrada de euros em catadupa durante largos anos… que se diz que foram gastos nas obras e na corrupção… Basta ver as derrapagens verificadas nas grandes obras, em que o povo se limitou a trabalhar no duro… e a ver engordar muitos gestores e ex-governantes… que hoje estão na empresa A e depois passam para a empresa B e depois ainda passam para a empresa C ou voltam mesmo a uma das anteriores, consoante quem ocupa as cadeiras da governação.
Assim sendo, só se poderá dizer, honestamente, como foi dito na referida entrevista, que o modelo partidário que nos governa está esgotado…
Ao dizer isto, há que apontar uma solução que não seja a de uma ditadura! E Medina Carreira apontou-a: Portugal deveria adoptar um regime Presidencialista durante a próxima década…
Talvez seja uma solução. Pior do que a actual não será com certeza. Veja-se o exemplo dos EUA…e também da França… E mais disse que não votaria se as eleições fossem hoje… Também eu, pela primeira vez na minha já longa vida, se chegar lá…, me interrogo se devo depositar o meu voto, nas eleições de 2009.
A questão é: votar nos actuais Partidos, para quê? Para eternizar a presença no Poder de quem já demonstrou que não é capaz de impulsionar um novo modelo de desenvolvimento baseado na criação de riqueza e na coesão social? O povo português está cansado pelo sofrimento…


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