Este regime está morto...
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Tenho um imenso orgulho em ter feito parte, no tamanho humilde de um cadete da Armada de então, no processo de libertação de Portugal, acontecido no 25 de Abril. Rasgámos uma página amarelenta da nossa História, abrimos um novo capítulo e devolvemos a pena aos novos políticos eleitos pelo povo, para que o escrevessem, com honra. Eram páginas brancas e vivas, cheias de esperança em dias melhores. Passados todos estes anos, ao revermos este novo capítulo, tão rasurado, tão maltratado e tão bafiento, não podemos deixar de nos interrogar se terá valido a pena tanto sacrifício… O nosso País está podre: a Árvore definha, carcomida, as folhas enrugam, cinzentas e os frutos caem, ressequidos. Uma imensa clientela de interesses e compadrios foi-se instalando pelos corredores do poder, sugando a seiva desta árvore centenária. Os políticos da nova geração, invariavelmente, iniciam as suas carreiras nos “Jotas”, não por ideais de servidão pública ou utopias de novos amanhãs, mas por mesquinhos interesses e ambições pessoais. Completamente desligados da realidade, formatam-se nos luxuosos gabinetes ministeriais, rodeados de pequenos generais de antanho, conjurando batalhas, negociando fortalezas e traçando estratégias de combate, em mesquinhas lutas pelo poder. Nestas disputas feudais, o que menos interessa é o povo, mera moeda de troca eleitoral. Os cargos políticos, já de há muito deixaram de ser o objectivo, para se tornarem num meio, numa tarimba, numa alavanca para os milionários “tachos” que os esperam num conselho de administração público ou privado (é tudo o mesmo, nesta pouca vergonha), quando deixarem o governo. A Justiça, pilar de qualquer Estado de Direito, vive os dramas da mulher de César. Se não é cumplice desta desvergonha e exerce a sua soberana independência, não o parece. De tal modos que, neste desgoverno completo em que mergulhámos, ela própria se agita, em guerrilhas intestinas sem quartel. Sem Justiça, não há futuro que resista e não há limpeza que valha. E quanta falta nos faz, neste momento, uma boa esfregona… A Democracia está num beco sem saída. Os velhos republicanos de há muito deram lugar aos novos burocratas. Os sinais das suas malfeitorias, chegam-nos diáriamente, através da comunicação social. A Economia, assolada pelos ventos da globalização, está de rastos. Os valores da Cidadania, gangrenados pela gula e pelo hedonismo do mundo de hoje, perderam-se, neste combate desigual com o fundamentalismo da tolerância e do politicamente correcto. As chaves da nossa Independência, de há muito foram entregues à União Europeia. E esse é o nosso grande mal. Não por ela, a União Europeia, mas por nós. Sem o escudo e amarrados ao euro como estamos, não temos instrumentos cambiais que nos permitam tornar competitivos os nossos produtos. Sem o receio do poder interventor das Forças Armadas, última instância da nossa soberania, a corrupção e o compadrio passeiam-se, impunes, por todo este imenso labirinto do Estado. E note-se! Não procuro nexo causal da corrupção com este ou aquele governo (muitos dos governantes estarão, certamente, acima de qualquer suspeita), mas com um sistema caduco, canceroso e inviável. Finalmente, sem uma Justiça honrada, independente e dignificada, não há regime que resista. Na verdade, este regime já está morto! Já cheira a podre. É preciso enterrá-lo. Mas não há ninguém, com coragem, para lhe passar a certidão de óbito!
P.S.: Comparem-se dois modelos parlamentares: o português e o sueco. O actual OGE atribui 12,4 milhões de euros em vencimentos, 2,7 milhões em ajudas de custo, 3,9 em transportes, 2,4 em deslocações e estadas, 3 em assistência técnia (?), 3,6 em trabalhos especializados (??) e outros, num montante global de 17 milhões. Só para renovar uma dúzia de viaturas, velhinhas de meia dúzia de anos, foram inscritos um milhão de euros (em ano de grande contenção orçamental!!!?). Na Suécia, os parlamentares não têm direito a viatura do Estado, as suas despesas e extractos bancários estão disponíveis na Internet, os seus gabinetes não têm funcionários (são os partidos que lhes dão apoio) e têm, se não viverem na capital, um pequeno apartamento com cerca de 50m2, para residirem. Mas compreende-se, nós temos outros recursos!.
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