COMBATER O… DÉFICE É RAZÃO PARA VALER TUDO
Segundo alguma esquerda pensante, a Ditadura apenas teve defeitos gravíssimos. Foi a censura, foi a tortura, foi a guerra do Ultramar, foi o analfabetismo, foi o exílio, foi a deportação… Foi tudo mau… Dos tempos de democracia, há que assinalar algumas coisas boas, com as quais todos nos devemos congratular. Mas não se poderá esquecer a “entrega” dos territórios ultramarinos à URSS, ainda que por interpostas “pessoas”. Como também não se devem subestimar as sevícias ultrajantes a que muitos portugueses foram submetidos, logo após a revolução dos cravos… Quero hoje referir-me a uma medida tomada por Marcello Caetano, com o maior alcance social. Tratou-se da criação da ADSE - Assistência na Doença aos Servidores do Estado, de que usufruem esses detractores. A quando da sua criação, foi estabelecido que todos os funcionários públicos teriam de descontar 1% do seu salário para suportar os custos dessa assistência. E também foi estabelecido que esse desconto só se verificaria enquanto o funcionário estivesse no activo. Uma vez aposentado, deixaria de contribuir com o 1% para a ADSE. Tudo isto no tempo da Ditadura. E até ao início deste ano de 2007. Passaram-se 35 anos e, agora, democraticamente, o governo de José Sócrates-Teixeira Santos, para apresentar serviço à UE, achou que o défice excessivo tem de ser combatido (concordo com que esse combate seja travado mas, especialmente, na despesa…) sem olhar a meios… São os congelamentos de salários na função pública, são os aumentos dos escalões do IRS (que já “apanham” reformas de 600 euros)… atingindo-se agora a desfaçatez de se quebrar unilateralmente o “contrato” que os funcionários públicos fizeram com o Estado e obrigando-os, desde Janeiro do corrente ano, a descontar 1% do seu salário para a ADSE. Mas como a despesa do Estado não irá diminuir (?) conforme o Governo promete, há que não perder a oportunidade. E qual é essa oportunidade? Nem mais nem menos do que obrigar a fazer esse desconto de 1% não nas pensões relativas aos 12 meses de calendário, ou seja, de vida, do comum do cidadão) mas também nos subsídios de férias e de Natal… São mais uns tantos milhões de euros tirados à má fila ao reformado indefeso… O Secretário de Estado que esclareceu, por despacho, nesse sentido deve estar muito feliz com esse “roubo”, sem escrúpulos. Será que José Sócrates se apercebeu desta enormidade? Estou em crer que não. “Quousque tandem abutere patientia nostra”?... n Armando Rocha
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