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Dilema de Natal!

por Fernando Almeida em Dezembro 23,2008

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Todos percebemos que a crise está aí. Qual trombeta silenciosa, ela é já o estado de espírito capaz de arruinar o sono de quem anda acordado.
O comércio queixa-se, mais que nunca, da falta de clientes e de vendas e a economia toda definha na esteira do arrefecimento crítico dos negócios.
É preciso poupar para que o investimento ocorra, mas também é necessário o consumo para estimular a produção.
É verdade que nos últimos anos houve uma corrida sem precedentes ao consumo através do endividamento das famílias, situação que melhorou o nível de vida de muitas delas e que, por outro lado, foi motor do emprego, dos preços acessíveis e da inovação sem precedentes.
Perderam-se no caminho os hábitos de poupança…
Habituámo-nos a entender os preços como expressão da escassez dos bens, sendo certo que hoje, deveras, a escassez séria é de consumidores: esse é, de facto, o bem mais escasso. Quando se reconheceu essa realidade inventou-se o crédito elevado à potência necessária para manter o sistema a funcionar.
Alguns, de insaciável ambição, exorbitaram na engenharia e acabaram por desmoronar o edifício afinal alicerçado em rocha virtual, que subtis e encriptados mecanismos vendiam como granito duro.
Veio a desconfiança, mesmo entre respeitosos e respeitados pares.
Pergunto-me, frente a este tempo de natal de 2008: poupar para evitar que as nossas necessidades de financiamento venham do exterior, sacrificando o consumo e o estímulo à produção, ou gastar - no limite, “comprar o que é nosso” -, para fomentar a actividade industrial, o comércio e o emprego?
Eis o grande dilema de agora.
Como até aqui, a sensatez mora algures entre as duas atitudes.
Os meus votos para este Natal são para que, milagrosamente, em 2009 a crise que ainda é só estado de espírito não se transforme em dramático e perigoso cenário de privação, com as consequências sociais graves que daí advirão para todos.
Mais do que nunca, é necessário cultivar a lucidez e a atitude positiva.
Feliz Natal para todos. n FA


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