Maria Santos Galhano .. A política em todo o lado
CIDADANIA? SÓ COM CERTIFICADO DE BOAS FAMÍLIAS
30 de julho de 2025Há ideias tão absurdas que, de tão repetidas, acabam por soar sensatas. A mais recente? Que a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento está prestes a resgatar as nossas crianças... das suas próprias famílias. A escola como heroína iluminada, a família como lobo disfarçado de avozinha.
Voltamos ao velho receio de ensinar a ser cidadão. E, se possível, um bom cidadão, seja lá o que isso hoje quiser dizer. Num país onde as reformas estruturais dormem o sono dos justos, resta-nos indignar-nos com os detalhes. Hoje é a cidadania. Amanhã, o recreio.
Acompanhei esta novela regulatória, como faço com quase tudo antes que desligue e o mundo colapse, e confesso: tanto ruído por algo que está nos documentos oficiais, abertos a consulta pública? A Educação Sexual, ao contrário do que certos moralistas apregoam, não desapareceu. Continua ativa e reforçada.
Está lá, na dimensão “Saúde”, nas Aprendizagens Essenciais da disciplina, com objetivos nobres como promover o consentimento, o respeito, a empatia e a intimidade saudável. E não, não foi inventada por uma seita progressista. Está ancorada na Lei n.º 60/2009 e na Portaria 196-A/2010.
O que mudou? Uma tentativa de estruturar a disciplina. E o caos instalou-se. Porque se há coisa que irrita o “país das certezas” é mexer nas suas verdades absolutas. De um lado, os paladinos da moral, que acham que só a sua verdade deve ser ensinada. Do outro, os que vêem em tudo uma ameaça comunista. E no meio? Professores, alunos e pais, esses sim, a remar contra o ruído do debate público.
Sim, os pais. Ora pilares da educação, ora obstáculos. Mas não será mais sensato entender que educar é hoje um esforço coletivo? Que o saber circula da escola para casa, da casa para a escola, e entre pares, redes e ecrãs? Que ninguém educa sozinho?
O problema não é a falta de valores. É a falta de tempo para ouvir os professores. Sim, eles também têm opinião, conhecimento e, pasme-se, experiência. Falta-nos coragem para uma conversa adulta sobre o que significa educar. Sem trincheiras. Sem dogmas.
A disciplina de Cidadania e Desenvolvimento não é doutrinação. É uma tentativa, imperfeita como todas, de preparar os jovens para um mundo que exige mais do que notas e exames. Exige empatia, espírito crítico, responsabilidade democrática. E isso aprende-se em comunidade.
Por isso, Sr. Ministro, obrigada por tentar regulamentar o que muitos fingem não entender. Às escolas, aos professores e às famílias que colaboram: continuem. São vocês os verdadeiros agentes de mudança. Não os que berram nos títulos de opinião, mas os que, todos os dias, ensinam o que é ser cidadão, sendo.
Voltamos ao velho receio de ensinar a ser cidadão. E, se possível, um bom cidadão, seja lá o que isso hoje quiser dizer. Num país onde as reformas estruturais dormem o sono dos justos, resta-nos indignar-nos com os detalhes. Hoje é a cidadania. Amanhã, o recreio.
Acompanhei esta novela regulatória, como faço com quase tudo antes que desligue e o mundo colapse, e confesso: tanto ruído por algo que está nos documentos oficiais, abertos a consulta pública? A Educação Sexual, ao contrário do que certos moralistas apregoam, não desapareceu. Continua ativa e reforçada.
Está lá, na dimensão “Saúde”, nas Aprendizagens Essenciais da disciplina, com objetivos nobres como promover o consentimento, o respeito, a empatia e a intimidade saudável. E não, não foi inventada por uma seita progressista. Está ancorada na Lei n.º 60/2009 e na Portaria 196-A/2010.
O que mudou? Uma tentativa de estruturar a disciplina. E o caos instalou-se. Porque se há coisa que irrita o “país das certezas” é mexer nas suas verdades absolutas. De um lado, os paladinos da moral, que acham que só a sua verdade deve ser ensinada. Do outro, os que vêem em tudo uma ameaça comunista. E no meio? Professores, alunos e pais, esses sim, a remar contra o ruído do debate público.
Sim, os pais. Ora pilares da educação, ora obstáculos. Mas não será mais sensato entender que educar é hoje um esforço coletivo? Que o saber circula da escola para casa, da casa para a escola, e entre pares, redes e ecrãs? Que ninguém educa sozinho?
O problema não é a falta de valores. É a falta de tempo para ouvir os professores. Sim, eles também têm opinião, conhecimento e, pasme-se, experiência. Falta-nos coragem para uma conversa adulta sobre o que significa educar. Sem trincheiras. Sem dogmas.
A disciplina de Cidadania e Desenvolvimento não é doutrinação. É uma tentativa, imperfeita como todas, de preparar os jovens para um mundo que exige mais do que notas e exames. Exige empatia, espírito crítico, responsabilidade democrática. E isso aprende-se em comunidade.
Por isso, Sr. Ministro, obrigada por tentar regulamentar o que muitos fingem não entender. Às escolas, aos professores e às famílias que colaboram: continuem. São vocês os verdadeiros agentes de mudança. Não os que berram nos títulos de opinião, mas os que, todos os dias, ensinam o que é ser cidadão, sendo.

