Nuno Simões de Melo .. Opinião à direita
HOMENAGEM A UM PROFESSOR
03 de setembro de 2025Resisto à tentação fácil de vir falar sobre incêndios. Deixo isso para outros! Hoje venho prestar homenagem a um Professor, a uma Professora.
Há muitos mestres sobre quem poderia falar. Desde os meus pais, a quem devo a educação e os valores, mas que sempre optaram por não serem professores dos seus filhos, ao meu primeiro dia na Escola do Adro, com o saudoso Dr. Semedo, até à defesa da tese, com o Professor Rui Vinhas da Silva. A todos muito devo…
Vou, no entanto, falar de quem me inspirou, abrindo as portas ao pensamento político, a minha professora de História do 9° ano, na Escola Secundária de Águeda, no ano lectivo de 1978/1979: a Senhora Dra. Irene Pimenta.
Dizem que as memórias nos pregam partidas e que “recordamos” coisas que nunca aconteceram, ou que aconteceram de outra maneira. Só que as memórias são nossas e é delas que vivemos.
O programa desse 9° ano de História recaía sobre os finais do Século XIX e parte do Século XX. O advento de ideologias políticas e modelos de sociedade que ainda hoje são estudados e implementados.
Na altura, jovem de 14 anos, com a desfaçatez dos jovens de 14 anos de então, considerava-me um grande conhecedor de doutrina política e situava-me à direita no espectro político, entre o nacionalismo e o saudosismo… A Senhora Dra. Irene Pimenta encontrava-se noutra área do pensamento político, mas era, sobretudo, uma democrata e uma pedagoga. Lembro-me de aulas inteiras a discutir ideologias com uma adulta que me ouvia e exercia o contraditório. Discussões onde eu queria provar que tinha razão e a nossa professora apontava outros caminhos. Foram aulas em que o tempo passava a correr e de onde eu saía com vontade de voltar.
Hoje, quase 50 anos mais velho, recordo com saudade esses espaços de livre discussão, onde não se era cancelado e onde podíamos dizer o que pensávamos. Um adulto e cerca de 25 adolescentes, em que o adulto era o Mestre, mas era, sobretudo, o moderador de discussões sobre a história das ideias.
Nunca deixei de me interessar pela política, mesmo quando a vida que escolhi me obrigava a um “rigoroso apartidarismo” , e voltei quando a tal deixei de estar obrigado.
Voltei ao lugar de onde nunca saí. À direita no espectro político, ao conservadorismo-liberal.
Devo-o à vida que vivi, mas devo-o, indubitavelmente, à Senhora Dra. Irene Pimenta.
Bem-haja, Senhora Dra. Nunca a esquecerei!
Há muitos mestres sobre quem poderia falar. Desde os meus pais, a quem devo a educação e os valores, mas que sempre optaram por não serem professores dos seus filhos, ao meu primeiro dia na Escola do Adro, com o saudoso Dr. Semedo, até à defesa da tese, com o Professor Rui Vinhas da Silva. A todos muito devo…
Vou, no entanto, falar de quem me inspirou, abrindo as portas ao pensamento político, a minha professora de História do 9° ano, na Escola Secundária de Águeda, no ano lectivo de 1978/1979: a Senhora Dra. Irene Pimenta.
Dizem que as memórias nos pregam partidas e que “recordamos” coisas que nunca aconteceram, ou que aconteceram de outra maneira. Só que as memórias são nossas e é delas que vivemos.
O programa desse 9° ano de História recaía sobre os finais do Século XIX e parte do Século XX. O advento de ideologias políticas e modelos de sociedade que ainda hoje são estudados e implementados.
Na altura, jovem de 14 anos, com a desfaçatez dos jovens de 14 anos de então, considerava-me um grande conhecedor de doutrina política e situava-me à direita no espectro político, entre o nacionalismo e o saudosismo… A Senhora Dra. Irene Pimenta encontrava-se noutra área do pensamento político, mas era, sobretudo, uma democrata e uma pedagoga. Lembro-me de aulas inteiras a discutir ideologias com uma adulta que me ouvia e exercia o contraditório. Discussões onde eu queria provar que tinha razão e a nossa professora apontava outros caminhos. Foram aulas em que o tempo passava a correr e de onde eu saía com vontade de voltar.
Hoje, quase 50 anos mais velho, recordo com saudade esses espaços de livre discussão, onde não se era cancelado e onde podíamos dizer o que pensávamos. Um adulto e cerca de 25 adolescentes, em que o adulto era o Mestre, mas era, sobretudo, o moderador de discussões sobre a história das ideias.
Nunca deixei de me interessar pela política, mesmo quando a vida que escolhi me obrigava a um “rigoroso apartidarismo” , e voltei quando a tal deixei de estar obrigado.
Voltei ao lugar de onde nunca saí. À direita no espectro político, ao conservadorismo-liberal.
Devo-o à vida que vivi, mas devo-o, indubitavelmente, à Senhora Dra. Irene Pimenta.
Bem-haja, Senhora Dra. Nunca a esquecerei!

