Luis Gonzaga Grego
CONTRA O ESQUECIMENTO
04 de fevereiro de 2026Quando os nazis levaram os comunistas, fiquei em silêncio; eu não era comunista. Quando levaram os sindicalistas, fiquei em silêncio; eu não era sindicalista. Quando prenderam os social-democratas, fiquei em silêncio; eu não era social-democrata. Quando prenderam os judeus, fiquei em silêncio; eu não era judeu. Quando me vieram buscar, não havia mais ninguém para protestar.”
As palavras do pastor luterano Martin Niemöller proferidas em Janeiro de 1946, há 80 anos, continuam válidas e sábias.
Em 1721 o Imperador Carlos VI instituiu a caça ao cigano, matar era legítimo, exterminar era o fim último.
No final do século XIX juntaram os judeus aos ciganos no conceito de “excrementos da humanidade”.
No período entre as guerras, em 1920 publica-se “Die Freigabe der Vernichtung Lebensunwertem Lebens” no meu alemão cervejeiro quer dizer “Permissão da Destruição das Vidas Indignas de Serem Vividas”.
No mesmo ano a República de Weimar proíbe o acesso dos ciganos aos jardins e a banhos públicos.
Em Portugal, sempre à frente no seu tempo, a 13 de março de 1526, o Rei D. João III já havia emitido um alvará que proibia a entrada de ciganos no reino de Portugal e ordenava a expulsão dos que já cá estavam.
Para todos nós não aparece como uma novidade a ascenção do Mal e o discurso de ódio.
Na Alemanha os efeitos da I Guerra Mundial, da Grande Depressão de 1929 que devastou a economia e aumentou o desemprego para perto de seis milhões de pessoas foram o cenário parfeito para a subida ao poder dos nazis.
Hitler prometeu tornar a Alemanha Grande outra vez e encontrou os culpados: judeus. Pelo caminho a purificação da raça. E um plano estruturado para o genocídio do povo judeu, a Solução Final.
Enganem-se aqueles que pensam que os judeus estão a salvo. A extrema-direita vai sempre desaguar nos judeus.
Mataram Cristo!
Nós por cá todos bem. Os portugueses de bem. A bem da nação.
Consolidamos a primeira fase. Os ciganos são culpados de tudo e também são o objecto do ódio do povo.
“Não trabalham, vivem de subsídios, vivem à nossa custa, gozam de impunidade”, são as críticas que mais se ouvem.
Quem oferece trabalho a um cigano?
Quanto custaram aos contribuintes os resgates financeiros da banca?
Somos fortes com os fracos, uma cobardia colectiva que alimenta o monstro que, lentamente, vai cercando a democracia.
O estrangeiro, o diferente, o outro, torna-se uma ameaça à nação. É um bode expiatório perfeito para os fracassos internos.
A mentira religiosa funciona face à ignorância generalizada porque Cristo defende valores humanistas:
"Eu era forasteiro e me recebestes em casa". "Quem acolhe a mim, acolhe Aquele que me enviou".
O povo na sua douta sabedoria tem um ditado que é o culminar dos dias da serpente, enganadora, insinuante:
"Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz".
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.
As palavras do pastor luterano Martin Niemöller proferidas em Janeiro de 1946, há 80 anos, continuam válidas e sábias.
Em 1721 o Imperador Carlos VI instituiu a caça ao cigano, matar era legítimo, exterminar era o fim último.
No final do século XIX juntaram os judeus aos ciganos no conceito de “excrementos da humanidade”.
No período entre as guerras, em 1920 publica-se “Die Freigabe der Vernichtung Lebensunwertem Lebens” no meu alemão cervejeiro quer dizer “Permissão da Destruição das Vidas Indignas de Serem Vividas”.
No mesmo ano a República de Weimar proíbe o acesso dos ciganos aos jardins e a banhos públicos.
Em Portugal, sempre à frente no seu tempo, a 13 de março de 1526, o Rei D. João III já havia emitido um alvará que proibia a entrada de ciganos no reino de Portugal e ordenava a expulsão dos que já cá estavam.
Para todos nós não aparece como uma novidade a ascenção do Mal e o discurso de ódio.
Na Alemanha os efeitos da I Guerra Mundial, da Grande Depressão de 1929 que devastou a economia e aumentou o desemprego para perto de seis milhões de pessoas foram o cenário parfeito para a subida ao poder dos nazis.
Hitler prometeu tornar a Alemanha Grande outra vez e encontrou os culpados: judeus. Pelo caminho a purificação da raça. E um plano estruturado para o genocídio do povo judeu, a Solução Final.
Enganem-se aqueles que pensam que os judeus estão a salvo. A extrema-direita vai sempre desaguar nos judeus.
Mataram Cristo!
Nós por cá todos bem. Os portugueses de bem. A bem da nação.
Consolidamos a primeira fase. Os ciganos são culpados de tudo e também são o objecto do ódio do povo.
“Não trabalham, vivem de subsídios, vivem à nossa custa, gozam de impunidade”, são as críticas que mais se ouvem.
Quem oferece trabalho a um cigano?
Quanto custaram aos contribuintes os resgates financeiros da banca?
Somos fortes com os fracos, uma cobardia colectiva que alimenta o monstro que, lentamente, vai cercando a democracia.
O estrangeiro, o diferente, o outro, torna-se uma ameaça à nação. É um bode expiatório perfeito para os fracassos internos.
A mentira religiosa funciona face à ignorância generalizada porque Cristo defende valores humanistas:
"Eu era forasteiro e me recebestes em casa". "Quem acolhe a mim, acolhe Aquele que me enviou".
O povo na sua douta sabedoria tem um ditado que é o culminar dos dias da serpente, enganadora, insinuante:
"Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz".
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.

