Diana Simões (Psicóloga)
Os homens (não) choram
26 de novembro de 2025Este é o mês de prevenção do cancro da próstata, dos mais prevalentes nos homens e dos com maior incidência no país. Além da saúde física, este diagnóstico afeta também a saúde psicológica do doente e das pessoas em seu redor, podendo interferir com o seu funcionamento no trabalho, na vida familiar, na sexualidade, nos passatempos, etc. Isto faz com que a detecção precoce seja imprescindível, pois a palavra cancro não tem que significar sentença de morte.
No entanto, há vários fatores que atrasam ou impedem a procura de ajuda atempada por parte dos homens. Comecemos por reparar nas expressões culturais que ouvimos desde cedo, impondo que “temos de ser fortes” e que “os homens não choram”.
Estas crenças levam à repressão de emoções ou à intensa vergonha de partilhar com a própria família ou recorrer a profissionais de saúde. É natural que surja o medo do diagnóstico, do tratamento e consequências que podem daí advir, desde o estigma social, à incontinência urinária ou mesmo disfunção erétil. Muitos homens sentem ameaçada a sua virilidade e vivem aterrorizados com a ideia de que podem ser vistos como menos “fortes” se se mostrarem vulneráveis e sensíveis. E, assim, não se permitem chorar, mostrar medo ou descansar... porque, infelizmente, ainda impera esta forma de pensarmos os homens, o que é deveras injusto.
Dependendo de cada pessoa, o diagnóstico pode gerar sentimentos diferentes, como revolta, tristeza, dúvidas quanto ao futuro (porquê a mim? E os planos que tinha?), ansiedade, medo de morrer, apatia, solidão,etc. Por este motivo, é tão importante que as equipas que os acompanham sejam, desde logo, multidisciplinares, compondo-se não só por urologistas e oncologistas, mas também por psicólogos e psiquiatras.
Ao mesmo tempo, enquanto sociedade, precisamos de assumir a responsabilidade de desconstruir mitos e preconceitos, bem como a ideia tradicional de masculinidade, e encorajar mais vezes os homens ao nosso redor a permitirem-se também a serem cuidados e receber ajuda. E apostar na educação emocional desde cedo nas escolas, na prevenção e campanhas de consciencialização, nos grupos de apoio, não esquecendo a presença da família e amigos. Além disto, seria importante que entre os próprios homens conseguissem tornar-se mais companheiros nesta partilha das histórias de cada um, desde os que são acompanhados em contexto clínico, aos que possam estar receios face a possíveis sintomas e sinais que tenham identificado. Lembrarem-se também de que é quando nos atrevemos a fazer o que nos deixa mais desconfortáveis que nos deparamos a verdadeira força e coragem.
No entanto, há vários fatores que atrasam ou impedem a procura de ajuda atempada por parte dos homens. Comecemos por reparar nas expressões culturais que ouvimos desde cedo, impondo que “temos de ser fortes” e que “os homens não choram”.
Estas crenças levam à repressão de emoções ou à intensa vergonha de partilhar com a própria família ou recorrer a profissionais de saúde. É natural que surja o medo do diagnóstico, do tratamento e consequências que podem daí advir, desde o estigma social, à incontinência urinária ou mesmo disfunção erétil. Muitos homens sentem ameaçada a sua virilidade e vivem aterrorizados com a ideia de que podem ser vistos como menos “fortes” se se mostrarem vulneráveis e sensíveis. E, assim, não se permitem chorar, mostrar medo ou descansar... porque, infelizmente, ainda impera esta forma de pensarmos os homens, o que é deveras injusto.
Dependendo de cada pessoa, o diagnóstico pode gerar sentimentos diferentes, como revolta, tristeza, dúvidas quanto ao futuro (porquê a mim? E os planos que tinha?), ansiedade, medo de morrer, apatia, solidão,etc. Por este motivo, é tão importante que as equipas que os acompanham sejam, desde logo, multidisciplinares, compondo-se não só por urologistas e oncologistas, mas também por psicólogos e psiquiatras.
Ao mesmo tempo, enquanto sociedade, precisamos de assumir a responsabilidade de desconstruir mitos e preconceitos, bem como a ideia tradicional de masculinidade, e encorajar mais vezes os homens ao nosso redor a permitirem-se também a serem cuidados e receber ajuda. E apostar na educação emocional desde cedo nas escolas, na prevenção e campanhas de consciencialização, nos grupos de apoio, não esquecendo a presença da família e amigos. Além disto, seria importante que entre os próprios homens conseguissem tornar-se mais companheiros nesta partilha das histórias de cada um, desde os que são acompanhados em contexto clínico, aos que possam estar receios face a possíveis sintomas e sinais que tenham identificado. Lembrarem-se também de que é quando nos atrevemos a fazer o que nos deixa mais desconfortáveis que nos deparamos a verdadeira força e coragem.

