Francisco Marques .. O futuro nas nossas mãos
Presente envenenado, embrulho perfeito
19 de novembro de 2025Bem-vindo ao mundo encantado do trabalho, onde há instabilidade, despedimentos e precariedade. Reescrevo este antigo lema da campanha de Natal precisamente porque o novo pacote laboral que o Governo quer implementar mais parece um presente embrulhado e deixado debaixo da árvore para os trabalhadores portugueses. Mas esta surpresa, para mal de todos nós, não traz talão de troca, e vamos mesmo ter de ficar com ela. Trata-se de uma proposta que nunca fez parte de qualquer programa eleitoral e que promete um mercado de trabalho mais inseguro, desprotegido e desigual. Retira direitos à classe que mais precisa de proteção social, e fá-lo em nome de uma suposta modernização que nos empurra de volta a um passado que julgávamos ultrapassado.
Nunca houve tanta produtividade em Portugal e, paradoxalmente, o fosso entre essa produtividade e os salários nunca foi tão profundo. A pergunta impõe-se: a quem serve afinal esta alteração laboral? Aos trabalhadores, que enfrentam uma crise de habitação, uma crise na saúde e uma inflação que esvazia carteiras e paciência, ou ao patronato, que continua a ver as suas margens de lucro aumentar sem que isso reflita a devida recompensação aos seus trabalhadores?
Quando ouvimos o Governo justificar estas medidas, falam como se vivêssemos num país onde as empresas não contratam por culpa das regras laborais, o que é pura ficção, pois basta olhar para os números: a taxa de desemprego é hoje a mais baixa dos últimos 14 anos.
E, ainda assim, temos a audácia de ouvir dizer que só há greves gerais quando governam partidos de direita. Pois bem, se isto não é motivo para uma, o que será?
Como é possível compreender o propósito de permitir despedimentos sem necessidade de prova, de eliminar faltas por luto gestacional ou de proibir que pais com filhos até 12 anos recusem trabalho ao fim de semana, feriados ou durante a noite? Estamos a assistir, deliberadamente, a uma regressão em direitos que custaram gerações a conquistar, e tudo em nome uma pretensa flexibilidade que apenas flexibiliza a vida de quem já vive demasiado dobrado.
Nunca houve tanta produtividade em Portugal e, paradoxalmente, o fosso entre essa produtividade e os salários nunca foi tão profundo. A pergunta impõe-se: a quem serve afinal esta alteração laboral? Aos trabalhadores, que enfrentam uma crise de habitação, uma crise na saúde e uma inflação que esvazia carteiras e paciência, ou ao patronato, que continua a ver as suas margens de lucro aumentar sem que isso reflita a devida recompensação aos seus trabalhadores?
Quando ouvimos o Governo justificar estas medidas, falam como se vivêssemos num país onde as empresas não contratam por culpa das regras laborais, o que é pura ficção, pois basta olhar para os números: a taxa de desemprego é hoje a mais baixa dos últimos 14 anos.
E, ainda assim, temos a audácia de ouvir dizer que só há greves gerais quando governam partidos de direita. Pois bem, se isto não é motivo para uma, o que será?
Como é possível compreender o propósito de permitir despedimentos sem necessidade de prova, de eliminar faltas por luto gestacional ou de proibir que pais com filhos até 12 anos recusem trabalho ao fim de semana, feriados ou durante a noite? Estamos a assistir, deliberadamente, a uma regressão em direitos que custaram gerações a conquistar, e tudo em nome uma pretensa flexibilidade que apenas flexibiliza a vida de quem já vive demasiado dobrado.

