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Paulo Matos (Advogado)

PERIFERIA | Paulo Matos | A festa é fantástica, pá... Por um Agitágueda cultural!

2019-08-05 15:25:57

Foto SP

PERIFERIA | Paulo Matos | A festa é fantástica, pá... Por um Agitágueda cultural!

Há um artista de artes visuais, Olafur Eliasson, dinamarquês, radicado em Berlim, que entre outras possui uma obra emblemática: uma bicicleta rosa com rodas feitas de espelho, parada na esquina da mais famosa Avenida de São Paulo.
Das obras deste autor se diz que - “constroem com o visitante/espectador/público um universo de experiências que exploram o mundo das sensações visuais, sonoras, olfativas e táteis”.
Foi assim o último mês de Julho em Águeda, em que o Agitágueda proporcionou este tipo de experiências sensoriais a milhares de pessoas que nos visitaram, contemplaram e viveram o festival colorido das estátuas, a silent party, o carnaval fora de horas, os concertos, as danças de rua, os cheiros, os sons, os olhares, as emoções, os gostos e as provas da gastronomia associativa, os convívios e as tertúlias entre as gentes de Águeda e de toda a parte do país e do Mundo, que registam nos seus smartphones e máquinas fotográficas a coreografia da festa.
Esta é a mais valia adquirida de um evento já incontornável no roteiro turístico português e até mundial, que representa o tal investimento municipal da ordem dos 600 mil euros por ano, com entradas gratuitas, mas com anunciado retorno na imagem do concelho e no lucro garantido para as associações, bares, restaurantes e outros agentes económicos participantes.
Destes 600 mil euros porque não se destina pelo menos um terço para a vertente cultural num evento lúdico e recreativo que não se pode deixar transformar num enorme arraial patrocinado pela Câmara Municipal que não é uma mera comissão de festas paga com dinheiros públicos?
É verdade que o “Agitágueda nos deixa orgulhosos”, como refere o vereador Edson Santos, com as ruas de Águeda engalanadas com os chapéus de sol, os balões coloridos, a arte urbana e outros objetos de artes visuais.
É verdade que o evento nunca teve tantos visitantes como este ano, colocando Águeda no mapa dos roteiros turísticos nacionais e mundiais.
Mas também é exigível que um investimento municipal desta grandeza aposte futuramente numa vertente cultural diferente, que complemente (não substitua) a parte lúdica e festivaleira, regada à volta de uma tacinha de espumante, com concertos musicais de massas, numa orgia festiva gratuita que corre à boleia do boom turístico que invadiu Portugal.
Queremos um evento ainda maior e sempre melhor, um Agitágueda cultural que envolva o comércio, a indústria, a cultura urbana e tradicional, as indústrias criativas, e que esteja para além do lúdico, da contemplação e da experiência sensorial.
Nunca é demais repetir que faz falta no Agitágueda, por exemplo, uma “Feira do Livro”, obrigatória durante pelo menos uma semana, com a presença de escritores, exposições de arte, palestras, numa tenda alternativa, ou nos auditórios do Centro de Artes, envolvendo a divulgação de projetos de incentivo e apoio à leitura desenvolvidos pelas escolas secundárias.
Volto a repetir o que aqui escrevi há um ano e que se mantém atual:
“Por que não experimentar o que de bom se faz em Óbidos com o “Fólio – Festival Literário Internacional”; na Póvoa de Varzim com o “Correntes D’ Escritas”; em Viseu com o Festival ”Jardins Efémeros”; em Penafiel com o Festival Literário “Escritaria”, eventos que têm uma identidade cultural, que conciliam com as manifestações de massas (concertos musicais) e a gastronomia (a cargo das associações que com isso recolhem receitas e se envolvem na organização), ou como na Expofacic em que se envolvem os agentes económicos numa mostra do comércio, da agricultura e da indústria, enquanto fileiras de desenvolvimento de uma região?
Porque não retomar com a d’Orfeu o projeto “Rio Povo”, reconhecendo aos agentes culturais locais o papel decisivo que têm tido na construção da imagem cultural de Águeda no país e no estrangeiro, através de produções de excelência como o Gesto Orelhudo, o Festival I e o Festim?
Porque como refere Olafur Eliasson – “com o sector privado focado no lucro e a política nas mãos do populismo, resta a cultura como espaço de confiança cívica”. l PAULO MATOS