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Padre Manuel Armando

ERA UMA VEZ... | Manuel Armando | Sociedade e dependência

2019-12-03 16:14:39

Foto SP

ERA UMA VEZ... | Manuel Armando | Sociedade e dependência

A existência de todos nós, os humanos, com inteligência, vontade e liberdade, é feita de paragens e avanços.
Torna-se urgente e imprescindível, cada um suspender, ainda que por momentos breves, actividades e projectos, para fundamentar os actos e as obras concretas, fazedoras de uma sociedade melhor.
E nunca é tarde para recrudescer e humanizar, sempre mais, as funções que, mesmo e impreterivelmente distintas, construirão o todo, harmónico e criador de felicidade segura, duradoira e global.
Ninguém se basta a si próprio, sozinho. Como ainda nenhum indivíduo mexerá a sociedade unicamente com a sua força pessoal.
Aqui é, pois, muito preciso estacionarmos a nossa carruagem activista para nela metermos todas as pessoas de quem dependemos, seja no que for, ou para as quais também nós desempenhamos quaisquer tarefas.
Não estou a descobrir nada de novo. Mas deparo, como toda a gente, com o desfraldar do egoísmo atroz, onde se sentam tantos que procuram lucros, mesmo que alcançados pelas formas mais obscenas, facilmente imagináveis ou, há muito, palpáveis.
E, de certo modo, a questão agudiza-se quando se (des)educam os mais jovens a enveredar pelos mesmos trâmites e a afinar, por um diapasão comum, as suas capacidades de agir.
De negativo, conhecemos carradas de assuntos e problemas. Todavia, para a tal edificação, devemos, sem pejo nem retraimento, trazer à tona deste mar encapelado, algumas situações que observamos, como edificantes e cujo testemunho, a não ser reconhecido, seria não só uma deselegância como também, e mais grave, ingratidão.
Quem não experimentou já a extrema situação de dependência total de outrem?
Pessoalmente, e nestes últimos tempos, experimentei a minha inutilidade, uma vez que vivi, desde muito cedo, atido a alguém que cuidava, com esmero e carinho, de quase tudo o que estava na base do meu bem-estar e despreocupação.
Passando por algumas dificuldades de saúde, temi perder alguma privacidade de vida e de pessoa, mas, em breve, se desvaneceram muitos dos meus receios, ao verificar quanto espírito de simplicidade, delicadeza e consciência de missão era o apanágio de homens e mulheres, mais adultos ou mais jovens, que se habituam a testemunhar a verdade de vida doada aos outros, por vocação.
O facto de estarmos sob a alçada dos que tratam de nós não traduz algo semelhante a dependência escravizante, mas conduz-nos à exacta noção de que cada um põe os seus dons ao serviço da tal sociedade que se há de edificar na interdependência e interajuda de todos, consoante a riqueza dos carismas manifestados em qualquer indivíduo.
Reconheçamos que existem pessoas verdadeiramente talhadas ou vocacionadas para nos fazerem compreender e aceitar, sem mais, a contingência das nossas insuficiências naturais.
Para não nos deixarmos iludir pela pecha da autossuficiência, impõe-se a tal paragem consciente e admitir ou admirar a missão abraçada por agentes que militam nos variados sectores sociais, políticos, médicos ou de enfermagem, religiosos, de educação e, sobretudo, familiares.
Parar não exprime inércia ou calaceirice. Implica, isso sim, considerar, com espírito de gratidão, o empenhamento de quantos, no altruísmo e naturalidade, nos ajudam a descortinar o sentido de comunhão dos serviços humanos que não nos transformam em joguetes, mas respeitam o direito à dignidade inata de todos.
l MANUEL ARMANDO