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Jorge Castro

OPINIÃO | Jorge Castro | Gente quase educada

2020-06-09 09:53:10

FOTO SP

OPINIÃO | Jorge Castro | Gente quase educada

Era uma vez um reino onde tudo era perfeito. Pelo menos assim pensava uma imensa maioria dos seus habitantes. Mas este não era um reino como os outros. Os habitantes expressavam a sua simpatia pelo que era feito através do voto. Isso mesmo: havia eleições de vez em quando para a governança daquele reino.
Então porque é que lhe estou a chamar reino?... Olhem… porque sim. Porque por lá havia gente que mandava e gente que obedecia. Como em todos os reinos.
Mas falava eu sobre um reino onde tudo parecia perfeito. Um reino moderno e progressista. Nele respeitavam-se raças e etnias diferentes, promovia-se a igualdade de género, combatiam-se as injustiças e a corrupção, apoiavam-se os mais desfavorecidos, ajudavam-se os mais necessitados. Era um reino que todos louvavam, que estava na moda e que toda a gente queria visitar.
Uma das coisas mais valorizada neste reino era a educação. Demorou anos e anos a que o reino e os seus reinantes compreendessem o valor da educação para todos. Mas quando compreenderam, foi impressionante como houve tanto progresso em tão poucos anos.
Copiaram ideias e práticas daqueles que eram tidos como os reinos mais avançados do mundo na educação dos seus habitantes. Acreditaram que se copiassem essas receitas estrangeiras e as aplicassem no seu reinado, de certeza que os seus habitantes-quase-analfabetos, recuperariam melhor e mais rapidamente, e seriam todos mais felizes.
E depois foi ver: foram construídas escolas com instalações das mais modernas e sumptuosas do mundo, houve a mais rápida taxa de recuperação de abandono escolar de quase todo o mundo, foi criada uma escolaridade das mais prolongadas do mundo.
E não é que realmente foram cada vez mais as pessoas com sucesso na educação? E não é que cada vez mais pessoas ficaram felizes? Prova disso mesmo é que naquele reino, ano após ano, se inventavam novas ideias e novas práticas para que se educassem na escola comportamentos que trouxessem ainda mais competências aos jovens, e os tornassem mais cidadãos no futuro. Por exemplo, uma cidadania respeitadora das crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem; uma capacidade instalada para ajudar crianças e jovens com perturbações e deficiências a serem mais capazes.
Este reino era, de facto, um lugar dos mais bem-educados do mundo. Bastava observar os projetos educacionais cultivados um pouco por todo o lado, nas diferentes escolas do reino, inventados pelos reinantes reinadios. E quando não inventavam, as escolas do reino, querendo mostrar publicamente o quanto estavam empenhadas nestas ideias educativas, promoviam elas próprias atividades e programas que designavam de inclusão. Assim, faziam jus à felicidade de todos os que acreditavam que aquele reino era um reino inclusivo e um dos melhores do mundo – um lugar onde se promovia uma vida melhor para todos, uma vida melhor para as crianças e jovens alunos que eram diferentes.
De vez em quando lá havia uma festa ou outra, em que os tais reinantes reinadios apareciam a comemorar um exemplo de sucesso. Festejavam, por exemplo, o caso de um aluno diferente que, graças à escola-dita-da realeza-mas-não-real, tinha conseguido fazer os seus estudos, tinha conseguido ser melhor cidadão e não tinha abandonado a escola. – Este era um motivo para festejar, claro!
Depois da festa, ficava o que ficava. Ficava o pensamento de alguns sobre todos os outros alunos diferentes de quem ninguém falava, e a quem ninguém ligava. Os alunos que não eram festejados e que há já muito tempo tinham abandonado a escola que o reino dizia que era para todos.
Até que um dia alguém se lembrou de perguntar: - mas porque é que nós, escolas do reino, não somos capazes de incluir real e efetivamente todos os alunos – sobretudo os que são mais diferentes?
Logo alguém – alguém honestamente mais capaz – se apressou a responder: - é porque as escolas do reino não são capazes de fazer tudo bem; e porque há outras escolas fora do reino que são mais honestamente capazes.
E dito isto, outro alguém – também honestamente mais capaz –, querendo concluir, desabafou: - afinal, neste reino da perfeição todas as escolas parecem iguais, mas algumas escolas são mais iguais do que outras.
Moral simples desta estória nos tempos que correm: todas as escolas, escolas públicas e escolas privadas, estão obrigadas a prestar um bom serviço público; mas umas prestam mais e melhor serviço público do que outras.
Mas isto é tudo gente educada. Ou quase.
JORGE DE ALMEIDA CASTRO
(Administrador do IDL)