Por favor vire o ecrâ na vertical para visualizar o website

INICIAR SESSÃO

REGISTAR

REPOSITÓRIO

METEOROLOGIA

Sexta-feira

Data: 2020-07-03

Max: 25ºC

Min: 11ºC

Sábado

Data: 2020-07-04

Max: 30ºC

Min: 12ºC

Domingo

Data: 2020-07-05

Max: 34ºC

Min: 16ºC

ENVIE PARA O JORNAL METEOROLOGIA ÚLTIMAS + LIDAS + PARTILHADAS HISTÓRICO DE NEWSLETTERSASSINATURA DIGITALINICIAR SESSÃOREGISTAR HISTÓRIA E ESTATUTO EDITORIAL POLITICA DE PRIVACIDADE / TERMOS DE USO FICHA TÉCNICA RELATÓRIO ANUAL DE GOVERNO SOCIETÁRIO

Alice Caetano

OPINIÃO | Alice Caetano | A crise da literatura não pode ser eterna!

2020-06-24 07:43:19

FOTO SP

OPINIÃO | Alice Caetano | A crise da literatura não pode ser eterna!

A literatura nunca deixou de estar em crise, segundo testemunhos que escritores e livreiros foram deixando registados desde há muito. Por diversas razões, a leitura de livros (no formato de papel) é um hábito oscilante, sendo muitas vezes ultrapassado por outros modelos culturais de ocupação do tempo de lazer, provavelmente mais sugestivos ou apelativos. Contudo, esta crise, mais agudizada nos últimos meses, deve ter em conta certos factores:
O modo como o mercado se relaciona com a cultura, nomeadamente com o livro, é um aspecto relevante, dependendo do ganho financeiro para o investidor e do modo como funciona a produção editorial e as vendas. Por um lado, temos os grandes grupos que publicam os autores premiados/consagrados, ou que, não sendo nada disso, aparecem na televisão, promovendo-os e distribuindo as suas obras; e por outro lado, temos as pequenas editoras cuja política de publicação se baseia na sobrevivência, misturando qualidade e a falta dela no mesmo saco, num constante esgrimir de lanças numa competição desigual, com o autor quase sempre a financiar a edição dos seus livros, tendo depois de ginasticar-se para amortizar esse valor. Em ambos os casos, há pessoas sérias e oportunistas, tratando-se, afinal, de um negócio. As editoras independentes e “underground” recusam-se a circular pelos corredores da subordinação e mantêm-se nos seus nichos, quase sempre ligadas a outras formas de arte e é louvável a sua resiliência.
Relativamente ao fluxo da circulação de livros, o empréstimo, a utilização de bibliotecas, a procura em alfarrabistas, as buscas na Internet ou em eBook, importam muito para o peso social e intelectual da literatura.
A eterna crise, isto é, o reduzido consumo do produto – o livro, não pode, de maneira alguma, deixar de ter em conta o facto de as novas tecnologias serem uma forte concorrente, basta observarmos as pessoas nos transportes públicos, nos parques e jardins, na praia, ou nas esplanadas e contam-se bem as que estão a ler um livro, comparativamente com o passado menos recente, embora, alguns desses usuários possam estar a ler textos literários no telemóvel ou o “tablet”.
Parece ser óbvio que, quando existe uma crise, se façam planos para a combater. É assim que os autores e os amantes da literatura têm procurado reagir, encetando modalidades inovadoras e estratégias de divulgação, com saraus em livrarias e em outros espaços, nas plataformas digitais, nos “slams”, nas feiras do livro e em festivais literários, dando o seu contributo. Contudo, é necessário arrojar mais, pois a percentagem de venda de livros é muito baixa. O preço não se adequa ao nível de vida da grande parte dos portugueses, mesmo com as promoções que algumas editoras e livrarias praticam pontualmente. As políticas de incentivo à leitura têm funcionado com o público infantil, falta criar mais desafios ao público adulto e ainda enfatizar e divulgar de maneira mais visível os escritores portugueses, tal como o marketing de determinados lobbies faz à literatura internacional. Todos têm o seu público, todos têm o seu mercado, mas os autores nacionais deveriam estar primeiro, dentro do seu país!
ALICE CAETANO