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Padre Manuel Armando

ERA UMA VEZ | Padre Manuel Armando | Entre direitos e obrigações

2020-07-15 09:31:19

ERA UMA VEZ | Padre Manuel Armando | Entre direitos e obrigações

Reli, por mero acaso, o comentário que alguém fez, em devido tempo, a um dos meus poemas que se referia a antepassados, fixados em retratos, e que afirmava: «De tudo nos queixamos, clamamos por direitos, enquanto estes, se preocupavam mais com as suas obrigações».
Na verdade, olhando para trás e abraçando nesse olhar os nossos familiares ou outros, em nada e com ninguém aprendemos o que eram greves, paralisações, manifestações de massas, reivindicações e exigências.
Estas palavras não constavam do vocabulário pronunciado pelas pessoas de antanho que apenas conheciam alguns nomes da gíria diária, como: - enxada, ancinho, engaço, foice, foicinha, palhas, ervas, pá, alvião, charrua, arado, bois, porcos, galinhas, patos e muitas mais outras coisas que se estendiam por quintais e várzeas, adiante.
Estes foram os primeiros termos que também nós, os pequenitos, aprendemos e decorámos, até porque faziam parte do léxico escrito naqueles livros nos quais aprendemos a ler.
A memória somente aprendeu a armazenar os problemas sobre o pão e as hortaliças, alimento para as muitas bocas de que eram compostas as famílias da aldeia.
Havia falhas e dificuldades, mas buscavam-se soluções no redobrar de trabalhos, inventando-se mais momentos suplementares ao curso do relógio que só tinha espaço para um dia linear.
As sirenes das fábricas apitavam, a horas certas e conhecidas, quando o pulsar do coração operário já se ouvia dentro dos seus enormes portões de ferro e mesmo o crescer de todos os mimos da terra cavada parecia perceptível aos olhos ternos de quem, por eles, mostrava a sua honra, gravada nas mãos calejadas e enegrecidas pelo suor e pó, mas depois lavadas sempre na corrente da dignidade.
O tempo foi decorrendo e as circunstâncias avolumaram-se numa metamorfose tal que quase se esqueceram os valores manuseados em e por gente iletrada, mas provida de formaturas ou licenciaturas, assinadas com tinta de sangue e lágrimas.
As máquinas vieram substituir e continuam, hoje, a fazer as vezes dos homens que ficam a dispor da vida mais livre para subir à rua, com maior ou menor ruído e promoverem as suas empolgadas manifestações.
Neste tempo, o trabalho e os seus frutos são automatismos que o homem engendrou para não se rever, agora, na alegria da contemplação da sua obra.
Nada me move contra os direitos adquiridos, como sejam as ocasiões em que se pede ou exige justiça, igualdade, respeito pela pessoa humana, mas inquieta-me ver tantas horas e espaços de trabalho, desperdiçados e sem lucro para ninguém, até porque quem reivindica deveria fazer firmar a sua exigência na produção activa e consciente de um bem que servisse a sociedade.
A um direito assiste sempre uma obrigação.
A angariação do pão de cada dia para a família implica consciência de economia produtiva que certamente se traduzirá num empenhamento adequado e moral que não olha pelo funil apertado do particular e próximo, mas que deve alargar-se aos outros semelhantes como peças que são da mesma sociedade, embrulhadas em idênticas necessidades de sustento diário.
A concatenação de todos os agentes de trabalho é a base fundamental do progresso das comunidades e seus membros.
Não havendo este ordenamento, isto é, quando alguns grandes movimentos operários paralisam a laboração, em muitos sectores vitais, incorrem no desrespeito por quem não tem culpa alguma dos desacertos sociais existentes e escorrega abruptamente para a fome.
Portanto, por que razão cada um há de pensar sempre em encher, somente, a sua própria barriga?!
lMANUEL ARMANDO