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Alice Caetano

OPINIÃO | Alice Caetano | A importância do sentido estético nas crianças

2020-07-16 10:17:25

OPINIÃO | Alice Caetano | A importância do sentido estético nas crianças

De facto, as crianças têm currículos pesados, acrescidos de todos os outros conteúdos exigidos pelas áreas consideradas não nucleares, nomeadamente a Cidadania, as Expressões Artísticas e as TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação), e cada vez mais importantes, no caso do Primeiro Ciclo. Mas se já estas se podem interdisciplinar com as primeiras, então, busquemos forma de não negligenciar a Estética. A sua valoração é tanta na formação integral e harmoniosa na infância, que contribui para aprofundar todos os seus conhecimentos em construção, bem como a reflexão e o questionamento relativamente a inúmeros aspectos. Sugerir a uma criança, desde bastante pequena, que explique por palavras, gestos, desenhos ou colagens o que deteve ou alcançou perante uma canção tribal, um quadro de Picasso, uma folha de uma árvore resgatada do chão, a chuva no telhado, o rosto da sua mãe, o sabor do queijo, enfim, uma imensidão de exemplos e de contextos, não é desperdício de tempo. Na verdade, estamos a desafiá-la para uma análise mais detalhada do que a rodeia, do que ela experiencia, tornando-a mais perspicaz e mais competente para outras análises ou apreciações futuras, sejam elas no campo das artes ou não.
Estando a Estética, filosoficamente, associada ao conhecimento do belo, penso que se pode desenvolver também essa questão, circunscrevendo-a: O que é que define o belo na arte? Por exemplo, eu nunca disse nem direi a um aluno que o seu desenho está feio. Ainda que lhe possa dar ideias de técnicas ou materiais a usar ou a combinar. Como lhe definiria eu a concepção de feio e de bonito? É certo que se pretende que um aluno tenha a noção da figura humana completa, das cores, das proporções, mas até esses factores são discutíveis no âmbito artístico. Costumo responder aos meus alunos, quando me perguntam quais são as cores para pintar um gato, enumerando as cores de gatos que conheço, contudo também lhes digo que existiu um pintor português, chamado Mário Cesariny que pintou um quadro do seu gato, quando este morreu, com a cor azul, e esse quadro se chama “O Gato Azul”. Então, a escolha do aluno fica desta maneira: se pintar o seu gato de verde ou de lilás, poderá explicar porque escolheu tal cor, ou então, dizer - é a minha cor preferida, porque… Ainda assim, quando consideramos que o trabalho de um aluno está incompleto, ou poderia ser melhorado, podemos colocá-lo junto de outros alunos que têm uma abordagem totalmente diferente da sua, no sentido de ele se aperceber das múltiplas leituras que existem para o mesmo conceito, e aí, se copiarem modelos, se reinventarem estratégias, tudo fará parte da sua aprendizagem. Acrescento também a mobilização de materiais cujas funções habitualmente não são as mais comuns e dar-lhes uma nova utilidade, é muito criativo. A criatividade floresce, amplia-se e permanece, aliada ao desenvolvimento do sentido estético.
Sempre que haja oportunidade, os pais das crianças deveriam levá-las a museus, a espectáculos de teatro e de música ao vivo (adequados à sua idade), a fazer percursos na natureza, a plantar uma árvore que cuidará, a aprender a tocar um instrumento, a requisitar livros na biblioteca da escola e na biblioteca municipal, a escrever e a ilustrar o seu próprio livro, a inventar e fazer uma receita culinária, a participar de oficinas de manuseamento de diferentes materiais, a participar de conversas, ou seja, tudo aquilo que possa contribuir para um crescimento equilibrado com espírito crítico, atento, criativo e harmonioso. Quanto à escola, deverá investir mais esta área.
ALICE CAETANO