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Jorge Castro

OPINIÃO | Jorge Castro | Gente quase educada

2020-07-22 09:15:50

OPINIÃO | Jorge Castro | Gente quase educada

Era uma vez dois vizinhos. Um dos vizinhos comprou um coelho para oferecer aos seus filhos. Os filhos do outro vizinho pediram um cachorro e o pai comprou-lhes um pastor alemão.
Conversa entre os dois vizinhos:
- Mas ele vai comer o meu coelho.
- Claro que não! O meu pastor é um cachorrito... vão crescer juntos, vão fazer amizade. Não se preocupe.
E de facto parecia que o vizinho dono do dito cãozito tinha razão: os animais cresceram juntos e ficaram amigos.
Era normalíssimo ver o coelho no quintal do cachorro e vice-versa. As crianças estavam felizes e os animais a crescer.
Um dia o dono do coelho foi passar o fim de semana na praia com a família. O coelho ficou sozinho logo na sexta-feira.
No domingo, à tardinha, o dono do cachorro e a família estavam a merendar quando entra o bicho na cozinha. Trazia o coelho entre os dentes, todo imundo, sujo de terra e, claro, mortinho-da-silva. Todos ficaram danados e quase que matavam logo ali o cachorro.
O pai, zangadíssimo, disse: - O nosso vizinho estava certo! E agora?
De tão zangado que estava, escorraçou o animal para fora de casa, para ver se ele percebia o que tinha feito.
Daqui a pouco os vizinhos regressavam. E agora? Todos olhavam uns para os outros. O cachorro gania lá fora, lambendo as feridas.
- Já pensaram como vão ficar as crianças? – perguntava a mãe.
- Tenham calma! – apelou o filho mais velho. – Vamos dar um bom banho ao coelho, deixá-lo bem limpinho, secá-lo, e colocamo-lo direitinho na sua casinha. Ninguém vai perceber o que aconteceu.
Como afinal o coelho não estava muito maltratado, aqueles vizinhos fizeram o que planearam. Até uma água de cheiro esborrifaram no dito cujo. E o animal ficou mesmo com bom aspeto: - Parece vivo! – diziam as crianças.
E assim lá foi colocado o coelhinho na sua casinha, com as perninhas cruzadas e a cabecinha de lado. Até parecia que lhe tinha dado um ataque do coração. Só isso.
Umas horas depois os vizinhos do cachorro ouviram a vizinhança a chegar. Ouviram os gritos das crianças e afirmaram logo: - Ops… descobriram!
Não passaram cinco minutos e o vizinho, dono do coelho, foi bater à porta do seu estimado vizinho, dono do cachorro.
- O que foi? Que cara é essa? – perguntou o dono do cachorro.
- O coelho... o coelho... o nosso coelho… – gaguejava o vizinho.
- O que tem o coelho? – perguntou de novo o dono do cachorro.
- Morreu! – disse o dono do coelho.
E foi então que todos gritaram com ar de incrédulos: - Morreu? Mas como é possível?... Ainda hoje à tarde parecia tão bem…
- Morreu na sexta-feira! – disse o dono do coelho, olhando com surpresa para todos.
- Na sexta?!... – perguntaram em uníssono e com ar de envergonhados os vizinhos, donos do cachorro.
- Sim, foi. Antes de viajarmos, as crianças enterraram o coelho no fundo do quintal! E agora elas descobriram que a cova está vazia. Estão num berreiro, ninguém as cala.
E pronto. É uma estória. E não me perguntem o que aconteceu ao cachorro. Nem me perguntem mais nada. E qualquer semelhança entre esta estória e outras coisas da vida da gente, é pura coincidência.
Gente quase educada.
JORGE DE ALMEIDA CASTRO
(Administrador do Instituto Duarte de Lemos)