Pedro Ferreira .. Contra Fatos
UM BREVE RETRATO DE ÁGUEDA
O concelho de Águeda conta com quase 48 mil residentes. São mais 1233 que em 2021, sobretudo à custa do saldo migratório (+1850 pessoas), porque apenas com base no saldo natural (diferença entre nascimentos e mortes), Águeda teria agora menos 617 residentes. Embora esteja alinhada no crescimento (2,7%) com a realidade nacional (3,2%), Águeda encontra-se abaixo da média.
Os índices de envelhecimento mostram que em Águeda existem mais idosos que jovens: para cada jovem, existem 2,27 idosos. Este valor aumentou relativamente aos últimos Censos realizados em 2021, altura em que este índice era de 2,13. Não parece nada, mas em 4 anos é um aumento de quase 7%.
O índice de sustentabilidade potencial também não é famoso. Este indicador mostra-nos o número de residentes em idade activa (15-64 anos) para cada idoso. Quanto mais alto for o número de população activa, face à população idosa, maior é o indicador de sustentabilidade. Em 2021, este índice situava-se em 2,39 tendo caído em 2024 para 2,30. Quer isto dizer que a sustentabilidade populacional em Águeda tem vindo a diminuir e situa-se abaixo da média nacional (2,59).
No que respeita à habitação, existem ligeiramente menos novas casas para habitação, ou seja, contruiu-se menos nos últimos anos. Em 2018-2020 foram 175, já em 2022-2024, foram 171, uma diferença de -4. Mas, se conjugarmos esta diminuição de casas com o aumento da população, é fácil perceber que existe uma pressão habitacional no concelho. Se a esta pressão da procura juntarmos o preço das casas, facilmente se percebe o grande problema que Águeda tem em termos de habitação. O valor mediano da avaliação bancária das casas para habitação familiar situa-se nos 1.088 euros por m2, uma subida de quase 35% face a 2021. Nos concelhos vizinhos, só Oliveira do Bairro teve uma subida (ligeiramente) superior, a rondar os 36% (ainda assim com um valor por m2 ligeiramente inferior – 1.087 euros).
Os trabalhadores por conta de outrem do concelho têm uma escolaridade média a rondar os 10 anos (actualmente a escolaridade obrigatória é o 12º ano). Quase metade (46,6%) não tem o ensino secundário e apenas 18,3% tem o ensino superior. O salário médio dos trabalhadores do concelho ronda os 1.280 euros, 180 euros abaixo da média nacional. Quando comparado com 5 concelhos vizinhos, Águeda é o 3º com menor escolaridade e o 2º com menor ganho mensal. Já em matéria de desemprego, o concelho tinha, em final de 2024, uma taxa de desemprego de 3,9%, a segunda maior dos 5 concelhos vizinhos já referidos.
Em modo fotográfico, Águeda viu a sua população crescer, mas também a viu envelhecer. Os indicadores são ilustrativos do problema que a habitação representa no concelho, não só pela falta de oferta, mas também pelos valores pouco ajustados aos rendimentos dos aguedenses. Em termos de educação e mercado de trabalho, os elevados níveis de emprego (sempre desejáveis) escondem uma baixa escolaridade, que contribui para explicar os baixos níveis salariais.
Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico
Os índices de envelhecimento mostram que em Águeda existem mais idosos que jovens: para cada jovem, existem 2,27 idosos. Este valor aumentou relativamente aos últimos Censos realizados em 2021, altura em que este índice era de 2,13. Não parece nada, mas em 4 anos é um aumento de quase 7%.
O índice de sustentabilidade potencial também não é famoso. Este indicador mostra-nos o número de residentes em idade activa (15-64 anos) para cada idoso. Quanto mais alto for o número de população activa, face à população idosa, maior é o indicador de sustentabilidade. Em 2021, este índice situava-se em 2,39 tendo caído em 2024 para 2,30. Quer isto dizer que a sustentabilidade populacional em Águeda tem vindo a diminuir e situa-se abaixo da média nacional (2,59).
No que respeita à habitação, existem ligeiramente menos novas casas para habitação, ou seja, contruiu-se menos nos últimos anos. Em 2018-2020 foram 175, já em 2022-2024, foram 171, uma diferença de -4. Mas, se conjugarmos esta diminuição de casas com o aumento da população, é fácil perceber que existe uma pressão habitacional no concelho. Se a esta pressão da procura juntarmos o preço das casas, facilmente se percebe o grande problema que Águeda tem em termos de habitação. O valor mediano da avaliação bancária das casas para habitação familiar situa-se nos 1.088 euros por m2, uma subida de quase 35% face a 2021. Nos concelhos vizinhos, só Oliveira do Bairro teve uma subida (ligeiramente) superior, a rondar os 36% (ainda assim com um valor por m2 ligeiramente inferior – 1.087 euros).
Os trabalhadores por conta de outrem do concelho têm uma escolaridade média a rondar os 10 anos (actualmente a escolaridade obrigatória é o 12º ano). Quase metade (46,6%) não tem o ensino secundário e apenas 18,3% tem o ensino superior. O salário médio dos trabalhadores do concelho ronda os 1.280 euros, 180 euros abaixo da média nacional. Quando comparado com 5 concelhos vizinhos, Águeda é o 3º com menor escolaridade e o 2º com menor ganho mensal. Já em matéria de desemprego, o concelho tinha, em final de 2024, uma taxa de desemprego de 3,9%, a segunda maior dos 5 concelhos vizinhos já referidos.
Em modo fotográfico, Águeda viu a sua população crescer, mas também a viu envelhecer. Os indicadores são ilustrativos do problema que a habitação representa no concelho, não só pela falta de oferta, mas também pelos valores pouco ajustados aos rendimentos dos aguedenses. Em termos de educação e mercado de trabalho, os elevados níveis de emprego (sempre desejáveis) escondem uma baixa escolaridade, que contribui para explicar os baixos níveis salariais.
Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico

