Alberto Marques
ARTE.RENEGERADA @ÁGUEDA.PT
17 de junho de 2026A poucos dias do início de mais uma edição da Festa do Regime, também conhecida por Agitágueda, sente-se no ar a expectativa por mais um mês de animação na cidade.
Ironias à parte, é sabido que sou fã e frequentador assíduo daquele evento à beira-rio e apreciador de algumas instalações de arte urbana em vários pontos da cidade. Apesar de conviver com o mito de que eu (e outros colegas da Assembleia Municipal, noutra vida, há quase uma década) seríamos “contra o Agitágueda” quando, afinal, apenas insistíamos que os contratos e as contas fossem fidedignos e transparentes, sempre reconheci – e aplaudi – os méritos do evento que recolocou Águeda no mapa cultural nacional.
Para lá do frenesim dos espectáculos musicais, das tasquinhas e animações durante o mês de Julho, um dos aspectos que mais aprecio são as chamadas instalações de arte urbana na cidade. Penso, aliás, que a Câmara deveria ponderar e coordenar com as freguesias a possibilidade de estender este tipo de intervenção a outros pontos fora da cidade, contribuindo para a descentralização e expansão do Agitágueda ao resto do concelho. E é precisamente sobre a “arte urbana” que gostaria de partilhar estas linhas com os leitores…
Se algumas das “instalações” mais visíveis e impactantes são efémeras (o Umbrella Sky, as decorações sobre várias ruas, os adereços nos jardins, etc…), outras intervenções assumem um cariz mais permanente. Refiro-me, essencialmente, a vários murais e pinturas em edifícios, muros, bancos de jardim ou outras estruturas físicas. Seja em espaços devolutos, edifícios recuperados, ou mobiliário urbano variado, o Agitágueda trouxe à cidade algumas intervenções de qualidade e belo impacto visual. Os gostos, naturalmente, são subjectivos, tanto mais porque é de arte que se trata, mas julgo ser do agrado geral a maioria das pinturas na cidade.
O problema é que estas obras não são eternas e, após alguns anos, começam a apresentar sinais de óbvia deterioração. Não sei se existe algum “protocolo informal” para a manutenção e conservação das instalações de arte urbana, mas parece-me óbvio que a autarquia deveria fazer um levantamento do estado das obras existentes e decidir sobre a sua renovação, limpeza ou substituição.
Existem soluções para todos os gostos: desde a repintura integral pelo artista original ou sob sua supervisão, a aplicação de vernizes ou revestimentos protetores anti-UV e anti-grafiti, até à limpeza total e preparação para novas instalações. Penso, aliás, que esta será a solução mais habitual, promovendo o surgimento de novas obras e a renovação do espaço urbano.
Numa rápida volta pela cidade, facilmente verificamos a elevada degradação (e mau aspecto) dos murais junto aos CTT, na subida acima do tribunal, na enorme parede da torre dos bombeiros, etc… Mas o exemplo mais gritante, num estado absolutamente nojento, são as cubas junto ao antigo IVV. Ironia suprema: o título da obra é “Tão bela e preciosa”… A regeneração urbana, que tantas vezes foi bandeira dos executivos municipais, não pode confinar-se aos edifícios e ruas da cidade. A arte urbana também precisa, urgentemente, de regeneração…
Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico
Ironias à parte, é sabido que sou fã e frequentador assíduo daquele evento à beira-rio e apreciador de algumas instalações de arte urbana em vários pontos da cidade. Apesar de conviver com o mito de que eu (e outros colegas da Assembleia Municipal, noutra vida, há quase uma década) seríamos “contra o Agitágueda” quando, afinal, apenas insistíamos que os contratos e as contas fossem fidedignos e transparentes, sempre reconheci – e aplaudi – os méritos do evento que recolocou Águeda no mapa cultural nacional.
Para lá do frenesim dos espectáculos musicais, das tasquinhas e animações durante o mês de Julho, um dos aspectos que mais aprecio são as chamadas instalações de arte urbana na cidade. Penso, aliás, que a Câmara deveria ponderar e coordenar com as freguesias a possibilidade de estender este tipo de intervenção a outros pontos fora da cidade, contribuindo para a descentralização e expansão do Agitágueda ao resto do concelho. E é precisamente sobre a “arte urbana” que gostaria de partilhar estas linhas com os leitores…
Se algumas das “instalações” mais visíveis e impactantes são efémeras (o Umbrella Sky, as decorações sobre várias ruas, os adereços nos jardins, etc…), outras intervenções assumem um cariz mais permanente. Refiro-me, essencialmente, a vários murais e pinturas em edifícios, muros, bancos de jardim ou outras estruturas físicas. Seja em espaços devolutos, edifícios recuperados, ou mobiliário urbano variado, o Agitágueda trouxe à cidade algumas intervenções de qualidade e belo impacto visual. Os gostos, naturalmente, são subjectivos, tanto mais porque é de arte que se trata, mas julgo ser do agrado geral a maioria das pinturas na cidade.
O problema é que estas obras não são eternas e, após alguns anos, começam a apresentar sinais de óbvia deterioração. Não sei se existe algum “protocolo informal” para a manutenção e conservação das instalações de arte urbana, mas parece-me óbvio que a autarquia deveria fazer um levantamento do estado das obras existentes e decidir sobre a sua renovação, limpeza ou substituição.
Existem soluções para todos os gostos: desde a repintura integral pelo artista original ou sob sua supervisão, a aplicação de vernizes ou revestimentos protetores anti-UV e anti-grafiti, até à limpeza total e preparação para novas instalações. Penso, aliás, que esta será a solução mais habitual, promovendo o surgimento de novas obras e a renovação do espaço urbano.
Numa rápida volta pela cidade, facilmente verificamos a elevada degradação (e mau aspecto) dos murais junto aos CTT, na subida acima do tribunal, na enorme parede da torre dos bombeiros, etc… Mas o exemplo mais gritante, num estado absolutamente nojento, são as cubas junto ao antigo IVV. Ironia suprema: o título da obra é “Tão bela e preciosa”… A regeneração urbana, que tantas vezes foi bandeira dos executivos municipais, não pode confinar-se aos edifícios e ruas da cidade. A arte urbana também precisa, urgentemente, de regeneração…
Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico

