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OPINIÃO
O BOM SALÁRIO NÃO NASCE DO DIPLOMA
Há uma ideia que continua a ser pouco discutida na Europa: um diploma não cria, por si só, uma economia rica.
Durante décadas habituámo-nos a pensar que a solução para melhorar os salários passava essencialmente por aumentar as qualificações da população. Mais licenciados, mais formação, mais educação. Tudo isto é importante, obviamente. Mas existe um problema: se a economia não for capaz de transformar essas qualificações em produtividade, investimento e criação de valor, o resultado pode ser simplesmente termos mais pessoas qualificadas a disputar os mesmos empregos de sempre.
É aqui que a comparação entre a Europa e os Estados Unidos se torna interessante.
Um trabalhador pouco qualificado nos EUA pode ganhar mais do que um trabalhador europeu com competências semelhantes. Não porque os americanos sejam, em média, extraordinariamente mais inteligentes ou porque tenham estudado mais. A diferença está sobretudo na economia onde trabalham.
Uma empresa americana tem, em muitos sectores, mais capital por trabalhador, maior escala, maior acesso a investimento, mais tecnologia e mercados muito maiores. Um trabalhador equipado com melhores máquinas, software, processos e capital consegue produzir mais em menos tempo. E quando a produtividade aumenta, existe espaço para salários mais elevados.
É uma questão que Portugal deveria levar muito a sério.
Temos uma enorme tendência para discutir salários como se fossem uma decisão administrativa: aumentar o salário mínimo, aumentar impostos sobre empresas, criar benefícios ou legislar mais. Mas podemos aumentar salários por decreto apenas até certo ponto. Salários sustentáveis são consequência de produtividade sustentável.
E produtividade não significa trabalhar mais horas. Significa conseguir produzir mais valor durante cada hora trabalhada.
É também por isso que uma economia precisa de empresas que cresçam. Pequenas empresas são importantes, mas uma economia composta quase exclusivamente por microempresas, com pouco capital e baixa capacidade de investimento, dificilmente conseguirá pagar salários semelhantes aos das economias mais produtivas.
A política económica devia, por isso, preocupar-se menos com a aparência da qualificação e mais com aquilo que acontece depois dela: investimento, inovação, concorrência, internacionalização e criação de empresas capazes de crescer.
E há aqui uma conclusão particularmente importante para Portugal: não basta impedir que os nossos jovens saiam do país - é necessário criarmos razões económicas para que queiram ficar!
Em Águeda, isto percebe-se de forma muito concreta: existe uma economia industrial, empresas exportadoras e procura por mão de obra técnica e especializada, mas o verdadeiro desafio é aumentar a escala e a produtividade para que essa procura se traduza em salários cada vez melhores.
Os EUA mostram o que acontece quando capital, escala e produtividade conseguem transformar competências em salários elevados; Águeda mostra que Portugal já tem indústria e talento, mas ainda precisa de lhes dar mais capital, escala e produtividade.
A questão não é escolher entre licenciados e trabalhadores técnicos: é construir uma economia onde ambos consigam criar mais valor - e, consequentemente, ganhar mais.
EMPRESAS E FAMÍLIAS NÃO PODEM CONTINUAR A PAGAR A FATURA
Há momentos em que é necessário dizer com clareza aquilo que muitas empresas e famílias sentem todos os dias: Basta! não é possível continuar a acrescentar custos à economia e esperar que nada aconteça.
As empresas portuguesas vivem num mercado cada vez mais competitivo. Todos os meses têm de pagar salários, energia, transportes, matérias-primas, seguros, financiamento e um conjunto crescente de obrigações administrativas. Ao mesmo tempo, precisam de investir, inovar, conquistar mercados e manter os seus postos de trabalho.
Neste contexto, o preço dos combustíveis assume uma importância que não pode ser ignorada.
Para milhares de empresas, o gasóleo não é um consumo acessório. É uma ferramenta de trabalho. É necessário para transportar mercadorias, visitar clientes, prestar assistência técnica, abastecer estabelecimentos, deslocar equipas ou fazer chegar produtos aos mercados.
Foi precisamente por isso que a Câmara de Comércio e Indústria de Águeda, apresentou ao Governo uma proposta de isenção temporária do ISP sobre o gasóleo rodoviário utilizado no exercício de atividades profissionais.
A associação chamou igualmente a atenção para a diferença de preços face a Espanha e para o impacto que essa situação pode ter na competitividade das empresas portuguesas, sobretudo nas regiões onde o abastecimento além-fronteiras constitui uma alternativa.
A questão não é apenas empresarial.
Quando aumentam significativamente os custos de transporte, distribuição ou produção, alguém acaba por os suportar. Primeiro são as empresas, através das suas margens e da sua tesouraria. Depois surgem dificuldades em investir, contratar ou aumentar salários. E, inevitavelmente, parte desses custos acaba também por chegar aos preços pagos pelas famílias.
É por isso que defender condições competitivas para as empresas é igualmente defender o emprego e o poder de compra.
A proposta apresentada pela é concreta: criar um regime temporário, dirigido às empresas e profissionais devidamente registados e às viaturas comprovadamente utilizadas na atividade económica. O benefício poderia ser aplicado diretamente no abastecimento ou através de um sistema simples de reembolso ou dedução.
Não defendemos burocracia adicional. Pelo contrário. Portugal precisa de medidas simples, rápidas e capazes de chegar efetivamente à economia real.
Também não se trata de pedir privilégios para as empresas.
As empresas são aquelas que investem, criam emprego, pagam salários, exportam, compram a fornecedores locais e contribuem diariamente para a sustentabilidade económica e social dos territórios onde estão instaladas.
Precisamos, por isso, de olhar para a fiscalidade também através da competitividade. Cada euro retirado à capacidade de uma empresa investir deve ser cuidadosamente ponderado. Cada custo adicional pode representar menos investimento, menos crescimento e menor capacidade para remunerar melhor quem trabalha.
A economia não se fortalece apenas através de anúncios ou programas. Fortalece-se criando condições para quem produz, trabalha e investe.
A nossa associação continuará a fazer aquilo que lhe compete: ouvir as empresas, apresentar propostas e defender soluções que permitam preservar a atividade económica, a competitividade e o emprego.
Porque proteger a capacidade das empresas para trabalhar e crescer é também proteger as famílias que delas dependem.
A CONTABILIDADE SERVE PARA EXPLICAR O PASSADO OU PARA AJUDAR A DECIDIR O FUTURO?
Durante muitos anos, quando se falava em Contabilidade, pensava-se sobretudo em Obrigações Fiscais, Impostos e Contas do ano anterior.
Mas será que é apenas para isso que serve a Contabilidade?
No recente 8.º Congresso dos Contabilistas Certificados falou-se muito de tecnologia, inteligência artificial e dos desafios que estão a transformar a profissão. Ferramentas que fazem, hoje, em segundos, tarefas que antes ocupavam muitas horas.
E esta transformação levanta outra questão: se a tecnologia consegue tratar cada vez mais informação, onde estará o verdadeiro valor do Contabilista Certificado?
No Congresso, o Presidente da República, António José Seguro, deixou uma expressão particularmente feliz: o Contabilista é “muito mais do que guarda-livros, […] guardião da confiança e da credibilidade.”
Talvez seja aqui que encontramos a resposta.
Quando um empresário pergunta: Posso contratar? Posso investir? Tenho dinheiro para cumprir os meus compromissos? Estou realmente a ganhar dinheiro? Onde estou a perder margem? — muitas das respostas estão nos seus números.
Mas ter números não é o mesmo que ter informação. E ter informação não significa saber decidir.
É, aqui, que o Contabilista pode fazer a diferença: interpretar, questionar, antecipar e ajudar a construir cenários.
A tecnologia tratará cada vez mais dados. A Inteligência Artificial encontrará cada vez mais respostas, mas continuará a ser necessário compreender a empresa e transformar informação em decisão.
Por isso, talvez devamos deixar de perguntar apenas “quanto vou pagar de impostos?” e começar também a perguntar:
“O que é que os meus números me estão a dizer sobre o futuro da minha empresa?”
A Contabilidade continuará a explicar o passado, mas é quando nos ajuda a decidir o futuro que revela verdadeiramente o seu valor.
SAÚDE MENTAL: "VAMOS FALAR SOBRE ISSO?"
N-se o Dia Mundial da Saúde Mental. Vamos falar sobre isso?
A nossa mente precisa de cuidados de qualidade, tal como o nosso corpo. Vivemos numa sociedade que aprendeu a tratar a dor física sem qualquer problema, mas onde ainda é difícil falar abertamente de tristeza profunda, ansiedade prolongada ou sofrimento psicológico. E quando estes temas são abordados é comum surgir um silêncio desconfortável. O preconceito social é um dos principais fatores que impede as pessoas de pedirem ajuda. Infelizmente, ainda persistem ideias muito antigas e erradas que associam os problemas mentais a «fraqueza», «preguiça» ou, simplesmente, falta de força de vontade. Esta forma de pensar contribui para que muitas pessoas se isolem e sofram em silêncio, com medo de serem julgadas no local de trabalho, entre os amigos ou até dentro da própria família. Vamos falar sobre isso?
É fundamental e urgente mudar esta visão na nossa sociedade. A saúde mental altera-se ao longo do tempo e é comum, em diferentes fases da vida (adolescência, namoro, primeiro emprego, nascimento de um filho, saída de casa dos pais, morte de uma pessoa muito próxima, doença de um familiar…), que a pessoa se sinta ansiosa, sem saber o que fazer ou a quem recorrer para aconselhamento ou desabafo. Procurar apoio profissional não é, de forma alguma, um sinal de fraqueza; é um movimento de responsabilidade e de verdadeiro cuidado pessoal.
Desmistificar este tema passa também por conhecer os recursos e apoios reais que existem perto de nós. Mesmo que não se lembre de alguém com quem falar ou pedir ajuda, e se ninguém lhe perguntar “Vamos falar sobre isso?”, pode ligar para a Linha de Aconselhamento Psicológico do SNS 24 (através do número gratuito 808 24 24 24, opção 4), que oferece apoio telefónico seguro e confidencial durante as 24 horas do dia. Além disso, existem associações locais e instituições de solidariedade (IPSS) que dinamizam atividades de convívio, apoio domiciliário e projetos de regresso ao trabalho, essenciais para devolver a autonomia e a confiança a quem está a recuperar.
Uma comunidade verdadeiramente forte é aquela que sabe acolher, escutar e ajudar sem julgar. No dia 10 de outubro, o convite é simples para todos: estejamos mais atentos a nós mesmos e a quem vive ao nosso lado. Acabar com o preconceito começa com uma conversa simples e honesta.
Escolha alguém a quem perguntar: vamos falar sobre isso?


Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica na UCC Grei - Unidade de Cuidados na Comunidade Grei de Águeda - Unidade Local de Saúde Região de Aveiro
A PROXIMIDADE NÃO CABE NUM ECRÃ
Em 2024, o Governo emitiu uma recomendação com orientações de regulação do uso de smartphones pelos alunos nas escolas. Em 2025, esta recomendação passou a assumir um carácter vinculativo nos 1º e 2º ciclos, ao ser publicado o Decreto-Lei n.º 95/2025.
No passado mês de julho, o Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas (PLANAPP) publicou os resultados de um estudo de acompanhamento da implementação da legislação que regula o uso de smartphones nas escolas. O objectivo deste estudo é, em primeiro lugar, avaliar com base em dados concretos (em vez de meras opiniões e “achómetros”) a eficácia pretendida daquela medida e, com isso, produzir informação que permita aferir se os efeitos da política são realmente os pretendidos.
Entre muitos dados apresentados (o estudo tem cerca de 70 páginas), há dois indicadores que nos podem ajudar a perceber da eficácia da medida: o índice de disciplina (mede os comportamentos desviantes dos alunos) e o índice de socialização (mede os comportamentos de relação e interacção face a face entre os alunos).
Os resultados são bastante conclusivos: em todos os ciclos de estudos, o índice de socialização aumentou significativamente entre 15% e 40%. Quer isto dizer que os alunos, em todos os ciclos de estudos onde a restrição ao uso dos smartphones foi implementada, registaram aumento nas suas relações interpessoais face a face, sendo que o aumento mais expressivo foi no 2º ciclo e o menos expressivo no 1º ciclo.
Já o índice de disciplina aumentou significativamente entre 7% e 17% em todos os ciclos de estudos, excepto no 1º ciclo. Portanto, os níveis de conflitos reduziram-se onde a restrição foi aplicada – e consequente aumento de disciplina. Mais uma vez, o aumento mais expressivo registou-se no 2º ciclo e o menos expressivo no ensino secundário.
Estes resultados são relevantes, pois a escola deve ser um ambiente física, psicológica e socialmente seguro, para que as crianças e jovens se desenvolvam como pessoas e cidadãos. Menos agressividade e conflitos são favoráveis a relações pessoais mais saudáveis; mais interacção face a face é favorável ao desenvolvimento de competências sociais tão relevantes para a vida em sociedade.
No entanto, fica por aferir os efeitos da restrição do uso dos smartphones no desempenho escolar. Naturalmente, este não será o efeito mais importante, e poderá até ser um efeito colateral dos efeitos na disciplina e na socialização (um ambiente escolar mais saudável poderá contribuir para melhorar o desempenho escolar).
Fica também por aferir até que ponto esta restrição não se transforma num excesso fora do ambiente escolar. Na impossibilidade de usar os smartphones durante o período em que se encontram na escola, será que os alunos poderão, após saírem da escola, intensificar ainda mais o uso daqueles aparelhos?
De qualquer forma, os dados são animadores e mostram que, de facto, a redução da exposição aos smartphones é favorável à melhoria do ambiente escolar. E, com isso, os alunos têm a possibilidade de se desenvolverem enquanto pessoas, melhorando as suas competências sociais. Afinal, estar mais próximo tem muito pouco a ver com tecnologia; tem mesmo a ver com relações.

Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico
REPRESENTAR OS PORTUGUESES
Acredito que seja uma ideia generalizada de que aos deputados só lhes incumbe ir ao Plenário, intervir no Plenário e pronto. Ainda mais pernicioso, transmite-se a ideia de que, em Plenário, há muitos que não intervêm e, como tal, “não estão lá a fazer nada”.
Hoje pretendo desfazer esse juízo.
Os deputados, eleitos por círculos eleitorais, são deputados nacionais logo após a eleição. Muitos eleitores não o entendem, pois assumem que o deputado deverá ser o porta-voz das “dores” do distrito e das suas populações e só deverão existir para representar o distrito. O círculo eleitoral está sempre presente no sub-consciente de cada deputado, daí as idas frequentes ao distrito, mas tal não pode superiorizar-se ao todo nacional.
Há mais. Cada deputado é incluído nas Comissões Parlamentares Permanentes, existem 15 nesta legislatura, para além de 1 eventual e 3 Comissões Parlamentares de Inquérito. É nestas Comissões que é feita a maior parte da discussão das propostas dos partidos, para além do escrutínio ao governo através de audições regimentais (ordinárias) ou extraordinárias. Longe dos holofotes do Plenário é realizado todo o “trabalho de formiguinha” dos grupos parlamentares.
Também não é aqui que se esgota o dia a dia do deputado. Cada um pertence a Grupos Parlamentares de Amizade entre Portugal e outros países reconhecidos com a existência de Parlamentos e com relevância para Portugal. É nesses grupos que se estreitam as relações entre Parlamentos e, muita vez, se abrem canais de comunicação entre os Estados.
Ainda não concluí.
Cada deputado é também inserido em Assembleias Multinacionais de diversas organizações internacionais, numa plêiade de organizações que requerem de cada um de nós um pouco do nosso dia, do nosso trabalho e da nossa dedicação. Por exemplo, no âmbito da Assembleia Parlamentar da NATO, irei à Bósnia e Herzegovina, auxiliar na monitorização das eleições gerais que aí têm lugar.
Também, ainda que não obrigatoriamente, muitos são autarcas. Vereadores ou membros de Assembleias Municipais e da Comunidade Intermunicipal a que a sua autarquia pertence.
Este pequeno rol de actividades não pretende ser exaustivo, nem dar a entender que o tempo não chega para nada. Concordo, inclusivamente, que Portugal pode reduzir a quantidade de deputados existentes. Todavia, espero que, com estas linhas tenha dado uma ideia mais aproximada do dia a dia do parlamentar na sua missão de representar os Portugueses.

O autor escreve com as normas do anterior acordo ortográfico
UM BEIJO PARA TI...
Serão milhentos os conceitos sobre beijos. Há-os livres ou forçados, húmidos e secos, “judasmente” traidores e os mais ardentes de amizade e carinho desinteressado, de escárnio e de incentivo, de teatro e de família, de saudação ou vingança, livres e requisitados, públicos e resguardados, de despedidas e chegadas, sonoros ou recatados e envergonhados.
A listagem é interminável e não acaba jamais.
Minha mãezita, na sua simplicidade, ternura e verdade, apertando-me nos seus braços, não parava de olhar para a prenda recebida de Deus, que era eu, e não se cansava, com muita doçura, de me cobrir de beijos, o que sempre fez, pelos anos fora, enquanto viveu. Penitencio-me, hoje, porque eu não lhe dei tantos quantos merecia.
Também recordo o que soava quando dois namorados se beijavam, furtivamente, na cara, pela primeira vez e após meses de namoro sério. Hoje tudo isso entrou no clima da maior banalidade.
Beijava-se a mão ao pai e à mãe, na altura de recolher para dormir, como também ao encontrar-se os avós ou os padrinhos e o beijo, na altura, fazia já parte do estatuto de um respeito pela idade ou missão.
Abrimos a boca de admiração, de certo modo cobarde, por quanto mudou nestes nossos tempos que são breves e não de séculos atrás. Hoje, no meio da rua, em qualquer ambiente, hora e sítio é trivial depararmos com jovens apegados uns nos outros como se estivessem a carregar as baterias dos actuais carros que trabalham com electricidade.
Mas, volto ao significado do beijo. A gratidão é uma virtude nas pessoas bem-educadas e reconhecidas a alguém por alguma coisa.
Neste sentido, não devo deixar passar um momento de beleza, testemunhado por algumas bastantes pessoas. Eu já baptizei milhares de crianças e outra gente mais adulta. Digo sempre que não esqueçamos de agradecer a Deus tal chamamento. Mas, caso interessante e único que me lembre, aconteceu há poucos dias atrás com uma menina que completava dois aninhos e foi baptizada. Sempre serena e com os olhitos curiosos, viveu o momento. Quando acabei de lhe enxugar os cabelos, naturalmente molhados, ela puxou-me a si e disse, num gesto de gratidão: «um beijo para ti». Não sei o que respondi, mas que me emocionei, interiormente, é verdade.
Meditei seriamente naquele sinal. Agradeceu-me e ambos agradecemos ao Deus que nos chama a sermos família, onde o amor, a respeitabilidade e a gratidão devem fazer sempre parte do estatuto da gente guiada pelo e com amor. Não esqueceremos, certamente, o esclarecimento de S. João, na sua primeira Carta quando escreve: «Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor» (1Jo.4/7-8).
Ora, só a Ele, mesmo com um beijo apenas imaginado, havemos de agradecer esse Amor.
DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL
Desde 1992 que, a 10 de outubro, se assinala o dia da saúde mental. Durante muito tempo, quem ditava as regras sobre a saúde mental era o secretismo, a vergonha e o medo de se ser excluído, de não ter um trabalho, uma família, de não ser levado a sério, enfim.
Felizmente, o tabu tem vindo a diminuir, graças ao aumento do senso de humanidade comum. Para isto, muito tem contribuído a era digital em que vivemos, cujo acesso à informação é cada vez maior, seja através de cursos, livros de auto-ajuda, partilhas nas redes sociais, etc..
O que me agrada, pois implica a consciencialização de que tão válido é ter uma dor de dentes, como sentirmo-nos tristes ou ansiosos. Aumenta também o conhecimento sobre como funciona o nosso cérebro, pensamentos, emoções e comportamentos, e o respetivo impacto na nossa vida.
Contudo, alerto para a importância de sabermos questionar e filtrar a informação que nos chega, tal como de procurar profissionais certificados e cuja prática seja baseada em evidência científica.
É certo que qualquer pessoa que cruze a nossa vida tem algo a contribuir, positivo ou não, mas não confundamos papéis. Ser familiar, amigo, colega e motivar através de uma experiência de vida é muito válido, só não é, nem poderá substituir a terapia. Tal como um medicamento anti-inflamatório atenua a dor, mas não substitui um antibiótico que trate a causa.
É urgente estimularmos o nosso juízo crítico, saber distinguir os “achismos” e os conselhos que nos podem realmente servir mas que, ainda assim, não são ciência. Não nos iludamos com as histórias, as fotografias, os vídeos que nos mostram apenas alguns segundos de uma vida já editada. Inspiração não é receita!
Termino relembrando que ser saudável, não é não estar doente. É sentir bem-estar físico, social e emocional. E cuidar da saúde mental, continuará sempre a ser um dever de toda a comunidade que se considera desenvolvida, sabendo cada interveniente - vizinhos, família, escola, centro de saúde, ginásio, autarquia - como e quando ocupar o seu lugar.
A POLÍTICA DAS TRINCHEIRAS E A LIÇÃO DOS ANTIGOS
Há uma sabedoria profunda naquilo a que podemos chamar a "geração a preto e branco". Falo daqueles que se formaram num país com menos recursos, menos opções e carências hoje difíceis de imaginar, mas que, com pouco, construíram quase tudo o que estruturou o nosso presente.
Essa geração deixou-nos lições que o imediatismo dos nossos dias teima em esquecer: a de que os obstáculos se resolvem com inteligência prática, a de que a ironia elegante desarma a soberba e, acima de tudo, a de que nem todas as divergências precisam de produzir inimigos. 
No livro O Herói Esquecido, de José Marques Vidal, essa capacidade de conviver com a diferença ganha vida na amizade entre João do Préstimo, o pragmático, e o Dr. Daniel, o sonhador. Em tempos profundamente divididos, as suas diferenças políticas não destruíram o que os ligava. Sabiam distinguir a discórdia ideológica do reconhecimento mútuo do outro. Esta é, porventura, a lição mais urgente para a nossa atual conjuntura: uma amizade verdadeira, tal como uma sociedade democrática saudável, não exige que pensemos todos da mesma maneira. Exige, sim, um sentido de coletivo onde a vida de cada um depende, em alguma medida, da vida dos outros. 
No entanto, quando olhamos para o xadrez político contemporâneo — dos grandes palcos dos poderes globais às dinâmicas mais próximas dos poderes locais —, a realidade que encontramos é o oposto dessa harmonia. Assistimos à criação sistemática de trincheiras. Contar com amigos, no seu âmago mais puro, é sentir que somos escutados e que as nossas preocupações são acolhidas. Transportada para a esfera pública, esta premissa dita que governar como legítimo representante de um povo é, precisamente, escutar o povo, governar para ele e sentir as suas angústias. Mas implica também ter valores sólidos que permitam respeitar quem pensa o contrário. 
Hoje, os poderes refletem cada vez menos esta "amizade atual". A governação cedeu à ditadura dos algoritmos e do curto prazo. Urge lembrar que fazer opções de governação não se mede pelo número de votos que elas rendem no imediato, mas por aquilo que deixam para o futuro. Para governar com os olhos no amanhã, são necessários valores assentes na integridade; é preciso ter a coragem de separar o trigo do joio. 
Onde esta ausência de valores se torna mais perigosa é nas alianças de circunstância. A expressão popular "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és" aplica-se com precisão cirúrgica àqueles que, para se enganarem momentaneamente no desejo narcísico de parecerem maiores do que são, aceitam apoiar o degredo moral. Ao fazê-lo, alinham com o populismo e a degradação do debate público, demitindo-se da justiça e do respeito pelas funções que competem aos vários setores da sociedade. Esquecem-se de que a sobrevivência da democracia depende do equilíbrio e da separação de poderes: entre política e justiça, como entre propaganda e informação. 
A cor da liberdade e da democracia, que chegou para colorir o mundo a preto e branco, corre o risco de desbotar se a transformarmos num direito natural e sem deveres. Se o conformismo for mais confortável do que o pensamento crítico, deixaremos de questionar. Uma sociedade que deixa de pensar fica inteiramente disponível para seguir qualquer caminho. Precisamos de resgatar essa capacidade antiga de discordar sem levantar a voz, de governar com o ouvido no povo e de entender que as maiorias numéricas não se sobrepõem à ética do bem comum. 
Olhar para trás não é um exercício de nostalgia melancólica, mas sim um ato de sobrevivência democrática. Se a geração que enfrentou o mundo a preto e branco nos provou que a integridade e o sentido de comunidade constroem o futuro, a nossa responsabilidade atual é não deixar que a abundância de cores nos cegue. O verdadeiro poder — seja ele global ou local — mede-se pela capacidade de escutar sem silenciar, de divergir sem destruir e de governar sem vender a alma ao imediatismo dos votos. Salvar a democracia exige, afinal, a coragem de regressar aos valores fundamentais da amizade e do respeito cívico, garantindo que o amanhã não seja herdado por heróis esquecidos, mas por uma sociedade que nunca deixou de saber pensar.
PORQUE NÃO HÁ DEBATE POLÍTICO EM ÁGUEDA?
O debate público, nas suas vertentes informativa e formativa, está crispado como nunca e, as pessoas, aparentando felicidade, estão verdadeiramente zangadas, revelando níveis altos de intolerância aos governos e aos políticos, em muitos casos reagindo com indiferença ou desprezo, mas na maior parte dos casos com a ignorância arrogante do populismo, da demagogia e da raiva que faz as manchetes nas redes sociais.
A polícia do pensamento que tudo cancela e tudo critica, funciona como se não houvesse amanhã e a catástrofe estivesse sempre iminente.
Ao nível local é confrangedor constatar a crescente perda de influência e de prestígio da Assembleia Municipal, fórum por excelência da democracia local, que nos últimos anos tem vindo a diminuir a qualidade e experiência dos seus protagonistas, e dos seus debates, que não representam condignamente a sociedade local e os seus anseios.
Há quanto tempo a Assembleia Municipal de Águeda não organiza debates públicos sobre temas locais, regionais ou nacionais, convidando personalidades de relevo nacional ou local, realizando eventos de participação pública, exposições de arte, apresentação de livros ou ações de formação dos autarcas?
Não sabemos se a Assembleia Municipal de Águeda integra a Associação Nacional de Assembleias Municipais, ou se está sequer a par do que esta Associação vai fazendo para acelerar a alteração da legislação autárquica, para tornar as Assembleias Municipais em verdadeiros parlamentos locais suscetíveis de poderem apresentar moções de censura ou de confiança aos executivos municipais, permitindo dessa forma o escrutínio democrático?
Por outro lado, é sintomática a diminuição do espaço informativo, mesmo na Soberania do Povo, sobre as sessões da assembleia municipal e o seu impacto sobre a política local em geral, com a redução da participação dos partidos locais na vida pública, e em geral com a diminuição acentuada da intervenção cívica no debate e na definição das políticas públicas.
Na última edição da Soberania foi com agrado que li um artigo de Mariana Ferreira dos Santos, nova colunista que aproveito para saudar, sobre o debate necessário acerca do “vazio urbano”, do “legado industrial e a alma urbana de Águeda”, chamando a atenção para a necessidade do Município definir, orientar, e “criar os instrumentos adequados” para mobilizar e incentivar a participação nesse debate público.
A colunista refere, e eu concordo, que é necessária a “ambição de ir mais longe”, para além das festividades (Agitágueda e Pai Natal) e, acrescento eu, para além do efémero, da imagem e dos pedidos de relatórios financeiros (necessários) sobre os custos das obras e dos eventos.
A nova colunista centra o seu artigo na cidade, sem falar das freguesias que também precisam de preencher alguns “vazios”, mas lança um debate positivo, sugerindo o que todos concordam - como a criação de “espaços verdes e zonas de fruição comum, habitação municipal a custos controlados, recuperação do edifício devoluto e dinamização do comércio tradicional” – mas que poucos ousam dizer como fazer!
E ninguém questiona porque não há uma primeira página com a pergunta: o que é feito do projetado e tão badalado “Museu da Industria de Águeda”?
Infelizmente, a notícia não é a inauguração prevista do novo Mercado Municipal, mas o estudo que “aponta para mais de 281 mil euros em custos anuais”!
Também foi assim com o Centro de Artes de Águeda, que hoje é uma referência no país.
Vivemos numa sociedade do imediato, do escandaloso, do acessório, do ruído surdo, da gritaria insuportável, da falta de memória, da falta de projetos de futuro ou de futuros alternativos, da falta de respeito pelo outro e pela diferença, da ausência de debate sério sobre as questões da “cidade” (polis).
FISCALIDADE E ARRENDAMENTOS: AS NOVAS REGRAS PARA A HABITAÇÃO
A fiscalidade dos rendimentos prediais atravessa uma importante transformação, na sequência das alterações legislativas destinadas a promover o arrendamento habitacional e a aumentar a oferta de habitação. O Decreto-Lei n.º 97/2026 criou um novo enquadramento fiscal, procurando conciliar o interesse dos proprietários com a necessidade de disponibilizar habitação a preços mais acessíveis. Entre as principais novidades encontram-se a aplicação de uma taxa autónoma de IRS de 10% a determinados rendimentos prediais e a criação do Regime Simplificado de Arrendamento Acessível (RSAA).
A aplicação da taxa de 10% constitui uma das alterações mais relevantes. O regime aplica-se aos rendimentos prediais decorrentes de contratos de arrendamento destinados exclusivamente à habitação, desde que cumpridas as condições previstas na lei, nomeadamente quanto ao valor da renda. Para 2026, considera-se moderada a renda mensal que não exceda 2,5 vezes a retribuição mínima mensal, correspondente a 2.300 euros. Para os contratos abrangidos, a tributação do rendimento predial é efetuada à taxa autónoma de 10%, salvo se for aplicável uma taxa mais favorável. O regime produz efeitos relativamente aos rendimentos auferidos até 31 de dezembro de 2029.
Mas a nova arquitetura fiscal não se limita à redução da tributação. O legislador criou também o RSAA, em vigor desde 1 de setembro de 2026, procurando associar um benefício fiscal mais expressivo à prática de rendas acessíveis. Cumpridas as condições previstas no regime, os rendimentos prediais dos contratos abrangidos ficam isentos de IRS ou IRC. Em contrapartida, a renda fica sujeita aos limites definidos pelo RSAA, tendo por referência 80% da mediana dos valores de renda por metro quadrado apurada para o respetivo concelho.
Surge, naturalmente, uma questão prática para o pequeno senhorio: será mais vantajoso optar pelo RSAA ou pela taxa de 10%? Não existe uma resposta única. Se a renda que o mercado permite obter estiver próxima do limite definido pelo RSAA, a isenção total de imposto poderá compensar a redução da renda. Se, pelo contrário, o imóvel permitir uma renda significativamente superior, dentro do limite de 2.300 euros em 2026, a tributação a 10% poderá revelar-se mais atrativa. A decisão dependerá, entre outros fatores, do valor da renda, dos custos associados ao imóvel e do horizonte temporal do investimento.
Esta comparação evidencia uma diferença importante entre os dois regimes. A taxa de 10% permite ao senhorio manter uma maior liberdade na definição da renda, desde que respeitado o limite legal, mas implica tributação sobre o rendimento. O RSAA exige o cumprimento de condições específicas e a prática de uma renda enquadrada nos seus limites, mas, em contrapartida, proporciona uma isenção integral de IRS ou IRC. O proprietário passa, assim, a ter de ponderar não apenas a taxa de imposto, mas o equilíbrio entre o valor da renda e o benefício fiscal obtido.
As alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 97/2026 representam, deste modo, uma mudança significativa no enquadramento fiscal do arrendamento habitacional. A fiscalidade assume uma função que ultrapassa a mera arrecadação de receita, procurando também incentivar determinadas decisões dos proprietários e aumentar a oferta de habitação.
A questão será agora avaliar a eficácia destas medidas: se os benefícios fiscais conseguem traduzir-se em mais oferta de habitação e em rendas mais acessíveis, conciliando o interesse do senhorio com o objetivo da política habitacional.
UNIVERSIDADE OU POLITÉCNICO? O EMPREGO NÃO QUER SABER
Agora que os estudantes do ensino superior já voltaram às universidades, que a polémica dos exames nacionais e a guerra dos rankings dos cursos baseados nas médias de acesso já acalmaram, é altura de voltar ao tema do acesso ao ensino superior e das escolhas que, todos os anos, estudantes e famílias fazem sobre que caminho seguir quando decidem frequentar um curso superior.
Muitos dirão que agora não é altura para isso, só lá mais para o final do ano lectivo. Pois, por experiência, permitam-me discordar. Agora é que é o momento, quando se inicia um novo ciclo, e não quando o ciclo está a terminar. Agora é que é o momento para reflectir calmamente, e não quando o ruído é tanto que nem nos ouvimos pensar.
É incontornável, e legítimo diga-se, pensar no curso a seguir na óptica do retorno que se poderá ter no final do percurso; pensar a escolha do curso como um recurso que nos poderá dar mais e melhores oportunidades no mercado de trabalho. Mas a questão “que curso escolher” vem quase sempre acompanhada por outras como “que universidade?”, “universidade ou politécnico?”, “público ou privado?”.
Para ajudar nesta tarefa difícil, um estudo da Fundação Belmiro de Azevedo sobre os diplomados e o mercado de trabalho dá-nos dados esclarecedores, baseados na realidade, e sem o viés dos nossos pré-conceitos. E alguns deles serão até surpreendentes.
Em primeiro lugar, a área de estudo é o que mais influencia o sucesso no mercado de trabalho. Cursos relacionados com Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção têm mais probabilidade de emprego (10% mais) que outras áreas. Outro factor que influencia aquele sucesso (embora este deva ser trabalhado depois de ingressar) é a média de conclusão, com estudantes com melhores médias a terem mais probabilidade de emprego.
Curiosamente, o ter ou não mestrado é um factor relevante, sobretudo durante o primeiro ano após o fim da formação, mas ao fim de 5 anos essa relevância desaparece. Ou seja, o mestrado é um trunfo na entrada no mercado de trabalho, mas depois disso, haverá outros factores que contam mais.
Curiosamente, factores sempre tão calorosamente discutidos, como se a instituição é universidade ou politécnico, ou se é pública ou privada, não tem relevo para a probabilidade de emprego, a 1 ou a 5 anos após o fim da formação. O preconceito tantas vezes presente de que estudar numa universidade pública é melhor que estudar num politécnico ou numa universidade privada não tem qualquer suporte na realidade, pelo menos no que diz respeito ao sucesso na entrada no mercado de trabalho.
Por isso, o conselho é simples: se está envolvido (ou vai estar) nesta escolha, para além das questões financeiras, pondere sobretudo a área do curso em que vai apostar. Se é universitário ou politécnico, público ou privado, é pouco relevante. A pressão social pode ser difícil de gerir (afinal de contas, estudar numa universidade é mais bem visto numa conversa de amigos), mas lembre-se: não é a pressão social que lhe vai arranjar emprego.
O LEGADO INDUSTRIAL E A ALMA URBANA DE ÁGUEDA
A história de Águeda é uma história de trabalho, de audácia e de superação. Aqui construiu-se uma tradição industrial exemplar, um motor económico que há muito nos afirma como um símbolo de inovação, determinação e produtividade. Em simultâneo, demonstrámos uma capacidade ímpar de celebrar: no Agitágueda e no Natal enchemos as nossas ruas de cor, atraímos milhares de visitantes e afirmamos uma cidade viva, criativa e cosmopolita. Um percurso de êxito que demonstra a coragem de quem soube arriscar.
A pergunta que o presente nos impõe é: o que resta no nosso tecido urbano quando os guarda-chuvas se recolhem e as luzes se apagam? Permanece uma outra realidade. Lado a lado com a força industrial e a vitalidade dos eventos, encontramos fachadas marcadas pelo tempo e vazios urbanos degradados no centro da cidade.
É neste ponto que precisamos de aplicar a mesma ambição que nos tornou reconhecidos. Regenerar o centro urbano não é uma questão meramente estética: é uma questão de coesão social, de valorização do património, de habitação e de qualidade de vida. É criar uma cidade que não seja um cenário temporário, mas um lugar onde as pessoas queiram viver e permanecer.
A esfera pública deve assumir a liderança deste processo, criando as condições para que o setor privado possa também participar e investir. Cabe ao município definir linhas de orientação claras, criar os instrumentos adequados e estabelecer um quadro de incentivos e regras que mobilize a iniciativa privada. Isso passa por dar uma nova função aos vazios urbanos, criando parques verdes e zonas comuns de fruição, promover habitação municipal a custo controlado, estimular a recuperação do edificado devoluto e devolver dinâmica ao comércio tradicional.
Não se trata de negar ou criticar o caminho percorrido, mas de ter a ambição de ir mais longe - e o desafio que temos pela frente exige coragem e uma visão integrada de futuro.
Uma cidade que soube liderar e surpreender em diversos sectores tem a obrigação de ter a mesma audácia na regeneração do seu espaço urbano. Águeda tem a história, tem a capacidade técnica e tem a força de trabalho. O futuro do nosso centro urbano não pode ser apenas uma expectativa para o amanhã — é uma exigência que se constrói no presente.

Nota: A Aguedense Mariana Ferreira dos Santos inicia com este texto a colaboração com Soberania do Povo. Locus remete para o lugar e para a identidade, e o sentido da cidade traduz o propósito, memória e bem-estar humano no espaço urbano da nossa cidade. Será uma reflexão mensal, técnica e humanista que cruza o urbanismo e o património com a coesão social, tendo Águeda como um modelo de desenvolvimento e debate cívico.
NÃO PERCA O RITMO - DIA MUNDIAL DO CORAÇÃO
No dia 29 de setembro assinala-se o Dia Mundial do Coração, uma data que nos lembra a importância de cuidar deste órgão essencial e de adotar hábitos que contribuam para uma vida mais saudável. As doenças cardiovasculares continuam a ser uma das principais causas de morte em todo o mundo. A boa notícia é que muitos destes problemas podem ser prevenidos.
O tema deste ano, «Não perca o ritmo», é um convite à ação e lembra-nos que cuidar do coração é uma tarefa de todos. Não depende apenas dos profissionais de saúde, mas também das escolhas que fazemos todos os dias e das condições que temos à nossa volta para viver de forma mais saudável.
Uma alimentação variada e equilibrada, a prática frequente de atividade física, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool e manter um peso adequado são alguns dos cuidados que podem ajudar a reduzir o risco de doença cardiovascular. É igualmente importante controlar a tensão arterial, o colesterol e a diabetes, fazer os exames recomendados e seguir as orientações dos profissionais de saúde.
Cerca de 80% dos casos de doença cardíaca e de acidente vascular cerebral (AVC) podem ser prevenidos. Por isso, não devemos esperar pelo aparecimento de problemas para começar a cuidar do coração. Conhecer os nossos fatores de risco, manter hábitos saudáveis e procurar ajuda quando algo não está bem pode evitar complicações e, em alguns casos, salvar vidas.
Cuidar do coração é também uma responsabilidade de toda a comunidade. Famílias, escolas, empresas e autoridades podem contribuir para criar ambientes onde seja mais fácil fazer escolhas saudáveis, praticar atividade física, não fumar e ter acesso aos cuidados de saúde.
Neste Dia Mundial do Coração, fica o desafio: não perca o ritmo. Pequenas mudanças, feitas todos os dias e mantidas ao longo do tempo, podem fazer uma grande diferença na saúde do coração e ajudar-nos a viver mais e melhor, com mais saúde, autonomia e qualidade de vida. Afinal, mais vale prevenir do que remediar.

(*) Unidade de Cuidados na Comunidade Grei de Águeda
UM LUSO DESCENDENTE RESPONSÁVEL?
Sábado, dia 5 de setembro, a Torre Eiffel, monumento emblemático da França, foi palco de um episódio de sexismo. Uma delegação do movimento hindu BAPS — um movimento apoiado pelo primeiro-ministro da Índia e extremamente rico — encontrava-se em Paris para a inauguração do maior templo hinduísta da Europa, construído em Bussy-Saint-Georges, não muito longe do parque Disneylândia, e visitava a Torre Eiffel.
O pedido da delegação para que não houvesse mulheres presentes foi atendido, e cerca de vinte funcionárias da Torre Eiffel foram obrigadas a deixar o seu lugar a colegas homens. Humilhadas, decidiram entrar em greve e, na segunda-feira, a Torre Eiffel ficou fechada.
Na pátria da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que, como é evidente, inclui os direitos das mulheres, o incidente causou grande comoção. A SETE (Sociedade de Exploração da Torre Eiffel) pediu desculpas e assegurou que iria investigar o caso.
Entretanto, a mídia deu a entender que teria sido o próprio Executivo, que vende aviões de guerra à Índia, a dar a ordem para que o pedido da delegação fosse atendido. O diretor-geral da SETE, Patrick Branco Ruivo, alto funcionário e lusodescendente, declarou que a direção nunca tinha pedido, nem sequer pensado em pedir, às funcionárias que se escondessem. Reconheceu, no entanto, a adaptação do dispositivo ao pedido da delegação hindu.
Com um pouco mais de honestidade e sem aquilo a que os franceses chamam «langue de bois» (um discurso político hipócrita e vazio), teria reconhecido que, sim, as mulheres tinham sido afastadas a pedido da delegação hinduísta — o que é perfeitamente intolerável, tendo em conta que, para além dos direitos do homem e do cidadão, o primeiro artigo da Constituição francesa estabelece que a França é uma República indivisível, laica, democrática e social. A laicidade implicava, portanto, que não se desse seguimento ao pedido de afastamento das mulheres por motivos religiosos.
Mais uma vez se vê que a sociedade francesa está a conhecer uma evolução perigosa no que diz respeito aos direitos das mulheres. Mais uma vez se vê que os princípios são muito frágeis perante o poder do dinheiro.
É pena que o responsável tenha ligações a Portugal. Talvez esteja, todavia, a servir de bode expiatório para proteger outros colocados mais acima na pirâmide do poder.
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OPINIÃO | Carlos Abrantes | A Coreia do Norte é fixe
Quando disse aos meus amigos que ia de férias para a Coreia do Norte a reacção não se fez esperar. Para a Coreia do Norte? Tens a certeza que queres ir para a Coreia do Norte? E ficavam a olhar para mim com aquele ar compadecido de quem acha que eu tinha perdido o tino. Com tantos destinos de sol e mar, com Mediterrâneo e Caraíbas, com Brasil e Tailândia eu escolhera a Coreia do Kim Jong-Un, Mr. Rocket Man!
E foi uma óptima escolha.
Aconselho aos ambientalistas do PAN, tão na moda, e aos amantes das grandes causas politicamente correctas, uma estadia naquele paraíso ambiental. Não sofrerão com os engarrafamentos das grandes metrópoles capitalistas porque em Pyongyang, a capital, praticamente não circulam automóveis, nem camiões, nem autocarros. Emissões de carbono zero, ou quase.
Em contrapartida vê-se muita gente a pé, a caminho do trabalho ou de lado nenhum, promovendo um estilo de vida saudável, sem complicações cardiovasculares ou de diabetes. À excepção do “querido líder”, não vi gordos. Uma vitória do povo norte coreano que, desse modo, pode dispensar a existência de serviço nacional de saúde.
Também o regime alimentar muito frugal, pobre em hidratos de carbono, proteínas, gorduras e açúcares, com consumo de carnes vermelhas zero, é um exemplo para o mundo. Daí que seja seguido de perto pela comunidade científica, nomeadamente pela Universidade de Coimbra que, numa atitude pioneira e esclarecida decretou a proibição do consumo de carne de bovino nas cantinas estudantis.
Há, no entanto, um “mas” que perturbará os nossos amigos do PAN. Os Norte coreanos gostam, e consomem, carne de cão. Em ocasiões especiais, é certo, mas comem cão. Sopa de cão, cão guisado, cão frito, mil maneiras de cozinhar cão... Tal como o PAN eles também gostam de animais. Têm uma forma diferente de gostar, mas que gostam, gostam!
E gostam também dos líderes. Não os comem, porque não podem, mas têm um carinho especial pelos líderes. Erguem-lhes estátuas monumentais. Aos três – ao avô, ao pai e ao filho. Uma democracia, nas palavras de Bernardino Soares, transmissível de pais para filhos.
É tudo em grande! São enormes as estátuas, os cemitérios, os edifícios públicos, as bibliotecas, os museus, ou os estádios. E os espectáculos e as manifestações populares de apoio, ou de pesar. E as auto-estradas, ah as auto-estradas! Com três pistas em cada sentido, viajei a partir de Pyongyang para sul até ao paralelo 38 e para norte até Myohyang. Um espanto! Sem portagens nem congestionamentos, sem aselhas nem chico-espertos. Centenas de quilómetros sem um sobressalto ou um acidente. Havia, é certo, o problema do piso esburacado e das lombas, dos peões e das cabras, das bicicletas e dos controles militares, mas fora isso era maravilhoso.
Que sossego, que segurança.
Não admira que me tenha sentido muito seguro. É fácil quando cumprimos as regras, e as regras eram claras. Podíamos circular livremente dentro do hotel. Fora do perímetro do hotel, que estava estrategicamente implantado numa pequena ilha, teríamos de estar SEMPRE acompanhados pelos nossos guias locais.
A Coreia do Norte é fixe, mas nas minhas próximas férias vou para um país democrático. Para desenjoar!
- CARLOS ABRANTES

Quando a governança vira cartel - Parte V
Mostramos, antes de terminar esta rubrica, as 13 baixas de Ministros e Secretários de Estado deste governo da maioria absoluta do Partido Socialista (PS):
1 - Sara Guerreiro, Secretaria de Estado da Igualdade e Migrações – Baixa em 2-5-2022.
2 - Marta Temido, Ministra da Saúde - Baixa em 30-08-2022.
3 - Fátima Fonseca, Secretária de Estado da Saúde - Baixa em 30-8-2022.
4 - António Lacerda Sales, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde - Baixa em 30-8-2022.
5 - Miguel Alves, Secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro - Baixa em 10-11-2022.
6 - Rita Marques, Secretária de Estado do Turismo - Baixa em 29-11-2022.
7 - João Neves, Secretário de Estado Adjunto e da Economia - Baixa em 29-11-2022.
8 - Alexandra Reis, Secretária de Estado do Tesouro - Baixa em 27-12-2022.
9 - Marina Gonçalves, Secretária de Estado da Habitação - Baixa em 29-12-2022.
10 - Pedro Nuno Santos, Ministro das Infraestruturas e da Habitação - Baixa em 29-12-2022.
11 - Hugo Santos Mendes, Secretário de Estado das Infraestruturas - Baixa em 29-12-2022.
12 - Rui Martinho, Secretário de Estado da Agricultura - Baixa em 4-1-2023.
13 - Carla Alves, Secretária de Estado da Agricultura - Baixa em 5-1-2023.
Tinha razão o Costa quando pediu a maioria absoluta.
O Marajá de São Bento nem precisa, sequer, de negociar à esquerda ou à direita para se tornar num autêntico rei-sol. O Estado sou eu!
Economia: Tortec inaugurou primeira fábrica no Parque Empresarial do Casarão
A Tortec - Tornearia e Peças Técnicas, do Grupo Ciclo-Fapril, inaugurou, na passada sexta-feira, dia 4 de Dezembro, as suas novas instalações no Parque Empresarial do Casarão e será a primeira empresa a instalar-se no novo polo industrial do município.
Carla Santos, directora financeira da Ciclo-Fapril, começou por relevar o desempenho do presidente do município, Gil Nadais, e do seu executivo, que, “em bom rigor, foram os impulsionadores por termos aqui edificado as instalações da Tortec”.
“Mais do que o projecto Tortec, há que enaltecer o esforço e a determinação do presidente da Câmara em fazer de Águeda uma cidade de indústria, de academia e de turismo”, salientou Carla Santos.
“Muito nos honra estar a viver este momento histórico de viragem na dinâmica industrial de Águeda, pois com toda a certeza o concelho vai reflectir a criação de valor que as empresas aqui instaladas vão gerar”, observou a directora financeira da Ciclo-Fapril.
Carla Santos considerou que o facto da Tortec ter sido a primeira empresa a edificar no Parque Empresarial do Casarão, resultou em “dificuldades acrescidas”, sublinhando, em particular, o desempenho do administrador Samuel Santos e do sócio Vitor Antunes, e de “todos os que nos ajudaram a realizar este projecto”.
“Aos nossos colegas de trabalho, esperamos que o transtorno da mudança (que será concretizada na segunda quinzena deste mês) seja superado pelo conforto que estas instalações vos venham a proporcionar. Sabemos que estão motivados com o nosso projecto de trabalho e contamos convosco para dar alma a este edifício”, sublinhou Carla Santos.

Dia muito especial
para Gil Nadais
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Gil Nadais, referiu-se a “um dia, muito, muito especial”, considerando que o Parque Empresarial do Casarão foi um projecto “muito sofrido, muito laborioso e só possível graças à colaboração de muitas pessoas”, destacando o trabalho “inexcedível” do aguadense António Figueira, e o desempenho “fundamental” do vereador João Clemente.
O autarca lembrou que “foram adquiridos mais de um milhão de metros quadrados de terrenos” e anunciou que “mais empresas pretendem vir para o Parque Empresarial do Casarão”, pelo que será necessário adquirir mais terrenos.
Gil Nadais anunciou que “o LIDL irá começar a construir, em 2016”, o seu entreposto logístico, e que durante o próximo ano estarão concluídas as estruturas da Triangle´s e da Sakthi (primeiro pavilhão), para relevar um projecto que, disse, “me custou, pessoalmente, alguns comentários mais acintosos”.



Jorge Almeida está esperançado em "derrotar" a Socibeiral no Tribunal
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, mostrou-se confiante no diferendo judicial que opõe a autarquia à Socibeiral, relativo à construção de uma central de betão e betuminoso no Parque Empresarial do Casarão (PEC).

O líder do município foi confrontado, na passada segunda-feira, em sede de Assembleia Municipal, pelo líder da bancada do Partido Socialista (PS), José Marques Vidal, que pretendeu saber em que ponto se encontra o processo, que corre, há vários meses, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro.
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Pai Natal gigante de Águeda é candidato a maior do mundo
Um Pai Natal com 21 metros de altura e 250 mil lâmpadas LED de baixo consumo (24 volts), instalado no Largo 1º. de Maio, é a grande atracção da época natalícia, em Águeda.
O município pretende alcançar o reconhecimento pela instalação do “Maior Pai Natal do Mundo em LED's”, assente numa estrutura em alumínio, com altura de sete andares, forrada a tapy.
Para validar e confirmar a obtenção do recorde, será necessária a deslocação a Águeda de um juiz do Guinness World Records, no sentido de verificar todas as características da infraestrutura e de deliberar acerca da atribuição do recorde.
Os custos inerentes a esta candidatura, aprovada ontem (abstenção de Paula Cardoso e voto contra de Miguel Oliveira), dia 1, na reunião do executivo, são de aproximadamente 10.000 euros.
O Pai Natal, sentado numa caixa de presente de 9 por 12 metros, pode ser visitado até ao dia 11 de Janeiro, e a sua instalação obrigou a um investimento de 49.200 euros.
No passado sábado, 28 de Novembro, o presidente do município, Gil Nadais, deu luz às estruturas espalhadas pela cidade que assinalam o Natal, num momento acompanhado por centenas de pessoas.






Samuel Vilela no Conselho Nacional de Juventude
Samuel Vilela, presidente da JSD de Águeda, foi nomeado para a direcção do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), assumindo a pasta das Relações Internacionais e a representação nacional junto de instâncias europeias e internacionais.
O CNJ é a plataforma representativa das organizações de juventude a nível nacional, abrangendo as mais diversas expressões do associativismo juvenil (culturais, estudantis, partidárias, ambientais, escutistas, sindicalistas e confessionais).
Samuel Vilela, de 26 anos, encontra-se a frequentar um programa de Doutoramento na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e conta já com uma vasta experiência ao nível associativo e político.
Já presidiu ao Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais, foi vice-presidente da Associação Académica de Coimbra e membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra.
James Arthur está confirmado no Agitágueda 2015
O Agitágueda deste ano vai ter lugar de 4 a 26 de Julho, estando já confirmados os concertos dos D.A.M.A. (dia 4 de Julho), Paulo Gonzo (11), Selah Sue (17), Jimmy P (24) e James Arthur (26), cuja contratação foi aprovada na reunião camarária de ontem, dia 7 de Abril. O executivo aprovou, também, a contratação dos serviços de vigilância e segurança, com ajuste directo à empresa Protek, e o regulamento de participação nos Talentos Agitágueda.