Nelson Leal .. Voz do Cidadão
A ECONOMIA DE GUERRA E GUERRA PELA ECONOMIA
01 de julho de 2026A História descreve as guerras, mas são as guerras que escrevem a História.
O mais elementar senso comum aconselharia os dirigentes mais poderosos do mundo a enveredarem pela paz, como caminho seguro para o progresso da Humanidade. Mas não é assim. As guerras florescem e a morte vai-se tornando pandémica. Será que anda tudo louco? Ou serão esses dirigentes aconselhados pela negra e invisível “inteligência”, pelos algoritmos económicos ou até pela IA a procurarem os caminhos da guerra, sacrificando as gerações de hoje em nome do poder político e económico acrescido do amanhã? Terá hoje, a ética, ainda algum significado?
A economia de guerra gera sempre grandes discussões e os números alimentam-nas. Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA encomendaram 519 milhões de pares de meias e 219 milhões de calças, excelente notícia para a indústria têxtil. Por essa altura, a Alemanha nazi, de matriz mais burocrática, terá encomendado 4,4 milhões de tesouras e 6,2 milhões de almofadas para carimbos. Se tivesse encomendado 519 milhões de pares de meias e 219 milhões de calças, talvez tivesse mais sucesso no seu Inverno russo de 1941 e 1942. A guerra dinamiza de forma brutal tanto a morte, como a produção.
Os políticos vivem assombrados pelos gráficos e pelo PIB. É aí que ganham e perdem eleições. E na guerra? Se a URSS, no período inicial da Segunda Guerra Mundial, perdeu 20% do PIB, em 1944 cresceu 15%. Os EUA, longe daqueles palcos sangrentos, teve outros resultados. Em 1941 cresceu 17%, em 42, 19%, em 43, 17% e em 44, 8%. Mesmo na Ucrânia, em plena guerra, em 2025, o seu PIB registou um crescimento real de 2% e na Rússia, em 2024, de 4,3% (para 2025 previa-se, no entanto, uma queda acentuada desse crescimento). O crescimento económico depende, em larga medida, do investimento público, que é superlativo em tempos de guerra e que tem como muletas o complexo militar-industrial e a reconstrução.
Naturalmente que existe o outro lado da moeda, que é o crescimento da divida pública consequente. No período da segunda guerra a divida pública russa passou de 60 mil milhões de rublos em 1942 para 150 mil milhões, em 45 e a dos EUA, no mesmo período, de72 mil milhões de dólares, para 259 mil milhões. Preocupante? Responde Trump: “adoro a inflação”.
Esta guerra Irão – EUA teve um desenlace estranho, mas talvez não inesperado. Segundo rezam as crónicas sobre o tal Memorando de Entendimento, os americanos acalmaram a ira religiosa fundamentalista dos ayatollhas, com a garantia de um fundo de investimento regional de 300 mil milhões na economia iraniana. E se não houvesse esta guerra? Haveria no Irão mais instabilidade interna, maior fragilidade do regime, uma economia em rutura, o estreito de Ormuz continuaria tranquilo e o mundo um pouco mais sonolento. E os EUA, o farol do mundo, continuariam a iluminar o planeta (dizem…). Mas os negócios exigiam mais, muito mais. Exigiam guerra!
Nunca vale a pena uma guerra, porque a vida humana não é descartável. Escreveu assim Maquiavel: “Dê-se poder ao homem e descobrir-se-à quem ele realmente é”. A democracia só será funcional, se for transparente. Esta democracia é cada vez menos transparente, emergindo da sua opacidade estas guerras brutais encomendadas que vão assolando a humanidade desde as planícies do Dombass até às areias escaldantes do Médio Oriente.
São os tiranos que decidem as guerras, mas são as democracias que elegem esses tiranos.
O mais elementar senso comum aconselharia os dirigentes mais poderosos do mundo a enveredarem pela paz, como caminho seguro para o progresso da Humanidade. Mas não é assim. As guerras florescem e a morte vai-se tornando pandémica. Será que anda tudo louco? Ou serão esses dirigentes aconselhados pela negra e invisível “inteligência”, pelos algoritmos económicos ou até pela IA a procurarem os caminhos da guerra, sacrificando as gerações de hoje em nome do poder político e económico acrescido do amanhã? Terá hoje, a ética, ainda algum significado?
A economia de guerra gera sempre grandes discussões e os números alimentam-nas. Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA encomendaram 519 milhões de pares de meias e 219 milhões de calças, excelente notícia para a indústria têxtil. Por essa altura, a Alemanha nazi, de matriz mais burocrática, terá encomendado 4,4 milhões de tesouras e 6,2 milhões de almofadas para carimbos. Se tivesse encomendado 519 milhões de pares de meias e 219 milhões de calças, talvez tivesse mais sucesso no seu Inverno russo de 1941 e 1942. A guerra dinamiza de forma brutal tanto a morte, como a produção.
Os políticos vivem assombrados pelos gráficos e pelo PIB. É aí que ganham e perdem eleições. E na guerra? Se a URSS, no período inicial da Segunda Guerra Mundial, perdeu 20% do PIB, em 1944 cresceu 15%. Os EUA, longe daqueles palcos sangrentos, teve outros resultados. Em 1941 cresceu 17%, em 42, 19%, em 43, 17% e em 44, 8%. Mesmo na Ucrânia, em plena guerra, em 2025, o seu PIB registou um crescimento real de 2% e na Rússia, em 2024, de 4,3% (para 2025 previa-se, no entanto, uma queda acentuada desse crescimento). O crescimento económico depende, em larga medida, do investimento público, que é superlativo em tempos de guerra e que tem como muletas o complexo militar-industrial e a reconstrução.
Naturalmente que existe o outro lado da moeda, que é o crescimento da divida pública consequente. No período da segunda guerra a divida pública russa passou de 60 mil milhões de rublos em 1942 para 150 mil milhões, em 45 e a dos EUA, no mesmo período, de72 mil milhões de dólares, para 259 mil milhões. Preocupante? Responde Trump: “adoro a inflação”.
Esta guerra Irão – EUA teve um desenlace estranho, mas talvez não inesperado. Segundo rezam as crónicas sobre o tal Memorando de Entendimento, os americanos acalmaram a ira religiosa fundamentalista dos ayatollhas, com a garantia de um fundo de investimento regional de 300 mil milhões na economia iraniana. E se não houvesse esta guerra? Haveria no Irão mais instabilidade interna, maior fragilidade do regime, uma economia em rutura, o estreito de Ormuz continuaria tranquilo e o mundo um pouco mais sonolento. E os EUA, o farol do mundo, continuariam a iluminar o planeta (dizem…). Mas os negócios exigiam mais, muito mais. Exigiam guerra!
Nunca vale a pena uma guerra, porque a vida humana não é descartável. Escreveu assim Maquiavel: “Dê-se poder ao homem e descobrir-se-à quem ele realmente é”. A democracia só será funcional, se for transparente. Esta democracia é cada vez menos transparente, emergindo da sua opacidade estas guerras brutais encomendadas que vão assolando a humanidade desde as planícies do Dombass até às areias escaldantes do Médio Oriente.
São os tiranos que decidem as guerras, mas são as democracias que elegem esses tiranos.

