Luis Gonzaga Grego
A VIVENDA LOURENÇO
27 de maio de 2026O Filinto Elísio Martins indicou-me que se convocava a memória daqueles que partiram e dos doentes, rezando pelas almas e pedindo pelos vivos.
No ritual do sacrifício do porco.
As crianças pediam a bênção aos mais velhos. A identidade nossa enquanto povo respeita a idade como critério de distinção social. O tempo do mais velho.
Somos europeus, portugueses, fruto da luta contra a pobreza, por causa de um talismã, o porco. A cristandade venceu o islão e o judaísmo ao apropriar-se do porco. Do séc. XV ao séc. XVIII foi a base proteica de todos nós.
O Luís Noronha está cá, mas também o Fortunato Mariano Alves.
Uma vitória magnífica do mais forte de nós.
O nosso mundo é uma história de amor entre homens, de respeito, de solidariedade, de um passado sempre presente a confirmar que os meninos de ontem são os homens de hoje.
Em finais do ano passado a ideia começou a ganhar forma. Falámos com a Amália cujas condições foram aceites com agrado: respeitar a tradição, fazer como os nossos avós faziam.
A mensagem era que ninguém ficaria para trás, somos todos um.
Do porco saíram as carnes todas aproveitadas. Num primeiro tempo o sarrabulho no sangue do próprio dia, com alho e salsa, no dia seguinte juntou-se a batata.
O João Oliveira era um menino de novo, a simplicidade dos grandes.
O Tocha, o Óscar, o Fernando Alves e o Seara voltavam às origens, aos tempos de criança, felizes. Era vê-los como se tivessem ganho um brinquedo novo.
O Nobre, o Silvério e o o Jorge Élio estavam no ambiente deles, um vinho do lavrador que o Jorge trouxe, tinto e bom. O filho Jorge também por lá passou, os filhos são nossos, somos nós um dia mais tarde.
Todos participámos nas várias etapas mas o trabalho da Amália e da Tina foi muito, foi demasiado. Uma lição para o futuro. Na próxima fica a Amália a comandar e nós a trabalharmos.
Não conhecia o Serra pessoalmente mas já todos percebemos que é o homem certo no lugar certo, encomendar a alma do bácoro ao criador, a mestria do saber fazer, um homem que foi mais um de nós.
O Mestre Silva e o Dr. Pimenta Simões elevaram o repasto a um nível superior. É sempre bom a presença de quem admiramos, um pai para todos nós,
O Santiago, do alto na sua adolescência, conviveu com estes garotos, estes miúdos sexagenários que lhe encheram a casa mas notei a satisfação por todos nós.
Ao Agostinho Gomes uma palavra final. Sabes da minha e nossa admiração por ti. Um fotógrafo de excelência, a inteligência pura, um homem e amigo que nos faz sentir mais perto do Céu.
O espaço redentor das memórias, que perdurarão, é do António Lourenço. Há pessoas que desde a primeira vez que as vimos parece que conhecemos há décadas. Um homem bom. Um pai e um marido mas um compincha e parceiro na sueca!
A vida é tão boa naquela casa, na vivenda Lourenço, tão boa que até jogamos às cartas e aos matrecos!
Bem hajam!
E já houve um arroz de fressura, prepara-se um cozido e há carnes para podermos ter mais um motivo para continuarmos a ser os miúdos de sempre.
Ao Paulo Lourenço, obrigado amigo. De todos.
Obrigado por me fazerem um homem feliz.
Uma palavra final para aqueles que por diversas razões não puderam comparecer: somos todos um.
O arroz doce da Amália. Já levei muitas coisas à boca, (o Cajó de Noronha sabe daquilo que falo) mas este arroz...
O autor escreve segundo
o antigo Acordo Ortográfico.
No ritual do sacrifício do porco.
As crianças pediam a bênção aos mais velhos. A identidade nossa enquanto povo respeita a idade como critério de distinção social. O tempo do mais velho.
Somos europeus, portugueses, fruto da luta contra a pobreza, por causa de um talismã, o porco. A cristandade venceu o islão e o judaísmo ao apropriar-se do porco. Do séc. XV ao séc. XVIII foi a base proteica de todos nós.
O Luís Noronha está cá, mas também o Fortunato Mariano Alves.
Uma vitória magnífica do mais forte de nós.
O nosso mundo é uma história de amor entre homens, de respeito, de solidariedade, de um passado sempre presente a confirmar que os meninos de ontem são os homens de hoje.
Em finais do ano passado a ideia começou a ganhar forma. Falámos com a Amália cujas condições foram aceites com agrado: respeitar a tradição, fazer como os nossos avós faziam.
A mensagem era que ninguém ficaria para trás, somos todos um.
Do porco saíram as carnes todas aproveitadas. Num primeiro tempo o sarrabulho no sangue do próprio dia, com alho e salsa, no dia seguinte juntou-se a batata.
O João Oliveira era um menino de novo, a simplicidade dos grandes.
O Tocha, o Óscar, o Fernando Alves e o Seara voltavam às origens, aos tempos de criança, felizes. Era vê-los como se tivessem ganho um brinquedo novo.
O Nobre, o Silvério e o o Jorge Élio estavam no ambiente deles, um vinho do lavrador que o Jorge trouxe, tinto e bom. O filho Jorge também por lá passou, os filhos são nossos, somos nós um dia mais tarde.
Todos participámos nas várias etapas mas o trabalho da Amália e da Tina foi muito, foi demasiado. Uma lição para o futuro. Na próxima fica a Amália a comandar e nós a trabalharmos.
Não conhecia o Serra pessoalmente mas já todos percebemos que é o homem certo no lugar certo, encomendar a alma do bácoro ao criador, a mestria do saber fazer, um homem que foi mais um de nós.
O Mestre Silva e o Dr. Pimenta Simões elevaram o repasto a um nível superior. É sempre bom a presença de quem admiramos, um pai para todos nós,
O Santiago, do alto na sua adolescência, conviveu com estes garotos, estes miúdos sexagenários que lhe encheram a casa mas notei a satisfação por todos nós.
Ao Agostinho Gomes uma palavra final. Sabes da minha e nossa admiração por ti. Um fotógrafo de excelência, a inteligência pura, um homem e amigo que nos faz sentir mais perto do Céu.
O espaço redentor das memórias, que perdurarão, é do António Lourenço. Há pessoas que desde a primeira vez que as vimos parece que conhecemos há décadas. Um homem bom. Um pai e um marido mas um compincha e parceiro na sueca!
A vida é tão boa naquela casa, na vivenda Lourenço, tão boa que até jogamos às cartas e aos matrecos!
Bem hajam!
E já houve um arroz de fressura, prepara-se um cozido e há carnes para podermos ter mais um motivo para continuarmos a ser os miúdos de sempre.
Ao Paulo Lourenço, obrigado amigo. De todos.
Obrigado por me fazerem um homem feliz.
Uma palavra final para aqueles que por diversas razões não puderam comparecer: somos todos um.
O arroz doce da Amália. Já levei muitas coisas à boca, (o Cajó de Noronha sabe daquilo que falo) mas este arroz...
O autor escreve segundo
o antigo Acordo Ortográfico.

