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DENIZ RAMOS, MEMÓRIA DA ILHA, 2025

01 de julho de 2026
Deniz Ramos traz a público, em boa hora, um livro de poesia, porventura a face mais oculta do escritor, extremamente interessante sob múltiplos aspectos. Desde logo, porque permite ver a evolução da sua poesia de 1969 a 1988.
Deste último ano, falaremos posteriormente de quatro conjuntos de poemas. Por agora vamos centrar-nos nos treze poemas dedicados à ilha de Moçambique, escritos em 1969, cada um deles numa só estrofe, com um número variável de versos (de onze a quinze), que primam pela sobriedade formal num estilo, por vezes, elíptico, mas suportado por um eficiente recurso aos códigos retóricos.
2. Neste primeiro segmento do livro em apreço deparamos com uma busca da memória daquilo que a ilha de Moçambique nela deixou, não obstante o poeta saber que «envelhece o fogo / na oficina da memória», onde há um «rumor de silêncios / larvando a pedra / rude do texto». O verbo “larvar” aponta para que o poema surge após a memória da ilha agir de forma oculta e produtiva na antecâmara das palavras, essa «crisálida» que o poeta desvela. Eis alguns exemplos: a lembrança do mar «ou apenas o mar / por dentro do poema / marulhando de sílabas / a noturna luz»; a lembrança do vento e das estrelas «Então quando / nada se move a asa a folha / a superfície líquida; / então o golpe / súbito / do vento flagelando / a haste desamparada» que cresceu na ilha onde «Estrelas humedeceram / em tuas águas.».
3. Queremos ainda chamar a atenção para dois aspectos deste conjunto de poemas. O primeiro prende-se com uma revisita ao amor em que o poeta proclama «que mais posso ousar / se vi a morte em meus olhos / e era nos teus / que morríamos / sobreviventes / da noite / que amanhece» e pergunta «saberás dos trilhos / nos passos ásperos / furtivos / sinais domésticos / abrindo-se / e no rumor ágil / envolvendo-nos?». E mais adiante pergunta à destinatária se ouve «a voz calcária / de um poeta / quem sabe se a minha / a enfurecer-se / em teu ventre?».
4. Por último, referimos duas breves reflexões de Deniz Ramos sobre a criação poética. A primeira explicitada nestes versos «Eis o verso suspenso / em sua haste; / ainda não a flecha no arco / reteso em seu limite; / antes o frémito / endurecendo os dedos / sobre a clave / onde o poema / endurece no chão / matricial.». A segunda, nestes: «cintilam anjos tutelares / na suave língua / das paredes salitradas; / partilho a presença / suspeita; / de novo a sílaba inicial.». Ou seja, Deniz Ramos considera que o poeta é um artesão (il miglior fabbro) bafejado pelo sopro de «anjos tutelares».
5. Antes de abordarmos dois excelentes exemplos de uma prática intertextual, com que finalizaremos este texto, seria injusto deixar sem qualquer alusão o poema “Imprecações em Voz Própria”, onde se inscreve uma pungente evocação de Camões, «Nem a pátria sobreviveu contigo / e morres cada dia na pedra de lioz». «Que nos valeu passar a Taprobana / se estamos irremediavelmente sós / nesta praia que contigo foi lusitana?».
Noutro segmento do livro em apreço, intitulado “Para a Memória Última da Ilha”, o poeta volta à temática da ilha de Moçambique num poema de cuja narratividade, esmaltada de imagens, aliterações, metáforas e metonímias, ressuma um lastro de desolação, numa referência indirecta à guerra colonial, em versos como estes: «Por sobre os abandonos, sobre a nudez / da pedra calcinada nas cantarias frias / estala súbito o cristal de mil mortes». Sublinho ainda que o poeta também lança um olhar sobre um melancólico tempo posterior em que na ilha, que surge personificada em mais do que um poema, «pulsa uma harpa de relva / a recuperar o sabor e o asco, bálsamo / permitido para as feridas recentes / que se ocultam em tuas espáduas.».
Em “Lamentações Junto aos Rios

Turvos”, um longo, complexo e belo poema, porventura o momento mais alto deste livro, poema em que Deniz Ramos institui um narratário interno (Quem será? Descubra o leitor), deparamos também com alusões à guerra colonial em versos que reflectem uma memória do passado e um propósito do presente. Exemplificando: «Aquece em tuas mãos o perfume tão fam\iliar / das feridas abertas»; «Tu viste o fogo e as searas de cinza, / o extermínio, o silêncio dos silêncios» (haverá silêncio maior do que o da morte?); «secaram os rios em teus flancos, / emudeceram plantas e azagaias»; «e, de novo, lavraremos  / o rosado orvalho das cicatrizes.».
6. Terminamos a apresentação de Memória da Ilha com um breve comentário sobre dois poemas “Novas Lamentações em outras Vozes” e “POST- SCRIPTUM, dois excelentes exercícios de intertextualidade em que Deniz Ramos se revela um leitor emérito, com uma extraordinária capacidade de absorver a poesia de outros poetas, de tal modo que ela como que fica a fazer parte do seu arcaz poético.
      O primeiro poema patenteia uma prodigiosa associação de versos de vários poetas, nacionais e estrangeiros, e de vários livros. Não é necessário percorrer o poema todo para provocarmos o espanto do leitor, basta termos em conta o início do poema, em que vamos identificar os autores dos versos.
«Morrendo, estamos morrendo, agora só nos resta / aceitar a morte, (David H. Lawrence) misturando a memória e o desejo, / atiçando as raízes inertes com a chuva da primavera (T.S. Eliot). Está gente a morrer agora mesmo em qualquer lado, / está gente a morrer e nós também (M. Alegre). Pensa em Phelas, que foi em tempos alto e belo como tu (T.S. Eliot). Em ti choramos os outros mortos todos (Sophia de Melo Breyner). E tinha valido a pena depois de tudo, tinha valido mesmo a pena. (T.S. Eliot), (versos de um livro diferente do da primeira citação). Nunca até hoje eu morri tanto em alguém. (Ruy Belo), na mais longa viagem para o esquecimento.» (David H. Lawrence).
      Só um grande leitor de poesia seria capaz de fazer este espantoso entrelaçar de versos e poetas, com o requinte de abrir e fechar a estrofe com versos do mesmo poeta, invertendo curiosamente a ordem com que aparecem no livro “A Barca da Morte”, de David H. Lawrence. O primeiro é da VII Secção e o último da V.
Tudo neste livro é maduramente pensado até ao poema final, POST-SCRIPTON, que também é o título do poema com que Manuel Alegre encerra Praça da Canção. Esse é outro magnífico exemplo de intertextualidade, produzido por quem conhece profundamente a obra do poeta da resistência e da liberdade.
Deniz Ramos usa com subtil sabedoria versos ou apenas palavras de Manuel Alegre que enlaça com palavras suas, cujo resultado final é uma pungente elegia iniciado com um verso do livro Chegar Aqui e terminado com um verso, de uma só palavra usada também por Manuel Alegre no mesmo livro. É justo concluir esta proposta de leitura de Memória da Ilha, com a afirmação de que este é um livro singular porque reitera a qualidade do poeta e mostra a sua face de grande leitor de poesia.
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OPINIÃO | Carlos Abrantes | A Coreia do Norte é fixe
Quando disse aos meus amigos que ia de férias para a Coreia do Norte a reacção não se fez esperar. Para a Coreia do Norte? Tens a certeza que queres ir para a Coreia do Norte? E ficavam a olhar para mim com aquele ar compadecido de quem acha que eu tinha perdido o tino. Com tantos destinos de sol e mar, com Mediterrâneo e Caraíbas, com Brasil e Tailândia eu escolhera a Coreia do Kim Jong-Un, Mr. Rocket Man!
E foi uma óptima escolha.
Aconselho aos ambientalistas do PAN, tão na moda, e aos amantes das grandes causas politicamente correctas, uma estadia naquele paraíso ambiental. Não sofrerão com os engarrafamentos das grandes metrópoles capitalistas porque em Pyongyang, a capital, praticamente não circulam automóveis, nem camiões, nem autocarros. Emissões de carbono zero, ou quase.
Em contrapartida vê-se muita gente a pé, a caminho do trabalho ou de lado nenhum, promovendo um estilo de vida saudável, sem complicações cardiovasculares ou de diabetes. À excepção do “querido líder”, não vi gordos. Uma vitória do povo norte coreano que, desse modo, pode dispensar a existência de serviço nacional de saúde.
Também o regime alimentar muito frugal, pobre em hidratos de carbono, proteínas, gorduras e açúcares, com consumo de carnes vermelhas zero, é um exemplo para o mundo. Daí que seja seguido de perto pela comunidade científica, nomeadamente pela Universidade de Coimbra que, numa atitude pioneira e esclarecida decretou a proibição do consumo de carne de bovino nas cantinas estudantis.
Há, no entanto, um “mas” que perturbará os nossos amigos do PAN. Os Norte coreanos gostam, e consomem, carne de cão. Em ocasiões especiais, é certo, mas comem cão. Sopa de cão, cão guisado, cão frito, mil maneiras de cozinhar cão... Tal como o PAN eles também gostam de animais. Têm uma forma diferente de gostar, mas que gostam, gostam!
E gostam também dos líderes. Não os comem, porque não podem, mas têm um carinho especial pelos líderes. Erguem-lhes estátuas monumentais. Aos três – ao avô, ao pai e ao filho. Uma democracia, nas palavras de Bernardino Soares, transmissível de pais para filhos.
É tudo em grande! São enormes as estátuas, os cemitérios, os edifícios públicos, as bibliotecas, os museus, ou os estádios. E os espectáculos e as manifestações populares de apoio, ou de pesar. E as auto-estradas, ah as auto-estradas! Com três pistas em cada sentido, viajei a partir de Pyongyang para sul até ao paralelo 38 e para norte até Myohyang. Um espanto! Sem portagens nem congestionamentos, sem aselhas nem chico-espertos. Centenas de quilómetros sem um sobressalto ou um acidente. Havia, é certo, o problema do piso esburacado e das lombas, dos peões e das cabras, das bicicletas e dos controles militares, mas fora isso era maravilhoso.
Que sossego, que segurança.
Não admira que me tenha sentido muito seguro. É fácil quando cumprimos as regras, e as regras eram claras. Podíamos circular livremente dentro do hotel. Fora do perímetro do hotel, que estava estrategicamente implantado numa pequena ilha, teríamos de estar SEMPRE acompanhados pelos nossos guias locais.
A Coreia do Norte é fixe, mas nas minhas próximas férias vou para um país democrático. Para desenjoar!
- CARLOS ABRANTES

Quando a governança vira cartel - Parte V
Mostramos, antes de terminar esta rubrica, as 13 baixas de Ministros e Secretários de Estado deste governo da maioria absoluta do Partido Socialista (PS):
1 - Sara Guerreiro, Secretaria de Estado da Igualdade e Migrações – Baixa em 2-5-2022.
2 - Marta Temido, Ministra da Saúde - Baixa em 30-08-2022.
3 - Fátima Fonseca, Secretária de Estado da Saúde - Baixa em 30-8-2022.
4 - António Lacerda Sales, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde - Baixa em 30-8-2022.
5 - Miguel Alves, Secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro - Baixa em 10-11-2022.
6 - Rita Marques, Secretária de Estado do Turismo - Baixa em 29-11-2022.
7 - João Neves, Secretário de Estado Adjunto e da Economia - Baixa em 29-11-2022.
8 - Alexandra Reis, Secretária de Estado do Tesouro - Baixa em 27-12-2022.
9 - Marina Gonçalves, Secretária de Estado da Habitação - Baixa em 29-12-2022.
10 - Pedro Nuno Santos, Ministro das Infraestruturas e da Habitação - Baixa em 29-12-2022.
11 - Hugo Santos Mendes, Secretário de Estado das Infraestruturas - Baixa em 29-12-2022.
12 - Rui Martinho, Secretário de Estado da Agricultura - Baixa em 4-1-2023.
13 - Carla Alves, Secretária de Estado da Agricultura - Baixa em 5-1-2023.
Tinha razão o Costa quando pediu a maioria absoluta.
O Marajá de São Bento nem precisa, sequer, de negociar à esquerda ou à direita para se tornar num autêntico rei-sol. O Estado sou eu!
Economia: Tortec inaugurou primeira fábrica no Parque Empresarial do Casarão
A Tortec - Tornearia e Peças Técnicas, do Grupo Ciclo-Fapril, inaugurou, na passada sexta-feira, dia 4 de Dezembro, as suas novas instalações no Parque Empresarial do Casarão e será a primeira empresa a instalar-se no novo polo industrial do município.
Carla Santos, directora financeira da Ciclo-Fapril, começou por relevar o desempenho do presidente do município, Gil Nadais, e do seu executivo, que, “em bom rigor, foram os impulsionadores por termos aqui edificado as instalações da Tortec”.
“Mais do que o projecto Tortec, há que enaltecer o esforço e a determinação do presidente da Câmara em fazer de Águeda uma cidade de indústria, de academia e de turismo”, salientou Carla Santos.
“Muito nos honra estar a viver este momento histórico de viragem na dinâmica industrial de Águeda, pois com toda a certeza o concelho vai reflectir a criação de valor que as empresas aqui instaladas vão gerar”, observou a directora financeira da Ciclo-Fapril.
Carla Santos considerou que o facto da Tortec ter sido a primeira empresa a edificar no Parque Empresarial do Casarão, resultou em “dificuldades acrescidas”, sublinhando, em particular, o desempenho do administrador Samuel Santos e do sócio Vitor Antunes, e de “todos os que nos ajudaram a realizar este projecto”.
“Aos nossos colegas de trabalho, esperamos que o transtorno da mudança (que será concretizada na segunda quinzena deste mês) seja superado pelo conforto que estas instalações vos venham a proporcionar. Sabemos que estão motivados com o nosso projecto de trabalho e contamos convosco para dar alma a este edifício”, sublinhou Carla Santos.

Dia muito especial
para Gil Nadais
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Gil Nadais, referiu-se a “um dia, muito, muito especial”, considerando que o Parque Empresarial do Casarão foi um projecto “muito sofrido, muito laborioso e só possível graças à colaboração de muitas pessoas”, destacando o trabalho “inexcedível” do aguadense António Figueira, e o desempenho “fundamental” do vereador João Clemente.
O autarca lembrou que “foram adquiridos mais de um milhão de metros quadrados de terrenos” e anunciou que “mais empresas pretendem vir para o Parque Empresarial do Casarão”, pelo que será necessário adquirir mais terrenos.
Gil Nadais anunciou que “o LIDL irá começar a construir, em 2016”, o seu entreposto logístico, e que durante o próximo ano estarão concluídas as estruturas da Triangle´s e da Sakthi (primeiro pavilhão), para relevar um projecto que, disse, “me custou, pessoalmente, alguns comentários mais acintosos”.



Jorge Almeida está esperançado em "derrotar" a Socibeiral no Tribunal
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, mostrou-se confiante no diferendo judicial que opõe a autarquia à Socibeiral, relativo à construção de uma central de betão e betuminoso no Parque Empresarial do Casarão (PEC).

O líder do município foi confrontado, na passada segunda-feira, em sede de Assembleia Municipal, pelo líder da bancada do Partido Socialista (PS), José Marques Vidal, que pretendeu saber em que ponto se encontra o processo, que corre, há vários meses, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro.
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Pai Natal gigante de Águeda é candidato a maior do mundo
Um Pai Natal com 21 metros de altura e 250 mil lâmpadas LED de baixo consumo (24 volts), instalado no Largo 1º. de Maio, é a grande atracção da época natalícia, em Águeda.
O município pretende alcançar o reconhecimento pela instalação do “Maior Pai Natal do Mundo em LED's”, assente numa estrutura em alumínio, com altura de sete andares, forrada a tapy.
Para validar e confirmar a obtenção do recorde, será necessária a deslocação a Águeda de um juiz do Guinness World Records, no sentido de verificar todas as características da infraestrutura e de deliberar acerca da atribuição do recorde.
Os custos inerentes a esta candidatura, aprovada ontem (abstenção de Paula Cardoso e voto contra de Miguel Oliveira), dia 1, na reunião do executivo, são de aproximadamente 10.000 euros.
O Pai Natal, sentado numa caixa de presente de 9 por 12 metros, pode ser visitado até ao dia 11 de Janeiro, e a sua instalação obrigou a um investimento de 49.200 euros.
No passado sábado, 28 de Novembro, o presidente do município, Gil Nadais, deu luz às estruturas espalhadas pela cidade que assinalam o Natal, num momento acompanhado por centenas de pessoas.






Samuel Vilela no Conselho Nacional de Juventude
Samuel Vilela, presidente da JSD de Águeda, foi nomeado para a direcção do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), assumindo a pasta das Relações Internacionais e a representação nacional junto de instâncias europeias e internacionais.
O CNJ é a plataforma representativa das organizações de juventude a nível nacional, abrangendo as mais diversas expressões do associativismo juvenil (culturais, estudantis, partidárias, ambientais, escutistas, sindicalistas e confessionais).
Samuel Vilela, de 26 anos, encontra-se a frequentar um programa de Doutoramento na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e conta já com uma vasta experiência ao nível associativo e político.
Já presidiu ao Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais, foi vice-presidente da Associação Académica de Coimbra e membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra.
James Arthur está confirmado no Agitágueda 2015
O Agitágueda deste ano vai ter lugar de 4 a 26 de Julho, estando já confirmados os concertos dos D.A.M.A. (dia 4 de Julho), Paulo Gonzo (11), Selah Sue (17), Jimmy P (24) e James Arthur (26), cuja contratação foi aprovada na reunião camarária de ontem, dia 7 de Abril. O executivo aprovou, também, a contratação dos serviços de vigilância e segurança, com ajuste directo à empresa Protek, e o regulamento de participação nos Talentos Agitágueda.