Otília Silva .. Olhares cruzados
CHATGPT: UM DEUS PARA A NOSSA JUVENTUDE, UM QUEBRA-CABEÇAS PARA OS PROFESSORES
08 de julho de 2026Há muito foi dito sobre a inteligência artificial. Mas quem se preocupa com as dificuldades com que se deparam os professores? Nada de recusar o progresso ou negar tudo o que a IA nos traz, nomeadamente no campo da medicina onde os diagnósticos acabam por superar os dos cérebros humanos. Todavia para o ensino tal qual existe por enquanto, não há duvida de que se torna um problema.
A instituição escolar permite treinar os aprendizes, fazer com que adquiram saberes e competências através do esforço proporcionado pelo treino. Com o ChatGPT, deixou de ser possível dar trabalhos de casa. O treino fora da aula acabou! Tudo tem de ser feito na aula. O que nem sequer garante o esforço do aluno ou estudante que, com a maior facilidade pode ter acesso à Internet e fazer perguntas ao ChatGPT. Antes dos exames, há que revistar tudo para evitar o uso do telemóvel, do relógio, dos óculos… chega-se até a pedir que os estudantes mostrem os ouvidos quando têm cabelo comprido. E mesmo revistando pormenorizadamente, mesmo vigiando atentamente durante a prova, tem-se a surpresa, ao corrigir, de apanhar um ou outro trabalho feito pela IA. Quando o comentário do texto está cheio de citações pertencentes a uma outra versão que a proposta para exame, é evidente que quem fez foi ChatGPT.
Se não houver aumento do número de horas de aula, como continuar com o sistema de ensino atual? Além disso, como criar gosto pelo esforço e inventar situações que permitam a aquisição de autonomia quando a dissertação, o comentário de texto, a resolução de um problema de matemática ou de físico-química podem ser obtidos com um simples clique? O recurso a ChatGPT dá uma sensação de poder tal que o aprendiz acaba por se pensar extraordinário tanto mais se evolui no meio de adultos que não utilizam. Só que essa superioridade é ilusória e está sujeita a desvanecer-se por completo se houver um apagão. Entretanto, impede que o jovem se dê ao esforço do estudo real. Agora perguntamos : será que um bebé aprenderia a andar se, com um simples olhar, pudesse trazer até si tudo aquilo que lhe desperta interesse?
A cegueira dos especialistas confunde. Dizia, há dias, um famoso francês que, nos EUA, surgiram duas tendências: os que pretendem aumentar a capacidade intelectual através da genética, permitindo a escolha de embriões com quociente intelectual superior, e os que preconizam a implantação, no cérebro, de uma micropeça eletrónica que poderá aumentar as capacidades cognitivas. Só que o problema do ensino não está na capacidade dos alunos ou estudantes; está na apetência. Está na faculdade que tem o professor de criar o desejo de aprender. Tal como um campo de terra rica produzirá apenas ervas daninhas se não for cultivado, também o cérebro, por mais capacidades que tenha, nada de bom produzirá sem esforço, método e regras.
Sem cairmos no exagero de pensar chegarmos a um mundo parecido com o que nos apresenta o filme Idiocracy, não há dúvida de que se criou mais uma dificuldade e um desafio para os nossos jovens. O que é assustador é que não se veem políticos devidamente preocupados com o problema.
É evidente que as desigualdades se vão acentuar de forma a poderem tornar-se abissais. Como poderão entrar em concorrência os alunos de famílias desfavorecidas, onde o desejo de conhecimento não ocupa o lugar que pode ocupar nas famílias privilegiadas? Se já havia desigualdade, muito mais haverá. Mais do que nunca, é necessário refletir e exigir dos políticos que se debrucem sobre esta situação. Mais do que nunca há que preservar o que constitui a nossa humanidade. Dizia o humanista francês do século XVI, poço de sabedoria, François Rabelais: «Ciência sem consciência é apenas a ruína da alma.» Qual a ligação? perguntarão. É que a consciência desenvolve-se através do esforço feito para atingir um alvo. Por isso, o esforço é tão importante na educação.
A instituição escolar permite treinar os aprendizes, fazer com que adquiram saberes e competências através do esforço proporcionado pelo treino. Com o ChatGPT, deixou de ser possível dar trabalhos de casa. O treino fora da aula acabou! Tudo tem de ser feito na aula. O que nem sequer garante o esforço do aluno ou estudante que, com a maior facilidade pode ter acesso à Internet e fazer perguntas ao ChatGPT. Antes dos exames, há que revistar tudo para evitar o uso do telemóvel, do relógio, dos óculos… chega-se até a pedir que os estudantes mostrem os ouvidos quando têm cabelo comprido. E mesmo revistando pormenorizadamente, mesmo vigiando atentamente durante a prova, tem-se a surpresa, ao corrigir, de apanhar um ou outro trabalho feito pela IA. Quando o comentário do texto está cheio de citações pertencentes a uma outra versão que a proposta para exame, é evidente que quem fez foi ChatGPT.
Se não houver aumento do número de horas de aula, como continuar com o sistema de ensino atual? Além disso, como criar gosto pelo esforço e inventar situações que permitam a aquisição de autonomia quando a dissertação, o comentário de texto, a resolução de um problema de matemática ou de físico-química podem ser obtidos com um simples clique? O recurso a ChatGPT dá uma sensação de poder tal que o aprendiz acaba por se pensar extraordinário tanto mais se evolui no meio de adultos que não utilizam. Só que essa superioridade é ilusória e está sujeita a desvanecer-se por completo se houver um apagão. Entretanto, impede que o jovem se dê ao esforço do estudo real. Agora perguntamos : será que um bebé aprenderia a andar se, com um simples olhar, pudesse trazer até si tudo aquilo que lhe desperta interesse?
A cegueira dos especialistas confunde. Dizia, há dias, um famoso francês que, nos EUA, surgiram duas tendências: os que pretendem aumentar a capacidade intelectual através da genética, permitindo a escolha de embriões com quociente intelectual superior, e os que preconizam a implantação, no cérebro, de uma micropeça eletrónica que poderá aumentar as capacidades cognitivas. Só que o problema do ensino não está na capacidade dos alunos ou estudantes; está na apetência. Está na faculdade que tem o professor de criar o desejo de aprender. Tal como um campo de terra rica produzirá apenas ervas daninhas se não for cultivado, também o cérebro, por mais capacidades que tenha, nada de bom produzirá sem esforço, método e regras.
Sem cairmos no exagero de pensar chegarmos a um mundo parecido com o que nos apresenta o filme Idiocracy, não há dúvida de que se criou mais uma dificuldade e um desafio para os nossos jovens. O que é assustador é que não se veem políticos devidamente preocupados com o problema.
É evidente que as desigualdades se vão acentuar de forma a poderem tornar-se abissais. Como poderão entrar em concorrência os alunos de famílias desfavorecidas, onde o desejo de conhecimento não ocupa o lugar que pode ocupar nas famílias privilegiadas? Se já havia desigualdade, muito mais haverá. Mais do que nunca, é necessário refletir e exigir dos políticos que se debrucem sobre esta situação. Mais do que nunca há que preservar o que constitui a nossa humanidade. Dizia o humanista francês do século XVI, poço de sabedoria, François Rabelais: «Ciência sem consciência é apenas a ruína da alma.» Qual a ligação? perguntarão. É que a consciência desenvolve-se através do esforço feito para atingir um alvo. Por isso, o esforço é tão importante na educação.

