Pedro Ferreira .. Contra Fatos
QUANTO VALE UMA LICENCIATURA?
11 de junho de 2026Pela primeira vez na sua história, Portugal tem hoje mais empregados com o ensino superior que qualquer outro nível de ensino.
São hoje cerca de 1,9 milhões os trabalhadores empregados com formação superior (35% da mão-de-obra disponível), ultrapassando os 1,79 milhões com o ensino secundário ou formação profissional e os 1,6 milhões que não têm mais do que o terceiro ciclo (dados recentes do Instituto Nacional de Estatística).
O número de pessoas empregadas com ensino superior aumentou 104% em apenas 15 anos – ou seja, mais que duplicou. E é uma tendência consolidada, já que o secundário aumentou 88% e o número de trabalhadores com menos qualificações teve uma redução acentuada, na ordem dos 40%.
Não será muita gente diplomada?
Em Portugal, por cada 100 empregados, 35 são diplomados; na Irlanda ou Luxemburgo são 57. O que nos coloca numa modesta 20ª posição a nível europeu.
E haverá mesmo trabalho para tanto diplomado?
De acordo com um estudo recentemente publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, 75% dos licenciados estão a trabalhar um ano após concluírem o curso; e entre os mestrados as taxas de emprego chegam aos 88%. Valores bem acima dos diplomados de cursos profissionais (72%) e do secundário (56%).
Mas valerá a pena investir em formação superior para chegar ao mercado de trabalho e ganhar o salário mínimo?
Os dados compilados pelo mesmo estudo revelam que um licenciado ganha, em média, mais 28% e um mestrado mais 49% que um trabalhador com ensino secundário à entrada no mercado de trabalho. E este fosso vai aumentando exponencialmente ao longo da carreira: um trabalhador com o ensino secundário precisa de 3 anos para atingir os mesmos ganhos que um trabalhador licenciado atinge num ano.
Mas para quê tanto licenciado se vão fazer trabalhos para os quais não é exigida tanta qualificação? E até têm de ocultar a formação superior para poder ter um emprego?
Um estudo recente do Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas da PLANAPP mostra que a taxa de sobreducação em Portugal é 16,4%. Quer dizer que, cerca de 16 em cada 100 trabalhadores com ensino superior têm formação a mais para as funções que estão a desempenhar. Para termos uma ideia, em Espanha esta taxa é de 34%, na Grécia 31,4% e no Chipre 27,5%. Portugal surge apenas no 18.º lugar, com valores semelhantes aos de países nórdicos (Finlândia e Dinamarca).
Por tudo isto se percebe que: (1) muitas das opiniões sobre a desvalorização da formação superior são infundadas; (2) a formação superior coloca as pessoas numa posição mais competitiva no mercado de trabalho; (3) a formação superior ainda é um investimento de futuro (por cada euro investido em formação superior, o retorno chega aos 14 euros de ganhos salariais).
Aos jovens e pais que agora se deparam com o dilema “continuar a estudar ou trabalhar”: a formação superior continua a ser o melhor investimento. A carreira profissional é uma maratona de 40 anos; a ilusão de algum ganho imediato não pode ofuscar o enorme retorno que a formação superior oferece no longo prazo.
Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico
São hoje cerca de 1,9 milhões os trabalhadores empregados com formação superior (35% da mão-de-obra disponível), ultrapassando os 1,79 milhões com o ensino secundário ou formação profissional e os 1,6 milhões que não têm mais do que o terceiro ciclo (dados recentes do Instituto Nacional de Estatística).
O número de pessoas empregadas com ensino superior aumentou 104% em apenas 15 anos – ou seja, mais que duplicou. E é uma tendência consolidada, já que o secundário aumentou 88% e o número de trabalhadores com menos qualificações teve uma redução acentuada, na ordem dos 40%.
Não será muita gente diplomada?
Em Portugal, por cada 100 empregados, 35 são diplomados; na Irlanda ou Luxemburgo são 57. O que nos coloca numa modesta 20ª posição a nível europeu.
E haverá mesmo trabalho para tanto diplomado?
De acordo com um estudo recentemente publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, 75% dos licenciados estão a trabalhar um ano após concluírem o curso; e entre os mestrados as taxas de emprego chegam aos 88%. Valores bem acima dos diplomados de cursos profissionais (72%) e do secundário (56%).
Mas valerá a pena investir em formação superior para chegar ao mercado de trabalho e ganhar o salário mínimo?
Os dados compilados pelo mesmo estudo revelam que um licenciado ganha, em média, mais 28% e um mestrado mais 49% que um trabalhador com ensino secundário à entrada no mercado de trabalho. E este fosso vai aumentando exponencialmente ao longo da carreira: um trabalhador com o ensino secundário precisa de 3 anos para atingir os mesmos ganhos que um trabalhador licenciado atinge num ano.
Mas para quê tanto licenciado se vão fazer trabalhos para os quais não é exigida tanta qualificação? E até têm de ocultar a formação superior para poder ter um emprego?
Um estudo recente do Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas da PLANAPP mostra que a taxa de sobreducação em Portugal é 16,4%. Quer dizer que, cerca de 16 em cada 100 trabalhadores com ensino superior têm formação a mais para as funções que estão a desempenhar. Para termos uma ideia, em Espanha esta taxa é de 34%, na Grécia 31,4% e no Chipre 27,5%. Portugal surge apenas no 18.º lugar, com valores semelhantes aos de países nórdicos (Finlândia e Dinamarca).
Por tudo isto se percebe que: (1) muitas das opiniões sobre a desvalorização da formação superior são infundadas; (2) a formação superior coloca as pessoas numa posição mais competitiva no mercado de trabalho; (3) a formação superior ainda é um investimento de futuro (por cada euro investido em formação superior, o retorno chega aos 14 euros de ganhos salariais).
Aos jovens e pais que agora se deparam com o dilema “continuar a estudar ou trabalhar”: a formação superior continua a ser o melhor investimento. A carreira profissional é uma maratona de 40 anos; a ilusão de algum ganho imediato não pode ofuscar o enorme retorno que a formação superior oferece no longo prazo.
Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico

