CULTURA
HISTÓRICO | Primeira apresentação pública do Orfeão de Águeda foi há 100 anos
05 de janeiro de 2017Completam-se na próxima sexta-feira, dia 6 de Janeiro, 100 anos sobre a primeira apresentação em público do Orfeão de Águeda, no teatrinho da Rua José Maria Veloso, que o historiador aguedense, Deniz Padeiro, relatou no livro “Orfeão de Águeda - Achegas para a sua história”.
Por razões que os semanários consultados não referem, a primeira apresentação em público do Orfeão de Águeda, prevista para uma data anterior, ocorreu num sábado, dia 6 de Janeiro de 1917 no teatrinho da Rua José Maria Veloso, o antigo Salão do Cândido ou da Baronesa do Souto do Rio, mais tarde chamado de Teatro Fernando Caldeira, que foi palco de muitos êxitos teatrais no passado com os frequentes espectáculos que as companhias itinerantes, amadoras e profissionais, ali proporcionaram.
Além da estreia do Orfeão, e também como vinha sendo hábito nos saraus em Águeda, do programa constaram uma comédia, recitativos e números musicais em que intervieram Maria Ester Camelo, Magda Castela, Branca Rocha, Júlia Carneiro, Ilda Costa, António Sereno, Arsénio Castilho, José Guerra, Serafim Pereira e António Costa. Alguns destes amadores viriam a constituir o Grupo Cénico do Orfeão. Porém, o alvo das maiores expectativas era, sem dúvida, a actuação do grupo coral. E a provocar a curiosidade, os jornais, que assistiram ao ensaio geral, não tinham regateado aplausos ao seu organizador, “merecedor do maior elogio pela sua iniciativa e esforços, bem como aos rapazes nossos patrícios que dele fazem parte”.
Com a pequena plateia repleta e o salão “belamente ornamentado”, o Orfeão interpretou As Canções Transmontanas de Pinto Ribeiro, Hino à Noite de Beethoven, Coral de Bach, Coro dos Caçadores de Weber e Camponesas de Fernando Caldeira. As expectativas de todos os que, há meses, aguardavam a estreia não saíram defraudadas, justificando-se o caloroso acolhimento dispensado ao grupo nessa sua primeira apresentação que “causou no público uma grande surpresa, agradável surpresa manifestada em fortes aplausos”.No dia seguinte, domingo, o espectáculo repetiu-se e com a mesma entusiástica aceitação, “fruto dos esforços pacientes e tenacíssimos de muitos meses de aturado trabalho”, escrever-se-á num dos semanários.Armando Castela (foto, em baixo), na sua habitual modéstia e simplicidade, justificar-se-á mais tarde: “Esses coros saíram-se bem, foram generosamente aplaudidos e os seus componentes, entusiasmados, com aquele fácil entusiasmo próprio da nossa terra, pediram-me que continuasse os trabalhos e organizasse um Orfeão”.
Mas Orfeão já havia e com provas dadas. Na opinião pública e nas afeições bairristas da gente de Águeda, o Orfeão de Águeda acabava de ganhar o seu espaço e assumiria para o futuro a responsabilidade de representar, em casa e fora de portas, o que de melhor e mais genuíno Águeda podia oferecer de si mesma, como emblema identificador. E acrescente-se, na altura era um dos dois ou três orfeões existentes no país.
Sob a direcção artística de Armando Castela, o Orfeão de Águeda continuou a apresentar-se em público, mantendo uma actividade regular que, entre uma e outra crise, ligeira ou mais prolongada, o trouxe até hoje.
A 31 de Março de 1917, o Orfeão de Águeda apadrinhou a estreia da fantasia em 3 actos e 4 quadros, A Última Palavra do Astrólogo Mendes, de Fernão Corte Real, quer participando na habitual récita que complementava a representação teatral, que interpretando o Miserere numa cena do 2º. acto que recreava a Procissão dos Passos. A peça de Fernão Corte Real teve meia dúzia de repetições sempre com o melhor acolhimento, não só pela beleza dos seus 24 temas musicais como, decerto, pela mais-valia que lhe trouxe a contribuição do Orfeão. E assim, de êxito em êxito, novos corais acrescentaram-se ao reportório inicial e o grupo impôs-se no conceito dos seus admiradores. Prova disso seria o que aconteceu a 25 de Abril desse ano. Os orfeonistas foram, de barco, passar o domingo ao Souto do Rio, onde conviveram a estreitar as relações do grupo, e no regresso, “cantando alguns dos mais belos números do seu escolhido reportório, foram recebidos com palmas pelas inúmeras pessoas que se achavam em cima da ponte e à beira do rio”. DENIZ RAMOS
Por razões que os semanários consultados não referem, a primeira apresentação em público do Orfeão de Águeda, prevista para uma data anterior, ocorreu num sábado, dia 6 de Janeiro de 1917 no teatrinho da Rua José Maria Veloso, o antigo Salão do Cândido ou da Baronesa do Souto do Rio, mais tarde chamado de Teatro Fernando Caldeira, que foi palco de muitos êxitos teatrais no passado com os frequentes espectáculos que as companhias itinerantes, amadoras e profissionais, ali proporcionaram.
Além da estreia do Orfeão, e também como vinha sendo hábito nos saraus em Águeda, do programa constaram uma comédia, recitativos e números musicais em que intervieram Maria Ester Camelo, Magda Castela, Branca Rocha, Júlia Carneiro, Ilda Costa, António Sereno, Arsénio Castilho, José Guerra, Serafim Pereira e António Costa. Alguns destes amadores viriam a constituir o Grupo Cénico do Orfeão. Porém, o alvo das maiores expectativas era, sem dúvida, a actuação do grupo coral. E a provocar a curiosidade, os jornais, que assistiram ao ensaio geral, não tinham regateado aplausos ao seu organizador, “merecedor do maior elogio pela sua iniciativa e esforços, bem como aos rapazes nossos patrícios que dele fazem parte”.
Com a pequena plateia repleta e o salão “belamente ornamentado”, o Orfeão interpretou As Canções Transmontanas de Pinto Ribeiro, Hino à Noite de Beethoven, Coral de Bach, Coro dos Caçadores de Weber e Camponesas de Fernando Caldeira. As expectativas de todos os que, há meses, aguardavam a estreia não saíram defraudadas, justificando-se o caloroso acolhimento dispensado ao grupo nessa sua primeira apresentação que “causou no público uma grande surpresa, agradável surpresa manifestada em fortes aplausos”.No dia seguinte, domingo, o espectáculo repetiu-se e com a mesma entusiástica aceitação, “fruto dos esforços pacientes e tenacíssimos de muitos meses de aturado trabalho”, escrever-se-á num dos semanários.Armando Castela (foto, em baixo), na sua habitual modéstia e simplicidade, justificar-se-á mais tarde: “Esses coros saíram-se bem, foram generosamente aplaudidos e os seus componentes, entusiasmados, com aquele fácil entusiasmo próprio da nossa terra, pediram-me que continuasse os trabalhos e organizasse um Orfeão”.
Mas Orfeão já havia e com provas dadas. Na opinião pública e nas afeições bairristas da gente de Águeda, o Orfeão de Águeda acabava de ganhar o seu espaço e assumiria para o futuro a responsabilidade de representar, em casa e fora de portas, o que de melhor e mais genuíno Águeda podia oferecer de si mesma, como emblema identificador. E acrescente-se, na altura era um dos dois ou três orfeões existentes no país.
Sob a direcção artística de Armando Castela, o Orfeão de Águeda continuou a apresentar-se em público, mantendo uma actividade regular que, entre uma e outra crise, ligeira ou mais prolongada, o trouxe até hoje.
A 31 de Março de 1917, o Orfeão de Águeda apadrinhou a estreia da fantasia em 3 actos e 4 quadros, A Última Palavra do Astrólogo Mendes, de Fernão Corte Real, quer participando na habitual récita que complementava a representação teatral, que interpretando o Miserere numa cena do 2º. acto que recreava a Procissão dos Passos. A peça de Fernão Corte Real teve meia dúzia de repetições sempre com o melhor acolhimento, não só pela beleza dos seus 24 temas musicais como, decerto, pela mais-valia que lhe trouxe a contribuição do Orfeão. E assim, de êxito em êxito, novos corais acrescentaram-se ao reportório inicial e o grupo impôs-se no conceito dos seus admiradores. Prova disso seria o que aconteceu a 25 de Abril desse ano. Os orfeonistas foram, de barco, passar o domingo ao Souto do Rio, onde conviveram a estreitar as relações do grupo, e no regresso, “cantando alguns dos mais belos números do seu escolhido reportório, foram recebidos com palmas pelas inúmeras pessoas que se achavam em cima da ponte e à beira do rio”. DENIZ RAMOS

