Pedro Ferreira .. Contra Fatos
BREVE RETRATO DOS IMIGRANTES EM PORTUGAL
22 de julho de 2026Recentemente, o INE actualizou a estimativa de população residente em Portugal e ficámos a saber que em Portugal vivem afinal 11,5 milhões de pessoas.
Num país envelhecido e com fluxos de emigração assinaláveis na última década, este número é surpreendente e só encontra explicação nos 850 mil imigrantes que entraram no país entre 2021 e 2025. Em Portugal, vivem cerca de 1,6 milhões de imigrantes, representando cerca de 14% da população residente no país.
Mas quem são, afinal, estes “novos residentes” em Portugal?
Um estudo realizado pelo Banco de Portugal (em 2024) ajuda-nos a perceber a realidade dos imigrantes que trabalham por conta de outrem.
Os imigrantes trabalhadores têm crescido todos os anos, com especial ênfase para os últimos 4, com taxas de crescimento a rondar os 40%. A média etária é de 33 anos, em claro contraste com os 42 anos da população trabalhadora portuguesa.
Por sector, o peso da população imigrante é especialmente notório na “agricultura e pesca” (4 em cada 10), no “alojamento e restauração” (3 em cada 10), “atividades administrativas” (3 em cada 10) e “construção” (2,5 em cada 10). Em todos os sectores predominam os nacionais do Brasil, à excepção da “agricultura e pescas” onde predominam os nacionais da Índia, Nepal e Bangladesh. Os imigrantes oriundos de países europeus predominam em “actividades de informação e comunicação”, “actividades de consultoria científica” e “actividades financeiras e de seguros”.
Ao nível das remunerações, em final de 2023, a remuneração mensal dos trabalhadores imigrantes jovens situava-se em 769€ e em 781€ nos trabalhadores com mais de 35 anos. Para os nacionais, as remunerações foram de 902€ e 945€, respectivamente.
Nas qualificações académicas, em 2021, a população estrangeira empregada tinha, em média, qualificações académicas mais elevadas do que a população portuguesa. No entanto, os trabalhadores portugueses mais jovens são mais qualificados do que os estrangeiros, mas os portugueses mais velhos são menos qualificados.
Naturalmente, estes dados carecem de actualizações constantes, tendo em conta as dinâmicas migratórias que Portugal tem experienciado nos últimos anos. Ainda assim, salientam-se três ideias relevantes:
1. A absorção de imigração faz-se sobretudo em sectores intensivos em mão-de-obra, onde se exigem menos qualificações e o trabalho é mais precário, como é o caso da “agricultura e pescas”, “alojamento e restauração” e “construção”.
2. Os trabalhadores imigrantes têm remunerações inferiores aos trabalhadores portugueses. Embora tal possa ser parcialmente explicado pelos sectores em que trabalham, revela também o preconceito que ainda prevalece sobre o trabalhador estrangeiro.
3. Finalmente, ao nível das qualificações académicas o dado mais revelador é o facto de os imigrantes terem qualificações mais elevadas que os portugueses. Tendo em conta os setores em que trabalham e os níveis salariais que auferem, isto poderá indiciar situações de sobrequalificação.
Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico
Num país envelhecido e com fluxos de emigração assinaláveis na última década, este número é surpreendente e só encontra explicação nos 850 mil imigrantes que entraram no país entre 2021 e 2025. Em Portugal, vivem cerca de 1,6 milhões de imigrantes, representando cerca de 14% da população residente no país.
Mas quem são, afinal, estes “novos residentes” em Portugal?
Um estudo realizado pelo Banco de Portugal (em 2024) ajuda-nos a perceber a realidade dos imigrantes que trabalham por conta de outrem.
Os imigrantes trabalhadores têm crescido todos os anos, com especial ênfase para os últimos 4, com taxas de crescimento a rondar os 40%. A média etária é de 33 anos, em claro contraste com os 42 anos da população trabalhadora portuguesa.
Por sector, o peso da população imigrante é especialmente notório na “agricultura e pesca” (4 em cada 10), no “alojamento e restauração” (3 em cada 10), “atividades administrativas” (3 em cada 10) e “construção” (2,5 em cada 10). Em todos os sectores predominam os nacionais do Brasil, à excepção da “agricultura e pescas” onde predominam os nacionais da Índia, Nepal e Bangladesh. Os imigrantes oriundos de países europeus predominam em “actividades de informação e comunicação”, “actividades de consultoria científica” e “actividades financeiras e de seguros”.
Ao nível das remunerações, em final de 2023, a remuneração mensal dos trabalhadores imigrantes jovens situava-se em 769€ e em 781€ nos trabalhadores com mais de 35 anos. Para os nacionais, as remunerações foram de 902€ e 945€, respectivamente.
Nas qualificações académicas, em 2021, a população estrangeira empregada tinha, em média, qualificações académicas mais elevadas do que a população portuguesa. No entanto, os trabalhadores portugueses mais jovens são mais qualificados do que os estrangeiros, mas os portugueses mais velhos são menos qualificados.
Naturalmente, estes dados carecem de actualizações constantes, tendo em conta as dinâmicas migratórias que Portugal tem experienciado nos últimos anos. Ainda assim, salientam-se três ideias relevantes:
1. A absorção de imigração faz-se sobretudo em sectores intensivos em mão-de-obra, onde se exigem menos qualificações e o trabalho é mais precário, como é o caso da “agricultura e pescas”, “alojamento e restauração” e “construção”.
2. Os trabalhadores imigrantes têm remunerações inferiores aos trabalhadores portugueses. Embora tal possa ser parcialmente explicado pelos sectores em que trabalham, revela também o preconceito que ainda prevalece sobre o trabalhador estrangeiro.
3. Finalmente, ao nível das qualificações académicas o dado mais revelador é o facto de os imigrantes terem qualificações mais elevadas que os portugueses. Tendo em conta os setores em que trabalham e os níveis salariais que auferem, isto poderá indiciar situações de sobrequalificação.
Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico

