Rui Zink. .. Paz na Terra
ERA UM SONHO LINDO
15 de julho de 2026Infelizmente, a realidade foi mais forte.
Há dez anos, acordámos na segunda-feira 11 de julho todos tristes, tristonhos, tristões. Uma vez mais, a França tinha-nos batido, desta feita na final do Euro 2016, ainda por cima por uns humilhantes cinco a zero.
E no entanto nessa noite eu tinha tido um sonho lindo. Eu conto, só peço que não se riam. Prometem? Então aqui vai.
Na noite de 10 para 11 de julho, sonhei que o Ronaldo saía lesionado ao fim de 20 minutos e que, em vez de como de costume se irem abaixo, os nossos rapazes cerravam fileiras.
O Rui Patrício fazia defesas dignas de canonização, o Pepe dizia "Vamos lá, por Portugal e pelo nosso Capitão!", o Raphael Guerreiro fazia jus ao seu nome, o João Mário dava aulas de classe em campo (como aliás já tinha dado na entrevista pré-jogo). O Renato Sanches e o Quaresma não decidiam como de outras vezes, mas estavam na luta – e o Éder marcava o golo da vitória.
Infelizmente na manhã seguinte percebi que fora só um sonho. Oh, eu ainda saí à rua com alguma esperança, para ver as primeiras páginas dos jornais, mas lá estavam as manchetes do costume. DN: "Desilusão." Público: "Portugal volta a falhar nos momentos decisivos." Correio da Manhã: "Dá cá o microfone." Observador: "Se a Selecção fosse privatizada teríamos limpo aquilo." Miguel Sousa Tavares arrasava a equipa ("Nem para apanha-bolas do Porto serviam"), António Barreto falava de "Um país sem emenda", Pacheco Pereira explicava que "O Éder não percebeu o essencial", Marcelo apagava os jogadores das selfies que tinha tirado com eles, o Eduardo Madeira ficava aliviado porque assim já não teria de ir dar uma volta nu ao Marquês, a fazer figuras tristes com aquelas bolinhas penduradas a lembrar caramelos espanhóis.
E eu, deprimido e melancólico como de costume, percebi que as nossas chances de alguma vez ganharmos uma prova de relevo eram ainda menores do que as de, um dia, um português ganhar a Eurovisão...
Há dez anos, acordámos na segunda-feira 11 de julho todos tristes, tristonhos, tristões. Uma vez mais, a França tinha-nos batido, desta feita na final do Euro 2016, ainda por cima por uns humilhantes cinco a zero.
E no entanto nessa noite eu tinha tido um sonho lindo. Eu conto, só peço que não se riam. Prometem? Então aqui vai.
Na noite de 10 para 11 de julho, sonhei que o Ronaldo saía lesionado ao fim de 20 minutos e que, em vez de como de costume se irem abaixo, os nossos rapazes cerravam fileiras.
O Rui Patrício fazia defesas dignas de canonização, o Pepe dizia "Vamos lá, por Portugal e pelo nosso Capitão!", o Raphael Guerreiro fazia jus ao seu nome, o João Mário dava aulas de classe em campo (como aliás já tinha dado na entrevista pré-jogo). O Renato Sanches e o Quaresma não decidiam como de outras vezes, mas estavam na luta – e o Éder marcava o golo da vitória.
Infelizmente na manhã seguinte percebi que fora só um sonho. Oh, eu ainda saí à rua com alguma esperança, para ver as primeiras páginas dos jornais, mas lá estavam as manchetes do costume. DN: "Desilusão." Público: "Portugal volta a falhar nos momentos decisivos." Correio da Manhã: "Dá cá o microfone." Observador: "Se a Selecção fosse privatizada teríamos limpo aquilo." Miguel Sousa Tavares arrasava a equipa ("Nem para apanha-bolas do Porto serviam"), António Barreto falava de "Um país sem emenda", Pacheco Pereira explicava que "O Éder não percebeu o essencial", Marcelo apagava os jogadores das selfies que tinha tirado com eles, o Eduardo Madeira ficava aliviado porque assim já não teria de ir dar uma volta nu ao Marquês, a fazer figuras tristes com aquelas bolinhas penduradas a lembrar caramelos espanhóis.
E eu, deprimido e melancólico como de costume, percebi que as nossas chances de alguma vez ganharmos uma prova de relevo eram ainda menores do que as de, um dia, um português ganhar a Eurovisão...

