Paulo Matos
AGITÁGUEDA COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ
01 de julho de 2026As ruas da cidade aparecem engalanadas como acontece todos os anos no mês de Julho com o Agitágueda. Com a festa aparecem os forasteiros e todos os que amam ou detestam o evento, como se não houvesse amanhã.
Para muitos não passa de um evento propagandístico que faz as delícias dos eleitores que garantem o voto em quem comanda os destinos do concelho.
Para outros tantos, como eu próprio, é uma marca registada que projetou Águeda para fora de portas, com selo de retorno para a cidade e para o concelho, que de outra forma não passaria nas montras nacionais e internacionais do entretenimento e dos media.
A voz do homem da freguesia ribeirinha ou do lugar mais interior do concelho que clama pelo tratamento da valeta, pelo arranjo do cemitério, ou pela estrada, há muito desejada, por entre obras prioritárias há muito adiadas, por falta de meios, quando há concertos de borla para as massas. Essa voz que não é ficção, não passa de “populismo demagógico”?
O homem da associação que ganhou o direito à presença no stand gastronómico da festa, rejubila de alegria pelos jantares regados com taça de espumante a copo de plástico, debaixo da tenda gigante que traz as famílias e os amigos, acotovelados aos milhares, num espaço físico cada vez mais curto.
O visitante que quer jantar melhor do que ficar pelo Zé das farturas e do algodão doce do arraial, que clama por restaurantes a horas, hotéis ou hostels a preço módico, comércio para a recordação, e outros polos de interesse, queda-se pelas fotos da arte urbana, dos guarda chuvas coloridos, do carnaval fora de horas, e do festival das estátuas.
O evento que anda há muito para ser reformulado, melhorado, projetado para além do mesmo registo de sempre, parece não conseguir ler o futuro, antes preferindo a comodidade do presente.
Como cidadão de Águeda, adoro o evento, pelo que pode convocar de empatia do concelho pelo mundo de quem nos visita, e pelo orgulho de quem recebe, mas gostaria muito que o mesmo não começasse a resvalar para o cansaço morno das iniciativas que morrem, pela repetição e pela falta de ideias novas.
Há muito que defendo, aparentemente sem sucesso, que um evento desta grandeza, merece muito mais do que a rotina dos anos que passam. Há hoje condições financeiras e de gestão autárquica para alcandorar o evento para além da “imagem colorida” e do “efémero retorno”.
É verdade que um evento de entretenimento, não pode transformar-se num exercício chato de cultura ou de pretensiosismo intelectual bacôco em que o Agitágueda que é uma festa de “massas” se transforme num certame cultural para elites.
Mas não desisto de recomendar a ideia da realização de uma feira do “livro”, que honre a terra de poetas que somos (Manuel Alegre e outros), e que pelo menos durante uma das três extensas semanas do evento promova, na biblioteca municipal, no centro de artes, nas ruas da cidade, nos fóruns e auditórios das freguesias do concelho e nos seus lugares de tradição, a cultura popular que é a História de Águeda.
Vivemos um tempo de falta de memórias, de empatia cínica, ou pelo menos de falta de atenção pelas memórias que fazem um destino, uma identidade coletiva.
Quando há fome e miséria, guerra e catástrofes naturais e outros estados de alma do Mal que não param de fustigar o Mundo, preferimos o conforto do paraíso em que vivemos, como se não houvesse amanhã.
Para muitos não passa de um evento propagandístico que faz as delícias dos eleitores que garantem o voto em quem comanda os destinos do concelho.
Para outros tantos, como eu próprio, é uma marca registada que projetou Águeda para fora de portas, com selo de retorno para a cidade e para o concelho, que de outra forma não passaria nas montras nacionais e internacionais do entretenimento e dos media.
A voz do homem da freguesia ribeirinha ou do lugar mais interior do concelho que clama pelo tratamento da valeta, pelo arranjo do cemitério, ou pela estrada, há muito desejada, por entre obras prioritárias há muito adiadas, por falta de meios, quando há concertos de borla para as massas. Essa voz que não é ficção, não passa de “populismo demagógico”?
O homem da associação que ganhou o direito à presença no stand gastronómico da festa, rejubila de alegria pelos jantares regados com taça de espumante a copo de plástico, debaixo da tenda gigante que traz as famílias e os amigos, acotovelados aos milhares, num espaço físico cada vez mais curto.
O visitante que quer jantar melhor do que ficar pelo Zé das farturas e do algodão doce do arraial, que clama por restaurantes a horas, hotéis ou hostels a preço módico, comércio para a recordação, e outros polos de interesse, queda-se pelas fotos da arte urbana, dos guarda chuvas coloridos, do carnaval fora de horas, e do festival das estátuas.
O evento que anda há muito para ser reformulado, melhorado, projetado para além do mesmo registo de sempre, parece não conseguir ler o futuro, antes preferindo a comodidade do presente.
Como cidadão de Águeda, adoro o evento, pelo que pode convocar de empatia do concelho pelo mundo de quem nos visita, e pelo orgulho de quem recebe, mas gostaria muito que o mesmo não começasse a resvalar para o cansaço morno das iniciativas que morrem, pela repetição e pela falta de ideias novas.
Há muito que defendo, aparentemente sem sucesso, que um evento desta grandeza, merece muito mais do que a rotina dos anos que passam. Há hoje condições financeiras e de gestão autárquica para alcandorar o evento para além da “imagem colorida” e do “efémero retorno”.
É verdade que um evento de entretenimento, não pode transformar-se num exercício chato de cultura ou de pretensiosismo intelectual bacôco em que o Agitágueda que é uma festa de “massas” se transforme num certame cultural para elites.
Mas não desisto de recomendar a ideia da realização de uma feira do “livro”, que honre a terra de poetas que somos (Manuel Alegre e outros), e que pelo menos durante uma das três extensas semanas do evento promova, na biblioteca municipal, no centro de artes, nas ruas da cidade, nos fóruns e auditórios das freguesias do concelho e nos seus lugares de tradição, a cultura popular que é a História de Águeda.
Vivemos um tempo de falta de memórias, de empatia cínica, ou pelo menos de falta de atenção pelas memórias que fazem um destino, uma identidade coletiva.
Quando há fome e miséria, guerra e catástrofes naturais e outros estados de alma do Mal que não param de fustigar o Mundo, preferimos o conforto do paraíso em que vivemos, como se não houvesse amanhã.

