SOCIEDADE
“A Última Floresta” sensibiliza para o drama dos incêndios florestais
29 de maio de 2026Foi inaugurada esta sexta-feira, junto à entrada da Escola Secundária Marques de Castilho, em Águeda, a exposição sensorial “A Última Floresta”, uma instalação artística que pretende alertar a comunidade para o impacto devastador dos incêndios florestais e para a necessidade de preservar a floresta.
A mostra, promovida pelo Município de Águeda em parceria com a associação QUERCUS e o grupo Floreste Corte, entre outros, transforma o espaço público numa experiência imersiva que recria o ambiente de uma floresta ardida, envolvendo calor, vento e cheiro a madeira queimada.
Durante a inauguração, o vice-presidente da Câmara Municipal de Águeda destacou o papel da arte como ferramenta de sensibilização social, recordando outras intervenções urbanas promovidas no concelho.
“Aquilo que nós pretendemos com estas instalações artísticas é que se fale de um problema. As florestas têm que ser preservadas”, afirmou Edson Santos, sublinhando que a exposição é também uma homenagem aos bombeiros, forças de segurança e todos os que trabalham na proteção da floresta.
O autarca explicou ainda que o objetivo passa por levar as escolas ao local, permitindo aos mais jovens contactar com a sensação de estar “numa floresta que está morta”, numa experiência que pretende despertar consciências para a realidade dos incêndios.
IMPORTANTE SENSIBILIZAÇÃO PÚBLICA
A empresa responsável pelo projeto explicou que esta é a primeira vez que a exposição é apresentada em espaço público, considerando simbólico o facto de Águeda ter sido o primeiro município a acolher a iniciativa.
“Portugal é um dos países mais fustigados pelos incêndios florestais na Europa, daí a pertinência desta exposição”, referiu o representante da organização, acrescentando que “A Última Floresta” foi concebida como uma experiência sensorial capaz de aproximar os visitantes da realidade enfrentada pelos operacionais no terreno.
A instalação inclui aquecedores para recriar o calor do rescaldo, ventoinhas acionadas por sensores para simular o vento e difusores aromáticos desenvolvidos especificamente para reproduzir o cheiro característico de uma área ardida.
Também presente na cerimónia, Nuno Ferreira, dos Bombeiros Voluntários de Águeda, salientou a importância da sensibilização pública para os comportamentos de risco que frequentemente estão na origem dos incêndios.
“Mesmo sem querer, muitas vezes criamos incêndios que depois ficam fora de controlo e devastam grandes áreas de floresta”, alertou, lembrando os impactos na biodiversidade, nos habitats naturais e nas populações.
EXPOSIÇÃO PODE VIR A SER PROLONGADA
A escolha do local da exposição, à porta de uma escola, foi igualmente destacada pelo presidente da Câmara, Jorge Almeida como um símbolo de educação e consciencialização das novas gerações.
Na sua intervenção, foi recordado que a esmagadora maioria dos incêndios florestais resulta da ação humana, muitas vezes associada ao desleixo ou à falta de cuidado. O edil de Águeda lembrou ainda a proximidade das comemorações dos 40 anos do incêndio de Castanheira de Vouga, tragédia que marcou profundamente o concelho de Águeda, anunciando a pretensão da exposição de estender para além de 7 de junho - até 14 de junho, dia em que se recordarão as vítimas do incêndio catástrofe de 1986, que vitimou 13 bombeiros das corporações de Águeda e Anadia, além de três civis.

