Alberto Marques
O “FENÓMENO” AMIAIS DE BAIXO E A ORQUESTRA 12 DE ABRIL
10 de maio de 2024Amiais de Baixo é uma pequena freguesia do concelho de Santarém, com apenas 6,3km2 de área e menos de 2000 habitantes. Além da beleza natural da Nascente do Alviela (atracção turística local), Amiais de Baixo é muito conhecida pela sua impressionante festa religiosa anual.
Os festejos em honra do Mártir São Sebastião realizam-se em Amiais de Baixo há mais de 150 anos, no Domingo anterior ao Carnaval, normalmente no mês de Fevereiro. São cinco dias muito intensos, que atraem milhares de visitantes e trazem de volta às origens muito amienses espalhados numa diáspora regional e internacional, enchendo as casas e as ruas da pequena e pacata vila. Até aqui, não vislumbramos grande originalidade relativamente à realidade de tantas aldeias e vilas portuguesas que ganham “nova vida” em certas festividades, mas acredite, caro leitor, que as Festas de Amiais podem ter tudo… menos comparação!
Conheço pessoalmente as Festas de Amiais há apenas três anos, fruto da participação do meu filho na Orquestra Filarmónica 12 de Abril, de Travassô, Águeda. Sempre me intrigou o facto de, ao invés das outras saídas e actuações da Orquestra, o evento de Amiais de Baixo implicar a deslocação e estadia durante quatro dias de dezenas de músicos, instrumentos e equipamentos de apoio, mas rapidamente compreendi esta especificidade. A organização das festas proporciona à “comitiva” alojamento no hotel local, bem como pequenos-almoços, almoços e jantares nos quatro dias, nunca deixando de envolver a OF12A – músicos, staff de apoio, dirigentes e amigos – no intenso programa dos festejos.
Outro facto impressionante é a participação da OF12A nas Festas de Amiais repetir-se há 32 anos, com direito a placa toponímica num largo da vila por ocasião dos 25 anos desta estreita ligação.
Na primeira vez que acompanhei a OF12A a Amiais, fiquei imediatamente perplexo com a recepção dos amienses àquela que, sentida e carinhosamente, chamam “a nossa banda”. A população em peso, centenas de pessoas, crianças, jovens, adultos, idosos, está na rua à espera da chegada do autocarro e, após uma enorme descarga de foguetes, acompanha em massa o primeiro desfile da OF12A pelas ruas da vila e o primeiro concerto (de vários) num dos coretos locais. Nessa noite, a OF12A acompanha a impressionante Procissão dos Archotes, com mais de um quilómetro de comprimento e muitas centenas de archotes acesos (em 2010 chegou a ser record do Guiness…); no inicio da manhã de Domingo acompanham a mordomia num desfile/peditório pelas ruas da vila, participam na procissão solene e tocam novamente nos coretos; na Segunda e Terça-feira, novo périplo pela vila, e vários concertos intercalados com os tradicionais leilões de oferendas; na noite de Terça-feira, após um desfile nocturno, temos a emocionante despedida com uma actuação junto ao hotel, seguida de mais uma sessão de fogo de artifício. A OF12A toca o seu tema de despedida e a “Marcha de Amiais”, acompanhada por um coro de centenas de amienses que só abandonam a rua após a partida.
Mas o que mais me impressiona nesta relação vai muito além deste intenso “programa” de actuações. O que realmente nos arrebata é a relação do povo de Amiais de Baixo com a OF12A e acompanhantes.
Durante estes quatro dias perdemos a conta à quantidade de casas para que somos convidados a entrar, comer, beber e confraternizar, como se de uma visita Pascal de tratasse. E o carinho e “cumplicidade” dos comerciantes, nos cafés, restaurantes e mesmo nas pessoas que encontramos na rua… Basta dizer que somos de Águeda ou Travassô para os sorrisos se abrirem e nos dizerem o quanto gostam da “nossa banda”…
Recentemente, a OF12A festejou em Travassô o seu 99º aniversário, com a presença (habitual) de algumas dezenas de amienses, incluindo o Presidente da Junta de Freguesia local. No próximo ano, a “nossa banda” celebrará o centenário, com a promessa da presença massiva dos amigos de Amiais de Baixo, que já estão a organizar viagem e estadia. Inspirando-me nos versos de Chico Buarque, cheira-me que será muito bonita a festa dos cem anos, pá…
Nota: O autor escreve de acordo
com a antiga grafia, que é como
quem diz, em português.
Os festejos em honra do Mártir São Sebastião realizam-se em Amiais de Baixo há mais de 150 anos, no Domingo anterior ao Carnaval, normalmente no mês de Fevereiro. São cinco dias muito intensos, que atraem milhares de visitantes e trazem de volta às origens muito amienses espalhados numa diáspora regional e internacional, enchendo as casas e as ruas da pequena e pacata vila. Até aqui, não vislumbramos grande originalidade relativamente à realidade de tantas aldeias e vilas portuguesas que ganham “nova vida” em certas festividades, mas acredite, caro leitor, que as Festas de Amiais podem ter tudo… menos comparação!
Conheço pessoalmente as Festas de Amiais há apenas três anos, fruto da participação do meu filho na Orquestra Filarmónica 12 de Abril, de Travassô, Águeda. Sempre me intrigou o facto de, ao invés das outras saídas e actuações da Orquestra, o evento de Amiais de Baixo implicar a deslocação e estadia durante quatro dias de dezenas de músicos, instrumentos e equipamentos de apoio, mas rapidamente compreendi esta especificidade. A organização das festas proporciona à “comitiva” alojamento no hotel local, bem como pequenos-almoços, almoços e jantares nos quatro dias, nunca deixando de envolver a OF12A – músicos, staff de apoio, dirigentes e amigos – no intenso programa dos festejos.
Outro facto impressionante é a participação da OF12A nas Festas de Amiais repetir-se há 32 anos, com direito a placa toponímica num largo da vila por ocasião dos 25 anos desta estreita ligação.
Na primeira vez que acompanhei a OF12A a Amiais, fiquei imediatamente perplexo com a recepção dos amienses àquela que, sentida e carinhosamente, chamam “a nossa banda”. A população em peso, centenas de pessoas, crianças, jovens, adultos, idosos, está na rua à espera da chegada do autocarro e, após uma enorme descarga de foguetes, acompanha em massa o primeiro desfile da OF12A pelas ruas da vila e o primeiro concerto (de vários) num dos coretos locais. Nessa noite, a OF12A acompanha a impressionante Procissão dos Archotes, com mais de um quilómetro de comprimento e muitas centenas de archotes acesos (em 2010 chegou a ser record do Guiness…); no inicio da manhã de Domingo acompanham a mordomia num desfile/peditório pelas ruas da vila, participam na procissão solene e tocam novamente nos coretos; na Segunda e Terça-feira, novo périplo pela vila, e vários concertos intercalados com os tradicionais leilões de oferendas; na noite de Terça-feira, após um desfile nocturno, temos a emocionante despedida com uma actuação junto ao hotel, seguida de mais uma sessão de fogo de artifício. A OF12A toca o seu tema de despedida e a “Marcha de Amiais”, acompanhada por um coro de centenas de amienses que só abandonam a rua após a partida.
Mas o que mais me impressiona nesta relação vai muito além deste intenso “programa” de actuações. O que realmente nos arrebata é a relação do povo de Amiais de Baixo com a OF12A e acompanhantes.
Durante estes quatro dias perdemos a conta à quantidade de casas para que somos convidados a entrar, comer, beber e confraternizar, como se de uma visita Pascal de tratasse. E o carinho e “cumplicidade” dos comerciantes, nos cafés, restaurantes e mesmo nas pessoas que encontramos na rua… Basta dizer que somos de Águeda ou Travassô para os sorrisos se abrirem e nos dizerem o quanto gostam da “nossa banda”…
Recentemente, a OF12A festejou em Travassô o seu 99º aniversário, com a presença (habitual) de algumas dezenas de amienses, incluindo o Presidente da Junta de Freguesia local. No próximo ano, a “nossa banda” celebrará o centenário, com a promessa da presença massiva dos amigos de Amiais de Baixo, que já estão a organizar viagem e estadia. Inspirando-me nos versos de Chico Buarque, cheira-me que será muito bonita a festa dos cem anos, pá…
Nota: O autor escreve de acordo
com a antiga grafia, que é como
quem diz, em português.

