Ciclismo
Uma Volta a Portugal entre a afirmação e a encruzilhada
04 de setembro de 2026Há edições da Volta a Portugal que se medem pela classificação final. Outras deixam questões que permanecem depois de o último ciclista cruzar a meta. A edição de 2026 pertence claramente a este segundo grupo.
Para Águeda, a Volta teve uma dimensão particularmente feliz. A cidade recebeu o contrarrelógio individual, numa etapa de 17,4 quilómetros entre Sangalhos e Águeda, e viu triunfar uma equipa cuja história recente está cada vez mais ligada ao concelho. O vencedor da etapa foi Julius Johansen, da UAE Team Emirates-XRG, mas a camisola amarela continuou nos ombros de Alexis Guérin, que acabaria por confirmar no Porto a vitória na 87.ª edição.
É difícil, por isso, separar a vitória da Anicolor/Campicarn da história da estrutura que hoje tem em Águeda a sua casa. A estrutura liderada há três décadas por Carlos Pereira começou o seu percurso em Gondomar, então ligada à Barbot, passou depois por Gaia e Ovar - com o naming Efapel - e encontrou em Águeda (2021), com a influência decisiva de Fernando Sampaio, da Anicolor, o contexto para transformar promessas em resultados.
Os números são eloquentes. Desde que a estrutura se instalou no concelho - sempre sob comando de Ruben Pereira como diretor desportivo -, ganhou quatro das últimas seis edições da Volta a Portugal: o uruguaio Maurício Moreira, em 2022, depois de ter sido segundo no ano anterior; o russo Artem Nych, em 2024 e 2025; e agora o francês Alexis Guérin. É uma sequência que já não pode ser explicada pelo acaso, nem apenas pela disponibilidade de melhores recursos. Há uma cultura competitiva que se consolidou e uma estrutura que aprendeu a ganhar....
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