Pedro Ferreira .. Contra Fatos
OS FILHOS DO HOMEM
26 de março de 2026Em 2006, “Os Filhos do Homem”, um filme protagonizado por Clive Owen, Julian Moore e Michael Cane, retrata um futuro, em 2027, em que o mundo tinha entrado em colapso porque as mulheres deixaram de conseguir engravidar. A história revolve em torno do protagonista a tentar proteger uma mulher grávida enquanto tenta levá-la em segurança para um refúgio, porque ela e o bebé representam a última esperança da Humanidade.
Propositadamente, ou não, este filme com pouco mais de 20 anos é uma alegoria daquilo que, muito em breve, estaremos a vivenciar. E os sinais já são suficientes e evidentes.
Ao longo dos últimos 20 anos, a natalidade em Portugal manteve uma tendência de queda forte na primeira metade do período e depois entrou numa fase de estabilização, mas em valores baixos. Portugal continua longe dos níveis de substituição de gerações, apesar de pequenas recuperações recentes. Em 2024, o saldo natural foi negativo, com mais mortes do que nascimentos, o que confirma que a natalidade, sozinha, não compensa o envelhecimento populacional.
Além disso, há também uma mudança clara no comportamento familiar: a maternidade está a ser adiada, e a idade média ao nascimento do primeiro filho ultrapassou os 30 anos pelo quinto ano consecutivo, chegando aos 30,3 anos em 2024.
Resultado: em 2024, havia quase dois idosos por cada jovem (192 idosos por cada 100 jovens). No mesmo ano existiam ainda 2,6 pessoas em idade ativa por cada idoso, quando há 20 anos eram cerca de 4. A manterem-se os indicadores actuais, o futuro próximo será ainda menos animador.
O impacto no país deste cenário é próximo de catastrófico, com a “solidariedade geracional” posta em causa a vários níveis. Em termos económicos, o número de jovens não será suficiente para gerar a riqueza necessária para suportar a necessidade de recursos de uma população envelhecida. Nestes recursos incluem-se pensões e reformas, cuidados de saúde e resposta social (lares, cuidados continuados e apoio domiciliário).
Menos jovens significa também menos escolas e recursos educativos, com impacto directo sobre a necessidade de professores e profissionais de educação. Mas menos jovens significa igualmente um mercado de trabalho mais curto e sem capacidade de regeneração. As empresas terão muitas dificuldades em ter acesso a mão-de-obra (qualificada ou não). E um mercado de trabalho sem mão-de-obra é como um motor sem combustível: não funciona.
Por isso, o protagonista do filme “Os Filhos do Homem” é uma metáfora daquilo que as políticas públicas e os políticos deveriam ser para um país que se encontra em estado comatoso: um vislumbre de esperança e de protecção daquilo que é mais precioso para a renovação de uma sociedade – os seus jovens.
Nota: o autor escreve
segundo o antigo acordo ortográfico
Propositadamente, ou não, este filme com pouco mais de 20 anos é uma alegoria daquilo que, muito em breve, estaremos a vivenciar. E os sinais já são suficientes e evidentes.
Ao longo dos últimos 20 anos, a natalidade em Portugal manteve uma tendência de queda forte na primeira metade do período e depois entrou numa fase de estabilização, mas em valores baixos. Portugal continua longe dos níveis de substituição de gerações, apesar de pequenas recuperações recentes. Em 2024, o saldo natural foi negativo, com mais mortes do que nascimentos, o que confirma que a natalidade, sozinha, não compensa o envelhecimento populacional.
Além disso, há também uma mudança clara no comportamento familiar: a maternidade está a ser adiada, e a idade média ao nascimento do primeiro filho ultrapassou os 30 anos pelo quinto ano consecutivo, chegando aos 30,3 anos em 2024.
Resultado: em 2024, havia quase dois idosos por cada jovem (192 idosos por cada 100 jovens). No mesmo ano existiam ainda 2,6 pessoas em idade ativa por cada idoso, quando há 20 anos eram cerca de 4. A manterem-se os indicadores actuais, o futuro próximo será ainda menos animador.
O impacto no país deste cenário é próximo de catastrófico, com a “solidariedade geracional” posta em causa a vários níveis. Em termos económicos, o número de jovens não será suficiente para gerar a riqueza necessária para suportar a necessidade de recursos de uma população envelhecida. Nestes recursos incluem-se pensões e reformas, cuidados de saúde e resposta social (lares, cuidados continuados e apoio domiciliário).
Menos jovens significa também menos escolas e recursos educativos, com impacto directo sobre a necessidade de professores e profissionais de educação. Mas menos jovens significa igualmente um mercado de trabalho mais curto e sem capacidade de regeneração. As empresas terão muitas dificuldades em ter acesso a mão-de-obra (qualificada ou não). E um mercado de trabalho sem mão-de-obra é como um motor sem combustível: não funciona.
Por isso, o protagonista do filme “Os Filhos do Homem” é uma metáfora daquilo que as políticas públicas e os políticos deveriam ser para um país que se encontra em estado comatoso: um vislumbre de esperança e de protecção daquilo que é mais precioso para a renovação de uma sociedade – os seus jovens.
Nota: o autor escreve
segundo o antigo acordo ortográfico

