Ciclismo
Gabriel Varela: campeão nacional, mas primeiro homem e estudante
23 de setembro de 2026Há dois anos, Gabriel Varela queria apenas andar de bicicleta. Recusava competir. Hoje é campeão nacional de estrada em cadetes, venceu o Grande Prémio Alves Barbosa e prepara-se para subir a juniores num novo clube. A velocidade da ascensão impressiona. Mas, em casa, há uma preocupação maior do que ganhar: saber gerir o sucesso, continuar a estudar e perceber que uma camisola de campeão distingue um corredor mas também o obriga a ser exemplo
Depois de experiências no futebol como guarda-redes, e de não se mostrar atraído para seguir as pisadas do pai Sérgio na canoagem, a bicicleta surgiu como uma forma de andar, de se divertir, de sair de casa na vida de Gabriel. A competição estava longe das suas preocupações. A dúvida pôs-se entre BTT e estrada, acabou por preferir esta.
Hoje, prestes a completar 16 anos, o aguedense é campeão nacional de estrada em cadetes, veste a camisola que o distingue em todas as corridas e acaba de vencer o Grande Prémio Alves Barbosa ao serviço do Cantanhede Cycling/VESAM.
RÁPIDA TRANSFORMAÇÃO
A transformação aconteceu depressa, talvez depressa demais para quem a viveu por dentro. “Eu quando comecei mesmo a andar de bicicleta nem pensava sequer em fazer ciclismo em si, pensava em andar a umas voltas para me divertir”, recorda Gabriel.
A vontade de competir apareceu depois. “Quando comecei a entrar mais no meio, comecei a treinar mais e este ano comecei a acreditar mais em mim mesmo e que podia conseguir fazer alguma coisa”.
O que aconteceu entretanto é uma das histórias mais interessantes desta evolução. No primeiro ano, Gabriel ainda era um corredor que muitas vezes ficava para trás e nem sempre conseguia terminar as provas. Um ano depois, começou a andar na frente. Acabou campeão nacional.
Sérgio Varela, o pai, acompanha essa transformação com o orgulho natural de quem vê um filho crescer, mas também com a surpresa de quem nunca antecipou que tudo pudesse acontecer tão depressa.
“Nós não estávamos de todo à espera”, admite. “O Gabriel surge no ciclismo mais até de uma forma lúdica e para praticar o desporto, mas o ciclismo entrou na vida dele de uma forma muito agradável e foi-se empenhando e ganhando um gosto grande pela modalidade”.
A memória que guarda do filho há apenas um ano é muito diferente da realidade atual. “O ano passado o Gabriel andava no fundo do pelotão, às vezes não conseguia acabar as corridas porque ficava cortado, e este ano, com orgulho, assistimos à ascensão que conseguiu fazer”...
Leia o artigo completo na edição n.º 9444 de Soberania do Povo, impressa ou digital

