Luis Gonzaga Grego
A NUDEZ
05 de agosto de 2026Iniciamos com uma pequena referência ao Erasmo que foi o tema da última crónica. No Cap. 12, "Do Quarto de Dormir": “Quando se despir, quando se levantar, não se esqueça do decoro e cuidado para não expôr aos olhos de outras pessoas qualquer coisa que a moralidade e a natureza exigem que seja ocultada.
Se dividir a cama com um companheiro, deite-se sossegadamente. Não mexa o corpo pois isto pode descobri-lo ou causar inconveniência ao campanheiro, puxando dele as cobertas.”
Mais, num livro inglês da segunda metade do séc. XV, a condição social também determinava o “melhor lado”:
“E se assim acontecer, à noite ou em qualquer tempo,
De teres que te deitar com qualquer homem que seja superior a ti,
Reserva-lhe o lado da cama que mais seja do agrado dele,
E deita-te no outro lado, pois é aquele o teu quinhão;”
A intimidade estava agora confinada ao quarto de dormir mas não fora sempre assim.
Era inteiramente normal receber visitantes em quartos com camas, e as próprias camas tinham valor de prestigio relacionado com sua opulencia.
As pessoas passavam a noite no quarto, com família e amigos.
Aqueles que não dormiam vestidos despiam-se integralmente.
A nudez ainda não constituía um problema.
É no banho, principalmente nos balneários públicos que esta naturalidade em mostrar o corpo nú está ainda longe da fronteira da vergonha.
Sabemos hoje que os cavaleiros medievais eram atendidos no banho por mulheres; do mesmo modo, eram elas que lhes levavam à cama a bebida de despedida da noite.
Era prática comum, pelo menos nas cidades, despir-se em casa antes de ir para banhos. "É muito frequente ver o pai, apenas usando uns calções, acompanhado da esposa e dos filhos nus, correr pelas ruas, de sua casa para os banhos.”
A partir do séc XVI esta vida ao natural vai desaparecendo, primeiro nas classes altas e muito mais devagar nas baixas. Até então a vista do corpo nú era um lugar mais comum do que na era moderna.
A vergonha passou a acompanhar formas de comportamento que antes haviam estado livres desse sentimento.
Sorvendo dos textos bíblicos, "percebendo que estavam nus. ficaram envergonhados", dá-se um avanço em direcção à fronteira da vergonha, a mais recato, como diversas vezes ao longo da História.
Desaparece a despreocupação em mostrar-se nu, como também em satisfazer as necessidades corporais na frente dos outros. Tornando-se menos comum na vida social esse espectáculo adquire uma nova importância.
A descrição do corpo passa para a arte, é o sonho como objecto, uma imagem onírica, os desejos não realizados.
A relação com o corpo deixou de ser ingénua e tornou-se sentimental.
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.
Se dividir a cama com um companheiro, deite-se sossegadamente. Não mexa o corpo pois isto pode descobri-lo ou causar inconveniência ao campanheiro, puxando dele as cobertas.”
Mais, num livro inglês da segunda metade do séc. XV, a condição social também determinava o “melhor lado”:
“E se assim acontecer, à noite ou em qualquer tempo,
De teres que te deitar com qualquer homem que seja superior a ti,
Reserva-lhe o lado da cama que mais seja do agrado dele,
E deita-te no outro lado, pois é aquele o teu quinhão;”
A intimidade estava agora confinada ao quarto de dormir mas não fora sempre assim.
Era inteiramente normal receber visitantes em quartos com camas, e as próprias camas tinham valor de prestigio relacionado com sua opulencia.
As pessoas passavam a noite no quarto, com família e amigos.
Aqueles que não dormiam vestidos despiam-se integralmente.
A nudez ainda não constituía um problema.
É no banho, principalmente nos balneários públicos que esta naturalidade em mostrar o corpo nú está ainda longe da fronteira da vergonha.
Sabemos hoje que os cavaleiros medievais eram atendidos no banho por mulheres; do mesmo modo, eram elas que lhes levavam à cama a bebida de despedida da noite.
Era prática comum, pelo menos nas cidades, despir-se em casa antes de ir para banhos. "É muito frequente ver o pai, apenas usando uns calções, acompanhado da esposa e dos filhos nus, correr pelas ruas, de sua casa para os banhos.”
A partir do séc XVI esta vida ao natural vai desaparecendo, primeiro nas classes altas e muito mais devagar nas baixas. Até então a vista do corpo nú era um lugar mais comum do que na era moderna.
A vergonha passou a acompanhar formas de comportamento que antes haviam estado livres desse sentimento.
Sorvendo dos textos bíblicos, "percebendo que estavam nus. ficaram envergonhados", dá-se um avanço em direcção à fronteira da vergonha, a mais recato, como diversas vezes ao longo da História.
Desaparece a despreocupação em mostrar-se nu, como também em satisfazer as necessidades corporais na frente dos outros. Tornando-se menos comum na vida social esse espectáculo adquire uma nova importância.
A descrição do corpo passa para a arte, é o sonho como objecto, uma imagem onírica, os desejos não realizados.
A relação com o corpo deixou de ser ingénua e tornou-se sentimental.
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.

