SOCIEDADE
Uma casa cheia de memórias em torno de Manuel Alegre
20 de maio de 2026Os 90 anos de Manuel Alegre foram assinalados num hotel em Lisboa, num jantar com forte carga afetiva e emocional que reuniu mais de uma centena de familiares, amigos próximos e figuras da vida política, diplomática, cultural e editorial portuguesa. Numa celebração marcada pela emoção, pelo humor e pelas memórias pessoais, esteve presente, de forma não oficial, o Presidente da República, António José Seguro. Águeda, a terra natal, esteve igualmente presente nas intervenções e nas memórias evocadas ao longo da noite, surgindo repetidamente como matriz afetiva da infância e da vida de Manuel Alegre.
Organizada à “revelia” do homenageado, como o próprio fez questão de sublinhar com ironia, a iniciativa partiu de um grupo de amigos encabeçado por Maria de Belém Roseira e acabou por transformar-se numa evocação íntima e afetiva da vida de Manuel Alegre, conduzida pelos filhos, pelos amigos mais antigos e pela memória da irmã recentemente falecida.
Na mesa de Águeda sentaram-se Paulo Sucena, Henrique Melo e a esposa, Afonso Melo e a mãe Constança e Rui Breda, ‘braço direito’ do poeta na Dom Quixote, editora que publica a obra de Manuel Alegre. O diretor do jornal Soberania do Povo também marcou presença.
Mas foram sobretudo os filhos — Francisco Alegre Duarte, Afonso Duarte e Joana Alegre — que deram o tom íntimo e humano da noite, reconstruindo, entre gargalhadas e emoção, episódios de infância e juventude que ajudaram a desenhar o retrato doméstico de uma das figuras maiores da literatura e da vida pública portuguesa.
Francisco Duarte - atual embaixador na Suécia - abriu as intervenções com uma evocação da herança política e afetiva recebida dos pais. “Tenho muito orgulho em ser filho de dois revolucionários, dois traidores da sua classe social, que dedicaram boa parte da sua vida ao combate pela liberdade”, afirmou. Nascido quando o pai estava no exílio, na Argélia, recordou a entrada clandestina em Portugal após o 25 de Abril, “com um passaporte falso”, antes de regressar anos mais tarde como diplomata português.
Leia o artigo completo na edição n.º 9429 de Soberania do Povo, impressa ou digital

