Paulo Matos
A morte de Edgar Morin (1921-2026)
03 de junho de 2026Na semana passada vieram a público duas noticias, uma bastante positiva – a encíclica papal de Leão XIV Magnifica Humanitas (Magnifica humanidade)”, e outra negativa - a morte do filósofo Edgar Morin.
A morte de Edgar Morin, filósofo e sociólogo francês, fez-me recuar à memória de um livro do autor com o título “O paradigma perdido – A Natureza Humana” (1973), que me foi sugerido, nos tempos da frequência da minha escola secundária Marques Castilho, pela minha então professora de filosofia, a saudosa Senhora Professora Rosa Maria Barbosa (esposa de um ciclista famoso “Alves Barbosa”).
Com a feliz sorte de ter tido uma professora da grandeza intelectual e humana da Profª Rosa Maria Barbosa, que de resto era uma pessoa de esquerda, aprendi a gostar de filosofia, de psicologia e de sociologia, e de outras áreas das ciências sociais e humanas, da cultura, da ética, da política e do conhecimento interdisciplinar entre as ciências da natureza e do ser humano.
O livro de Edgar Morin “Paradigma Perdido – A Natureza Humana", foi para mim fundamental para perceber o quanto a educação futura tinha que deixar a visão fragmentada e separada que a ciência moderna tinha do ser humano - em que a antropologia separava o homem da natureza -, e em que a biologia reduzia o ser vivo a meros mecanismos técnico científicos, separados dos labirintos da incerteza da natureza humana.
Edgar Morin defendia que o ser humano não é, nem apenas um animal biológico, nem apenas um ser puramente cultural e sobrenatural. O Homem é um ser complexo, em que a cultura, a sociedade e a consciência humana só podem ser compreendidas quando em conexão permanente com a sua base biológica e evolutiva, sendo a identidade humana uma unidade entre ser biológico e ser social que contém diversidade.
Essa primeira aprendizagem filosófica que tive a felicidade de experimentar, num tempo sem computação, sem redes sociais, sem iphones, sem fake news, ou sem inteligência artificial, permitiu-me consolidar a ideia de que o conhecimento científico nunca é uma certeza, antes vive de erro e correção permanente, em diálogo sistemático com as humanidades que tão desprezadas têm sido hoje, quer nos currículos escolares, quer nas práticas educativas que, não raro, descuram a formação do “humano” e privilegiam a formação das “competências técnicas” para o mercado de trabalho.
As consequências desta visão tecnocrática da educação, estão hoje exponenciadas com o alheamento total dos alunos nas escolas e até nas universidades, das áreas das ciências sociais e humanas.
Os alunos são pouco educados para ler, pensar e ter pensamento crítico, mas mais para dominar as tecnicalidades da revolução algorítmica exigida pelo novo mercado de trabalho que parece estar a emergir dum novo paradigma totalitário que cresce em torno da má utilização da inteligência artificial.
E o papa Leão XIV com esta nova encíclica, Magnifica Humanitas, vem curiosamente ao encontro dos avisos que o filósofo Edgar Morin já fazia nos anos setenta com o “paradigma perdido” e depois nos anos noventa com os “sete saberes necessários à Educação do futuro” publicado pela UNESCO em 1999, cuja mensagem eu resumiria do seguinte modo: o conhecimento não é feito de saberes fragmentados ou de acumulação de informação dispersa para resolver problemas que são complexos; o conhecimento implica que cada ser humano singular tenha uma consciência do seu destino de pertença comum à humanidade, consciência ecológica, cooperação, solidariedade (nas crises, nas pandemias, nas guerras, na paz), e sobretudo escolhas éticas e politicas sobre o tipo de sociedade em que se quer viver.
Ainda assim Ana Sá Lopes, no jornal Público, adverte que “está a acontecer uma mudança civilizacional assustadora que não vem da IA nem do algoritmo: é enorme a quantidade de pessoas que salvariam o seu animal de estimação em detrimento de outro humano (ex, um idoso) em caso de tragédia”.
A morte de Edgar Morin, filósofo e sociólogo francês, fez-me recuar à memória de um livro do autor com o título “O paradigma perdido – A Natureza Humana” (1973), que me foi sugerido, nos tempos da frequência da minha escola secundária Marques Castilho, pela minha então professora de filosofia, a saudosa Senhora Professora Rosa Maria Barbosa (esposa de um ciclista famoso “Alves Barbosa”).
Com a feliz sorte de ter tido uma professora da grandeza intelectual e humana da Profª Rosa Maria Barbosa, que de resto era uma pessoa de esquerda, aprendi a gostar de filosofia, de psicologia e de sociologia, e de outras áreas das ciências sociais e humanas, da cultura, da ética, da política e do conhecimento interdisciplinar entre as ciências da natureza e do ser humano.
O livro de Edgar Morin “Paradigma Perdido – A Natureza Humana", foi para mim fundamental para perceber o quanto a educação futura tinha que deixar a visão fragmentada e separada que a ciência moderna tinha do ser humano - em que a antropologia separava o homem da natureza -, e em que a biologia reduzia o ser vivo a meros mecanismos técnico científicos, separados dos labirintos da incerteza da natureza humana.
Edgar Morin defendia que o ser humano não é, nem apenas um animal biológico, nem apenas um ser puramente cultural e sobrenatural. O Homem é um ser complexo, em que a cultura, a sociedade e a consciência humana só podem ser compreendidas quando em conexão permanente com a sua base biológica e evolutiva, sendo a identidade humana uma unidade entre ser biológico e ser social que contém diversidade.
Essa primeira aprendizagem filosófica que tive a felicidade de experimentar, num tempo sem computação, sem redes sociais, sem iphones, sem fake news, ou sem inteligência artificial, permitiu-me consolidar a ideia de que o conhecimento científico nunca é uma certeza, antes vive de erro e correção permanente, em diálogo sistemático com as humanidades que tão desprezadas têm sido hoje, quer nos currículos escolares, quer nas práticas educativas que, não raro, descuram a formação do “humano” e privilegiam a formação das “competências técnicas” para o mercado de trabalho.
As consequências desta visão tecnocrática da educação, estão hoje exponenciadas com o alheamento total dos alunos nas escolas e até nas universidades, das áreas das ciências sociais e humanas.
Os alunos são pouco educados para ler, pensar e ter pensamento crítico, mas mais para dominar as tecnicalidades da revolução algorítmica exigida pelo novo mercado de trabalho que parece estar a emergir dum novo paradigma totalitário que cresce em torno da má utilização da inteligência artificial.
E o papa Leão XIV com esta nova encíclica, Magnifica Humanitas, vem curiosamente ao encontro dos avisos que o filósofo Edgar Morin já fazia nos anos setenta com o “paradigma perdido” e depois nos anos noventa com os “sete saberes necessários à Educação do futuro” publicado pela UNESCO em 1999, cuja mensagem eu resumiria do seguinte modo: o conhecimento não é feito de saberes fragmentados ou de acumulação de informação dispersa para resolver problemas que são complexos; o conhecimento implica que cada ser humano singular tenha uma consciência do seu destino de pertença comum à humanidade, consciência ecológica, cooperação, solidariedade (nas crises, nas pandemias, nas guerras, na paz), e sobretudo escolhas éticas e politicas sobre o tipo de sociedade em que se quer viver.
Ainda assim Ana Sá Lopes, no jornal Público, adverte que “está a acontecer uma mudança civilizacional assustadora que não vem da IA nem do algoritmo: é enorme a quantidade de pessoas que salvariam o seu animal de estimação em detrimento de outro humano (ex, um idoso) em caso de tragédia”.

