Ana Breda .. Do lado da mão invisível
A crise da habitação em Portugal: faltam casas ou sobram culpados?
28 de outubro de 2026O acesso a uma habitação a valores sustentáveis e que se enquadrem no orçamento familiar comum é uma das maiores dificuldades que as famílias portuguesas enfrentam hoje.
É importante desmontar explicações simplistas para a subida dos preços, será que a responsabilidade deve ser atribuída sobretudo aos senhorios, aos imigrantes, ao turismo ou aos investidores? A partir de dados económicos, conseguimos concluir que é necessário olhar para um problema estrutural frequentemente esquecido no debate público: a insuficiência da construção de novas habitações.
Durante décadas, Portugal construiu centenas de milhares de casas durante um período de dez anos. Porém, entre 2011 e 2021, o número de alojamentos familiares aumentou apenas cerca de 111 mil, uma quebra extremamente significativa face às décadas anteriores. Durante esse período, a procura manteve-se elevada, impulsionada por vários fatores, incluindo a redução das taxas de juro durante parte desse período, a concentração de emprego nos grandes centros urbanos e as necessidades de novas famílias.
A lógica económica é simples: quando a procura aumenta e a oferta não acompanha, os preços tendem a subir. Não basta, por isso, apontar o dedo a quem arrenda ou compra imóveis. É preciso perceber por que razão o mercado não consegue disponibilizar casas suficientes onde as pessoas querem viver.
É importante destacarmos uma série de obstáculos como a demora dos licenciamentos, a escassez de terrenos urbanizáveis, a carga fiscal, os custos de construção e a falta de mão de obra qualificada: estes fatores dificultam novos investimentos, atrasam projetos e tornam mais caro construir, favorecendo muitas vezes os segmentos de preços mais elevados.
Por outro lado, é necessário compreendermos uma realidade importante: Portugal pode ter muitas casas em determinadas regiões e, simultaneamente, escassez nas zonas onde se concentram empregos, universidades e serviços. Por esse motivo, a questão não é apenas quantas casas existem, mas sim onde estão e se respondem às necessidades das famílias.
A solução exige mais construção (potenciar a revisão dos PDMs de forma a simplificar e liberalizar ainda mais a construção!), reabilitação, melhor aproveitamento do património existente (forçar o Estado a colocar os seus próprios imóveis devolutos no mercado), simplificação administrativa e políticas públicas eficazes. A habitação pública e social também tem um papel relevante, mas não substitui a necessidade de aumentar a oferta global.
A principal conclusão é clara: sem construir mais casas, de forma sustentável e nos locais certos, será muito difícil travar duradouramente a subida dos preços e das rendas. Podemos discutir culpados e apresentar medidas imediatas, porém ignorar a falta de oferta é deixar por resolver uma parte fundamental do problema.
É importante desmontar explicações simplistas para a subida dos preços, será que a responsabilidade deve ser atribuída sobretudo aos senhorios, aos imigrantes, ao turismo ou aos investidores? A partir de dados económicos, conseguimos concluir que é necessário olhar para um problema estrutural frequentemente esquecido no debate público: a insuficiência da construção de novas habitações.
Durante décadas, Portugal construiu centenas de milhares de casas durante um período de dez anos. Porém, entre 2011 e 2021, o número de alojamentos familiares aumentou apenas cerca de 111 mil, uma quebra extremamente significativa face às décadas anteriores. Durante esse período, a procura manteve-se elevada, impulsionada por vários fatores, incluindo a redução das taxas de juro durante parte desse período, a concentração de emprego nos grandes centros urbanos e as necessidades de novas famílias.
A lógica económica é simples: quando a procura aumenta e a oferta não acompanha, os preços tendem a subir. Não basta, por isso, apontar o dedo a quem arrenda ou compra imóveis. É preciso perceber por que razão o mercado não consegue disponibilizar casas suficientes onde as pessoas querem viver.
É importante destacarmos uma série de obstáculos como a demora dos licenciamentos, a escassez de terrenos urbanizáveis, a carga fiscal, os custos de construção e a falta de mão de obra qualificada: estes fatores dificultam novos investimentos, atrasam projetos e tornam mais caro construir, favorecendo muitas vezes os segmentos de preços mais elevados.
Por outro lado, é necessário compreendermos uma realidade importante: Portugal pode ter muitas casas em determinadas regiões e, simultaneamente, escassez nas zonas onde se concentram empregos, universidades e serviços. Por esse motivo, a questão não é apenas quantas casas existem, mas sim onde estão e se respondem às necessidades das famílias.
A solução exige mais construção (potenciar a revisão dos PDMs de forma a simplificar e liberalizar ainda mais a construção!), reabilitação, melhor aproveitamento do património existente (forçar o Estado a colocar os seus próprios imóveis devolutos no mercado), simplificação administrativa e políticas públicas eficazes. A habitação pública e social também tem um papel relevante, mas não substitui a necessidade de aumentar a oferta global.
A principal conclusão é clara: sem construir mais casas, de forma sustentável e nos locais certos, será muito difícil travar duradouramente a subida dos preços e das rendas. Podemos discutir culpados e apresentar medidas imediatas, porém ignorar a falta de oferta é deixar por resolver uma parte fundamental do problema.

