Ana Breda .. Do lado da mão invisível
O BOM SALÁRIO NÃO NASCE DO DIPLOMA
14 de outubro de 2026Há uma ideia que continua a ser pouco discutida na Europa: um diploma não cria, por si só, uma economia rica.
Durante décadas habituámo-nos a pensar que a solução para melhorar os salários passava essencialmente por aumentar as qualificações da população. Mais licenciados, mais formação, mais educação. Tudo isto é importante, obviamente. Mas existe um problema: se a economia não for capaz de transformar essas qualificações em produtividade, investimento e criação de valor, o resultado pode ser simplesmente termos mais pessoas qualificadas a disputar os mesmos empregos de sempre.
É aqui que a comparação entre a Europa e os Estados Unidos se torna interessante.
Um trabalhador pouco qualificado nos EUA pode ganhar mais do que um trabalhador europeu com competências semelhantes. Não porque os americanos sejam, em média, extraordinariamente mais inteligentes ou porque tenham estudado mais. A diferença está sobretudo na economia onde trabalham.
Uma empresa americana tem, em muitos sectores, mais capital por trabalhador, maior escala, maior acesso a investimento, mais tecnologia e mercados muito maiores. Um trabalhador equipado com melhores máquinas, software, processos e capital consegue produzir mais em menos tempo. E quando a produtividade aumenta, existe espaço para salários mais elevados.
É uma questão que Portugal deveria levar muito a sério.
Temos uma enorme tendência para discutir salários como se fossem uma decisão administrativa: aumentar o salário mínimo, aumentar impostos sobre empresas, criar benefícios ou legislar mais. Mas podemos aumentar salários por decreto apenas até certo ponto. Salários sustentáveis são consequência de produtividade sustentável.
E produtividade não significa trabalhar mais horas. Significa conseguir produzir mais valor durante cada hora trabalhada.
É também por isso que uma economia precisa de empresas que cresçam. Pequenas empresas são importantes, mas uma economia composta quase exclusivamente por microempresas, com pouco capital e baixa capacidade de investimento, dificilmente conseguirá pagar salários semelhantes aos das economias mais produtivas.
A política económica devia, por isso, preocupar-se menos com a aparência da qualificação e mais com aquilo que acontece depois dela: investimento, inovação, concorrência, internacionalização e criação de empresas capazes de crescer.
E há aqui uma conclusão particularmente importante para Portugal: não basta impedir que os nossos jovens saiam do país - é necessário criarmos razões económicas para que queiram ficar!
Em Águeda, isto percebe-se de forma muito concreta: existe uma economia industrial, empresas exportadoras e procura por mão de obra técnica e especializada, mas o verdadeiro desafio é aumentar a escala e a produtividade para que essa procura se traduza em salários cada vez melhores.
Os EUA mostram o que acontece quando capital, escala e produtividade conseguem transformar competências em salários elevados; Águeda mostra que Portugal já tem indústria e talento, mas ainda precisa de lhes dar mais capital, escala e produtividade.
A questão não é escolher entre licenciados e trabalhadores técnicos: é construir uma economia onde ambos consigam criar mais valor - e, consequentemente, ganhar mais.
Durante décadas habituámo-nos a pensar que a solução para melhorar os salários passava essencialmente por aumentar as qualificações da população. Mais licenciados, mais formação, mais educação. Tudo isto é importante, obviamente. Mas existe um problema: se a economia não for capaz de transformar essas qualificações em produtividade, investimento e criação de valor, o resultado pode ser simplesmente termos mais pessoas qualificadas a disputar os mesmos empregos de sempre.
É aqui que a comparação entre a Europa e os Estados Unidos se torna interessante.
Um trabalhador pouco qualificado nos EUA pode ganhar mais do que um trabalhador europeu com competências semelhantes. Não porque os americanos sejam, em média, extraordinariamente mais inteligentes ou porque tenham estudado mais. A diferença está sobretudo na economia onde trabalham.
Uma empresa americana tem, em muitos sectores, mais capital por trabalhador, maior escala, maior acesso a investimento, mais tecnologia e mercados muito maiores. Um trabalhador equipado com melhores máquinas, software, processos e capital consegue produzir mais em menos tempo. E quando a produtividade aumenta, existe espaço para salários mais elevados.
É uma questão que Portugal deveria levar muito a sério.
Temos uma enorme tendência para discutir salários como se fossem uma decisão administrativa: aumentar o salário mínimo, aumentar impostos sobre empresas, criar benefícios ou legislar mais. Mas podemos aumentar salários por decreto apenas até certo ponto. Salários sustentáveis são consequência de produtividade sustentável.
E produtividade não significa trabalhar mais horas. Significa conseguir produzir mais valor durante cada hora trabalhada.
É também por isso que uma economia precisa de empresas que cresçam. Pequenas empresas são importantes, mas uma economia composta quase exclusivamente por microempresas, com pouco capital e baixa capacidade de investimento, dificilmente conseguirá pagar salários semelhantes aos das economias mais produtivas.
A política económica devia, por isso, preocupar-se menos com a aparência da qualificação e mais com aquilo que acontece depois dela: investimento, inovação, concorrência, internacionalização e criação de empresas capazes de crescer.
E há aqui uma conclusão particularmente importante para Portugal: não basta impedir que os nossos jovens saiam do país - é necessário criarmos razões económicas para que queiram ficar!
Em Águeda, isto percebe-se de forma muito concreta: existe uma economia industrial, empresas exportadoras e procura por mão de obra técnica e especializada, mas o verdadeiro desafio é aumentar a escala e a produtividade para que essa procura se traduza em salários cada vez melhores.
Os EUA mostram o que acontece quando capital, escala e produtividade conseguem transformar competências em salários elevados; Águeda mostra que Portugal já tem indústria e talento, mas ainda precisa de lhes dar mais capital, escala e produtividade.
A questão não é escolher entre licenciados e trabalhadores técnicos: é construir uma economia onde ambos consigam criar mais valor - e, consequentemente, ganhar mais.

