Augusto Semedo .. editorial
ENTRE O ESSENCIAL E A DITADURA DO IMEDIATO: QUE FUTURO ESTAMOS A CONSTRUIR?
09 de abril de 2026Nem todo o investimento se mede em dinheiro — e muito menos em popularidade. Há investimentos que se medem em consciência. E talvez nunca tenha sido tão evidente como hoje, num tempo em que o valor das coisas parece depender mais do número de “likes” do que do impacto real na vida das pessoas.
Basta olhar para a reação do público aos conteúdos disponibilizados. Publicações sobre episódios de tensão, dramatização e intriga, frequentemente amplificando fraturas inconsequentes ou pretensas conquistas, geram reações imediatas: multiplicam-se os gostos, as partilhas e os comentários. O impulso é rápido, quase automático. Em contrapartida, notícias sobre trabalho consistente, investimento estrutural ou melhorias concretas — aquelas que verdadeiramente moldam o quotidiano coletivo — passam muitas vezes despercebidas.
As IPSS são um exemplo evidente dessa realidade. Estruturas essenciais, transversais a todas as gerações, que garantem respostas sociais onde elas são mais necessárias. Quando investem, quando modernizam, quando melhoram condições para utentes e profissionais, o reconhecimento público é, na maioria das vezes, reduzido. Não que o impacto seja menor; porém, não gera o mesmo tipo de estímulo imediato.
Este padrão não é inocente. Ele revela uma forma de olhar o mundo: privilegia-se o que provoca emoção instantânea em detrimento do que exige atenção, contexto e sentido de continuidade. E esse padrão tem consequências — aquilo a que damos visibilidade influencia aquilo que ganha prioridade.
É aqui que a política entra, não como um desvio mas como consequência direta deste comportamento coletivo. Se a atenção pública se concentra no imediato, no polémico e no emocional, é natural que a ação política sinta essa pressão.
Coloca-se então a questão essencial: orientar a governação para perseguir objetivos pessoais ou pelo interesse coletivo? Decidir para o imediato ou para o futuro? Medir o sucesso pelo artifício da popularidade momentânea ou pela consistência das decisões?
Quando o critério dominante passa a ser o retorno rápido, corre-se o risco de desvalorizar aquilo que realmente sustenta a sociedade — precisamente o tipo de trabalho que as IPSS (que se dá como exemplo) representam: contínuo, exigente, muitas vezes invisível, mas estrutural.
No fundo, o problema é o mesmo, seja no jornalismo, nas instituições ou na política: a dificuldade em valorizar o que não é imediato, o que não faz ruído, o que não se transforma facilmente em aplauso.
É por isso que a responsabilidade não é apenas coletiva — é também individual. Cada “like”, cada partilha, cada comentário é uma escolha. E cada escolha contribui para definir o que conta.
Há investimentos feitos em tempo, em disponibilidade e em compromisso. Horas para além do horário, recursos próprios colocados ao serviço de causas que ultrapassam o interesse individual. Quem o faz não procura reconhecimento fácil — fá-lo porque acredita, porque respeita, porque entende o valor do que está a construir.
Esse compromisso merece mais do que indiferença. Devia transmitir respeito! Fortalecemos a comunidade que integramos quando há respeito pelo nosso trabalho e pelo dos outros!
No fim, cada um fica com aquilo que escolhe valorizar — e amplificar. E talvez esteja na altura de percebermos que dignidade, consistência e impacto real não são conteúdos virais. Não se compra nem se ludribia! Mas são, sem dúvida, os que mais importam.
Entre o imediato — já quase uma ditadura — e o essencial: que futuro estamos a construir?
Basta olhar para a reação do público aos conteúdos disponibilizados. Publicações sobre episódios de tensão, dramatização e intriga, frequentemente amplificando fraturas inconsequentes ou pretensas conquistas, geram reações imediatas: multiplicam-se os gostos, as partilhas e os comentários. O impulso é rápido, quase automático. Em contrapartida, notícias sobre trabalho consistente, investimento estrutural ou melhorias concretas — aquelas que verdadeiramente moldam o quotidiano coletivo — passam muitas vezes despercebidas.
As IPSS são um exemplo evidente dessa realidade. Estruturas essenciais, transversais a todas as gerações, que garantem respostas sociais onde elas são mais necessárias. Quando investem, quando modernizam, quando melhoram condições para utentes e profissionais, o reconhecimento público é, na maioria das vezes, reduzido. Não que o impacto seja menor; porém, não gera o mesmo tipo de estímulo imediato.
Este padrão não é inocente. Ele revela uma forma de olhar o mundo: privilegia-se o que provoca emoção instantânea em detrimento do que exige atenção, contexto e sentido de continuidade. E esse padrão tem consequências — aquilo a que damos visibilidade influencia aquilo que ganha prioridade.
É aqui que a política entra, não como um desvio mas como consequência direta deste comportamento coletivo. Se a atenção pública se concentra no imediato, no polémico e no emocional, é natural que a ação política sinta essa pressão.
Coloca-se então a questão essencial: orientar a governação para perseguir objetivos pessoais ou pelo interesse coletivo? Decidir para o imediato ou para o futuro? Medir o sucesso pelo artifício da popularidade momentânea ou pela consistência das decisões?
Quando o critério dominante passa a ser o retorno rápido, corre-se o risco de desvalorizar aquilo que realmente sustenta a sociedade — precisamente o tipo de trabalho que as IPSS (que se dá como exemplo) representam: contínuo, exigente, muitas vezes invisível, mas estrutural.
No fundo, o problema é o mesmo, seja no jornalismo, nas instituições ou na política: a dificuldade em valorizar o que não é imediato, o que não faz ruído, o que não se transforma facilmente em aplauso.
É por isso que a responsabilidade não é apenas coletiva — é também individual. Cada “like”, cada partilha, cada comentário é uma escolha. E cada escolha contribui para definir o que conta.
Há investimentos feitos em tempo, em disponibilidade e em compromisso. Horas para além do horário, recursos próprios colocados ao serviço de causas que ultrapassam o interesse individual. Quem o faz não procura reconhecimento fácil — fá-lo porque acredita, porque respeita, porque entende o valor do que está a construir.
Esse compromisso merece mais do que indiferença. Devia transmitir respeito! Fortalecemos a comunidade que integramos quando há respeito pelo nosso trabalho e pelo dos outros!
No fim, cada um fica com aquilo que escolhe valorizar — e amplificar. E talvez esteja na altura de percebermos que dignidade, consistência e impacto real não são conteúdos virais. Não se compra nem se ludribia! Mas são, sem dúvida, os que mais importam.
Entre o imediato — já quase uma ditadura — e o essencial: que futuro estamos a construir?

