Luis Gonzaga Grego
AS BOAS MANEIRAS E OS BONS COSTUMES
06 de maio de 2026Em 1530 Erasmo de Roterdão escreveu De civilitate morum puerilium (Da civilidade em crianças). Em 1534, surgiu sob a forma de catecismo e nessa ocasião já era adotado para a educação de menina e meninos.
O livro trata de um assunto muito simples: o comportamento das pessoas em sociedade e acima de tudo, "do decoro corporal externo".
É dedicado a um menino Nobre, fiIho de príncipe, e escrito para a educação de crianças.
A postura, as gestos, o vestuário, as expressões faciais, este comportamento "externo" do qual cuida o tratado é a manifestação do homem interior, inteiro.
Se calhar devíamos voltar a Erasmo quando ensinamos os nossos filhos, podemos começar pela refeição em família ou em grupo:
“O copo de pé e a faca bem limpa à direita, e, à esquerda, o pão. Assim é como deve ser posta a mesa. A maioria das pessoas trás consigo uma faca e daí o preceito de mantê-la limpa. Praticamente nao existem garfos e quando os há são para tirar carne de uma travessa.”
Facas e colheres são com frequência usadas em comum.
Quando são trazidos pratos de carne, cada pessoa corta o seu pedaço, pega nele com a mão e coloca-o nos pratos, se os houver, ou na falta deles, sobre uma grossa fatia de pão.
Todos, incluindo o rei e rainha, comem com as mãos.
Na classe alta há maneiras mais refinadas. Deve-se lavar as mãos antes de uma refeição, mas ainda não há sabonetes.
Os convivas estendem as mãos e o pajem derrama água sobre elas, às vezes levemente perfumada com camomila ou rosmaninho.
Na sociedade das boas maneiras ninguém coloca ambas as mãos na travessa, é mais refinado usar apenas três dedos de uma mão. Este é um dos sinais de distinção que separa a classe alta da baixa.
"Não é muito decoroso oferecer a alguem alguma coisa semimastigada." Mais: "Mergulhar no molho o pão que mordeu é comportar-se como um camponês e demonstra pouca elegância retirar da boca a comida mastigada e recolocá-la no prato. “Se não consegue engolir o alimento, vire-se discretamente e cuspa-o em algum lugar."
É bom que se interrompa ocasionalmente a refeição para conversar.
Algumas pessoas comem e bebem sem parar, não porque estejam com fome ou sede, mas porque de outra maneira não podem controlar os seus movimentos. “Têm que coçar a cabeça, esgravatar os dentes, gesticular com as mãos, brincar com a faca, ou nao conseguem deixar de tossir, fungar e cuspir.”
O bom do Erasmo também tem preceitos que ainda hoje não são consensuais na espécie humana:
"Reprimere sonitum, quem natura fert, ineptorum est, qui plus tribuunt civilitati, quam saluti" (Os tolos que valorizam mais a civilidade do que a saúde reprimem sons naturais.). Alguns recomendam que os meninos devem "reter os ventos, comprimindo a barriga. Mas dessa maneira pode-se contrair uma doença".
Não tenha receio de vomitar, se a isto obrigado, "pois não é vomitar mas reter o vómito na garganta que é torpe."
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.
O livro trata de um assunto muito simples: o comportamento das pessoas em sociedade e acima de tudo, "do decoro corporal externo".
É dedicado a um menino Nobre, fiIho de príncipe, e escrito para a educação de crianças.
A postura, as gestos, o vestuário, as expressões faciais, este comportamento "externo" do qual cuida o tratado é a manifestação do homem interior, inteiro.
Se calhar devíamos voltar a Erasmo quando ensinamos os nossos filhos, podemos começar pela refeição em família ou em grupo:
“O copo de pé e a faca bem limpa à direita, e, à esquerda, o pão. Assim é como deve ser posta a mesa. A maioria das pessoas trás consigo uma faca e daí o preceito de mantê-la limpa. Praticamente nao existem garfos e quando os há são para tirar carne de uma travessa.”
Facas e colheres são com frequência usadas em comum.
Quando são trazidos pratos de carne, cada pessoa corta o seu pedaço, pega nele com a mão e coloca-o nos pratos, se os houver, ou na falta deles, sobre uma grossa fatia de pão.
Todos, incluindo o rei e rainha, comem com as mãos.
Na classe alta há maneiras mais refinadas. Deve-se lavar as mãos antes de uma refeição, mas ainda não há sabonetes.
Os convivas estendem as mãos e o pajem derrama água sobre elas, às vezes levemente perfumada com camomila ou rosmaninho.
Na sociedade das boas maneiras ninguém coloca ambas as mãos na travessa, é mais refinado usar apenas três dedos de uma mão. Este é um dos sinais de distinção que separa a classe alta da baixa.
"Não é muito decoroso oferecer a alguem alguma coisa semimastigada." Mais: "Mergulhar no molho o pão que mordeu é comportar-se como um camponês e demonstra pouca elegância retirar da boca a comida mastigada e recolocá-la no prato. “Se não consegue engolir o alimento, vire-se discretamente e cuspa-o em algum lugar."
É bom que se interrompa ocasionalmente a refeição para conversar.
Algumas pessoas comem e bebem sem parar, não porque estejam com fome ou sede, mas porque de outra maneira não podem controlar os seus movimentos. “Têm que coçar a cabeça, esgravatar os dentes, gesticular com as mãos, brincar com a faca, ou nao conseguem deixar de tossir, fungar e cuspir.”
O bom do Erasmo também tem preceitos que ainda hoje não são consensuais na espécie humana:
"Reprimere sonitum, quem natura fert, ineptorum est, qui plus tribuunt civilitati, quam saluti" (Os tolos que valorizam mais a civilidade do que a saúde reprimem sons naturais.). Alguns recomendam que os meninos devem "reter os ventos, comprimindo a barriga. Mas dessa maneira pode-se contrair uma doença".
Não tenha receio de vomitar, se a isto obrigado, "pois não é vomitar mas reter o vómito na garganta que é torpe."
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.

