Manuel Farias .. Tribuna Própria
AGITÁGUEDA: PARAR, REFLETIR, REINVENTAR, AGIR
09 de setembro de 2026Em 2001, o Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro entregou ao município o Plano Estratégico do Concelho de Águeda, elaborado pela equipa académica liderada pelo Prof. Artur Rosa Pires. Passaram cerca de 4 anos, até que Gil Nadais soprou a poeira que cobria este Plano Estratégico e iniciou a sua concretização em obra.
Um dos programas de intervenção estratégica ali definidos, tinha como propósito criar “uma cidade atractiva como factor de dinamização do concelho”. Em 2007, foi lançada a primeira edição do AGITÁGUEDA, para ir ao encontro deste objectivo estratégico.
A designação deste plano: “ÁGUEDA 2020” é elucidativa. No seu lançamento, previa-se que ficasse esgotado e a necessitar de reforma até 2020; agora, em 2026, olhamos para trás e para o presente e temos a convicção certa de que este Plano deixou de ser instrumento para projectar o município para o futuro dos nossos anseios e para o presente das nossas necessidades.
A natureza do planeamento estratégico é assim: progride em espiral e com renovação. As suas articulações e circunstâncias mudam, por vezes radicalmente; embora os propósitos permaneçam válidos, a definição dos instrumentos para os atingir precisa de reflexão e de serem reinventados face a novas realidades.
Um dos eixos do Plano era a atratividade da cidade como alavanca para a notoriedade do concelho e para a melhoria da coesão municipal. Decorridas dezanove edições de AGITÁGUEDA, podemos dizer que a notoriedade do concelho foi conseguida, mas temos dúvidas sobre a melhoria da coesão municipal. Acresce a percepção de que o modelo do evento entrou na fase de declínio do seu ciclo de vida, por mais centenas de milhares de euros que os contribuintes nele despejem.
Ao entrar de novo em contacto com o plano ÁGUEDA 2020, é notável concluir que as medidas e programas nele contidas, não são avulsas nem se encontram dispostas em rol de acções a concretizar. Interligam-se, como se fossem peças de um puzzle e só no seu conjunto desenhavam a orientação da política municipal para as duas décadas seguintes. Por exemplo, a melhoria da atratividade da cidade está ligada com a consolidação do capital relacional, a qualificação das freguesias, a rede para a valorização da identidade do concelho e a evolução do parque habitacional, entre outras.
Há grandes méritos no modelo organizativo adotado para este evento, mas também existem alguns propósitos não atingidos. Águeda tem a notoriedade de ter influenciado Portugal e o mundo com a cobertura de ruas, peonizadas ou não, com guarda-sóis, balões, flores ou fitas. Agora que isso se tornou vulgar e comum, perdeu o estatuto de ícone. Afinal, porque se perdeu este privilégio e tão rápido?... porque não era identitário; não se apoiava em tradição local, nem corresponde a qualquer cluster da economia do nosso município.
O pior que se pode fazer ao trajecto meritório do AGITÁGUEDA é impulsionar a sua promoção e impacto com mais e mais despesa do orçamento municipal, ou seja: insistir em crescimento avulso e desligado da planificação estratégica do concelho. Considerando que esta planificação não existe ou está desfasada das circunstâncias actuais, os aguedenses bem podem começar a ficar preocupados. Alguns de nós estamos muito preocupados; afinal, com uma parte (pequena) do custo anual do evento, Águeda poderia dispor de um Fundo Municipal da Habitação, dotado de uma ou duas dezenas de milhões de euros, verdadeiramente transformador e previdente para a sustentabilidade económica, social e cultural do concelho.
Um dos programas de intervenção estratégica ali definidos, tinha como propósito criar “uma cidade atractiva como factor de dinamização do concelho”. Em 2007, foi lançada a primeira edição do AGITÁGUEDA, para ir ao encontro deste objectivo estratégico.
A designação deste plano: “ÁGUEDA 2020” é elucidativa. No seu lançamento, previa-se que ficasse esgotado e a necessitar de reforma até 2020; agora, em 2026, olhamos para trás e para o presente e temos a convicção certa de que este Plano deixou de ser instrumento para projectar o município para o futuro dos nossos anseios e para o presente das nossas necessidades.
A natureza do planeamento estratégico é assim: progride em espiral e com renovação. As suas articulações e circunstâncias mudam, por vezes radicalmente; embora os propósitos permaneçam válidos, a definição dos instrumentos para os atingir precisa de reflexão e de serem reinventados face a novas realidades.
Um dos eixos do Plano era a atratividade da cidade como alavanca para a notoriedade do concelho e para a melhoria da coesão municipal. Decorridas dezanove edições de AGITÁGUEDA, podemos dizer que a notoriedade do concelho foi conseguida, mas temos dúvidas sobre a melhoria da coesão municipal. Acresce a percepção de que o modelo do evento entrou na fase de declínio do seu ciclo de vida, por mais centenas de milhares de euros que os contribuintes nele despejem.
Ao entrar de novo em contacto com o plano ÁGUEDA 2020, é notável concluir que as medidas e programas nele contidas, não são avulsas nem se encontram dispostas em rol de acções a concretizar. Interligam-se, como se fossem peças de um puzzle e só no seu conjunto desenhavam a orientação da política municipal para as duas décadas seguintes. Por exemplo, a melhoria da atratividade da cidade está ligada com a consolidação do capital relacional, a qualificação das freguesias, a rede para a valorização da identidade do concelho e a evolução do parque habitacional, entre outras.
Há grandes méritos no modelo organizativo adotado para este evento, mas também existem alguns propósitos não atingidos. Águeda tem a notoriedade de ter influenciado Portugal e o mundo com a cobertura de ruas, peonizadas ou não, com guarda-sóis, balões, flores ou fitas. Agora que isso se tornou vulgar e comum, perdeu o estatuto de ícone. Afinal, porque se perdeu este privilégio e tão rápido?... porque não era identitário; não se apoiava em tradição local, nem corresponde a qualquer cluster da economia do nosso município.
O pior que se pode fazer ao trajecto meritório do AGITÁGUEDA é impulsionar a sua promoção e impacto com mais e mais despesa do orçamento municipal, ou seja: insistir em crescimento avulso e desligado da planificação estratégica do concelho. Considerando que esta planificação não existe ou está desfasada das circunstâncias actuais, os aguedenses bem podem começar a ficar preocupados. Alguns de nós estamos muito preocupados; afinal, com uma parte (pequena) do custo anual do evento, Águeda poderia dispor de um Fundo Municipal da Habitação, dotado de uma ou duas dezenas de milhões de euros, verdadeiramente transformador e previdente para a sustentabilidade económica, social e cultural do concelho.

