Nuno Simões de Melo .. Opinião à direita
FRAGATAS... E O RESTO
09 de setembro de 2026Cada vez mais a Defesa Nacional é colaborativa entre estados e organizações.
Debaixo de um chapéu protector que é a NATO/OTAN, Portugal tem desenvolvido o seu conceito de defesa baseado no artigo 5º da Aliança, que refere que um ataque a um estado-membro é um ataque a toda a Aliança.
Foi tanta a dependência, sobretudo nos estados europeus, desta protecção que, durante décadas, se negligenciou o investimento em sistemas de armas, equipamentos e em todo o tipo de recursos.
Numa mudança de direcção estratégica dos EUA para o Indo-Pacífico, esse verdadeiro garante da capacidade bélica da Aliança Atlântica começou a exigir que o fardo fosse dividido entre todos, daí o compromisso para o investimento na Defesa de 2% do PIB, 3,5% a breve prazo e 5% seguidamente, incluindo investimentos que, de alguma forma tenham que ver com a capacidade defensiva do país. A Europa teve “de se chegar à frente” … Criou alguns programas e ferramentas financeiras. De entre as ferramentas financeiras destaca-se o Instrumento de Acção para a Segurança da Europa (SAFE), ao qual Portugal se candidatou, indo receber, a título de empréstimo, para reequipamento das Forças Armadas (e potencial desenvolvimento da Base Industrial de Defesa), cerca de 5,8 mil milhões de Euros. É aqui que surge o programa de substituição das fragatas, pois as actuais têm cerca de 30 anos, com uma verba alocada de 3,8 mil milhões de euros (cerca de 65% do montante total disponibilizado).
Reitero que se está a falar de um empréstimo. Ainda que com um período de carência de 10 anos e, ao que é referido, com juros baixos, iremos sempre pagá-lo.
O actual governo gasta o dinheiro, compra o que acha que tem de comprar, que lá estarão os portugueses, daqui a 10 anos, com outro governo e, muito provavelmente com outros responsáveis políticos, a assumir o ónus dessas decisões.
Daqui a 10 anos, serão os contribuintes portugueses a assumir o custo e o governo de então a redefinir prioridades para poder acomodar essa despesa.
Agora, deixo a questão, sabendo tudo isto, não tem o direito o povo português de saber todos, todos, os contornos do negócio das fragatas, e dos outros?
Não é a transparência fundamental para que não nos sintamos enganados, ou, no mínimo, desconfiados?
Se cabe ao governo decidir, não deixa de caber ao Parlamento escrutinar essa decisão.
Não é com ameaças de processos cíveis que não deixaremos, aqui na Assembleia da República, de cumprir a nossa missão.
Os Portugueses exigem-nos.
Os Portugueses exigem-no!!!
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia
Debaixo de um chapéu protector que é a NATO/OTAN, Portugal tem desenvolvido o seu conceito de defesa baseado no artigo 5º da Aliança, que refere que um ataque a um estado-membro é um ataque a toda a Aliança.
Foi tanta a dependência, sobretudo nos estados europeus, desta protecção que, durante décadas, se negligenciou o investimento em sistemas de armas, equipamentos e em todo o tipo de recursos.
Numa mudança de direcção estratégica dos EUA para o Indo-Pacífico, esse verdadeiro garante da capacidade bélica da Aliança Atlântica começou a exigir que o fardo fosse dividido entre todos, daí o compromisso para o investimento na Defesa de 2% do PIB, 3,5% a breve prazo e 5% seguidamente, incluindo investimentos que, de alguma forma tenham que ver com a capacidade defensiva do país. A Europa teve “de se chegar à frente” … Criou alguns programas e ferramentas financeiras. De entre as ferramentas financeiras destaca-se o Instrumento de Acção para a Segurança da Europa (SAFE), ao qual Portugal se candidatou, indo receber, a título de empréstimo, para reequipamento das Forças Armadas (e potencial desenvolvimento da Base Industrial de Defesa), cerca de 5,8 mil milhões de Euros. É aqui que surge o programa de substituição das fragatas, pois as actuais têm cerca de 30 anos, com uma verba alocada de 3,8 mil milhões de euros (cerca de 65% do montante total disponibilizado).
Reitero que se está a falar de um empréstimo. Ainda que com um período de carência de 10 anos e, ao que é referido, com juros baixos, iremos sempre pagá-lo.
O actual governo gasta o dinheiro, compra o que acha que tem de comprar, que lá estarão os portugueses, daqui a 10 anos, com outro governo e, muito provavelmente com outros responsáveis políticos, a assumir o ónus dessas decisões.
Daqui a 10 anos, serão os contribuintes portugueses a assumir o custo e o governo de então a redefinir prioridades para poder acomodar essa despesa.
Agora, deixo a questão, sabendo tudo isto, não tem o direito o povo português de saber todos, todos, os contornos do negócio das fragatas, e dos outros?
Não é a transparência fundamental para que não nos sintamos enganados, ou, no mínimo, desconfiados?
Se cabe ao governo decidir, não deixa de caber ao Parlamento escrutinar essa decisão.
Não é com ameaças de processos cíveis que não deixaremos, aqui na Assembleia da República, de cumprir a nossa missão.
Os Portugueses exigem-nos.
Os Portugueses exigem-no!!!
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

